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'Esse líder terrorista não existe mais', diz Biden sobre morte de Al-Zawahiri

Publicado em: 02/08/2022 07:29

 (Foto: Site Intelligence Group/AFP)
Foto: Site Intelligence Group/AFP
Ayman Al-Zawahiri, 71 anos, escapou das garras da inteligência norte-americana por 4.107 dias, desde a operação especial que matou Osama bin Laden em Abbottabad, no Paquistão, em 2 de maio de 2011. No fim de semana passado, o médico cirurgião egípcio alçado ao posto de líder da rede terrorista Al-Qaeda teve o mesmo destino do mentor dos atentados de 11 de setembro de 2001. "No último sábado, sob minha direção, os EUA concluíram, de forma bem-sucedida, um ataque aéreo em Cabul, no Afeganistão, que matou o emir da Al-Qaeda, Ayman Al-Zawahiri", anunciou o presidente norte-americano, Joe Biden, em discurso à nação, pouco depois das 20h30 de ontem (hora de Brasília).

Fontes do governo informaram que o extremista, um dos mais leais aliados de Bin Laden, foi abatido por drones da Agência Central de Inteligência (CIA) em Cabul, capital do Afeganistão, às 22h48 (hora de Brasília). As aeronaves não-tripuladas lançaram, com precisão, dois mísseis Hellfire sobre a casa em que Al-Zawahiri se escondia.

Biden afirmou que os serviços de inteligência dos EUA localizaram Al-Zawahiri no começo deste ano. "Ele tinha se mudado para a região central de Cabul, a fim de se reunir com familiares. Ao considerar uma evidência convincente sobre sua localização, autorizei um ataque de precisão que o removesse do campo de batalha, de uma vez por todas. A missão foi cuidadosamente planejada. Nós, rigorosamente, minimizamos o risco de danos a outros civis", explicou. Há uma semana, após receber a informação de que as condições para a operação eram ideais, Biden deu a autorização. "Nenhum dos familiares de Al-Zawahiri se feriu e não houve baixas civis", disse.

Ao longo do pronunciamento de oito minutos, o democrata lembrou que Al-Zawahiri esteve "profundamente envolvido no planejamento dos atentados de 11 de setembro de 2001" e o acusou de manter papel ativo na Al-Qaeda. "Foi um dos principais responsáveis pelo ataque que assassinou 2.977 pessoas em solo americano. Durante décadas, ele foi o mentor de ações contra americanos, incluindo o bombardeio do destróier USS Cole (em 12 de outubro de 2000), que matou 19 marinheiros dos EUA. Ele teve papel-chave nas explosões das embaixadas dos Estados Unidos no Quênia e na Tanzânia, as quais deixaram 224 mortos e 4.500 feridos", disse Biden. O duplo atentado sincronizado, em Nairóbia e em Dar es Salaam, envolveu caminhões-bomba detonados por terroristas suicidas.

Segundo o presidente, após a morte de Bin Laden, Al-Zawahiri coordenou, do esconderijo, os braços da Al-Qaeda ao redor do mundo. "Ele definiu prioridades, forneceu orientação operacional e clamou por ataques contra alvos norte-americanos. Nas últimas semanas, fez vídeos em que pedia aos seguidores que atacassem os EUA e aliados. Agora, a justiça foi feita", comemorou Biden. "Esse líder terrorista não existe mais. Pessoas em todo o mundo não mais precisam temer esse assassino cruel e determinado."

Recado
Biden enviou um recado a terroristas: "Não importa quanto tempo leve, não importa onde você se esconda, se você for uma ameaça para o nosso povo, os Estados Unidos irão encontrá-lo".

No início da tarde de ontem, em publicações no Twitter, Zabihullah Mujahid, porta-voz do Talibã, anunciou que drones norte-americanos tinham atacado uma casa na área de Sherpur, em Cabul. "Condenamos, de forma veemente, este ataque sob qualquer pretexto e o consideramos uma clara violação dos princípios internacionais e do Acordo de Doha", escreveu.

Neto de Rabia'a al-Zawahiri, imã da Universidade Al-Azhair (Cairo), Ayman Al-Zawahiri foi preso, em 1981, por envolvimento na morte do presidente egípcio, Anwar Sadat. Após três anos na cadeia, viajou ao Paquistão, onde cuidou de mujahedine ("guerrilheiros islâmicos") feridos em combates contra as tropas soviéticas. Ali, conheceu Bin Laden.
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