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CONFLITO

Tropas ucranianas se preparam para recuperar o sul em condições inferiores

Por: AFP

Publicado em: 24/07/2022 17:36

Ucrânia prometeu lançar uma contra-ofensiva para retomar a região estratégica de Kherson (BULENT KILIC / AFP


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Ucrânia prometeu lançar uma contra-ofensiva para retomar a região estratégica de Kherson (BULENT KILIC / AFP )
Em uma cidade destruída perto da linha de frente no sul da Ucrânia, o barulho da artilharia russa dá indicações da próxima batalha contra as tropas de Kiev, que buscam retomar terreno em uma contra-ofensiva iminente.

Na aldeia, cujo nome não é divulgado por razões de segurança, ainda se pode ver a extensão da destruição causada pelos combates. As tropas ucranianas libertaram o local da ocupação russa. Quase todas as casas foram destruídas ou danificadas e quase não há mais moradores. Nas ruas há alguns carros queimados e buracos produzidos por foguetes.

Ao pé dos prédios destruídos, um pequeno destacamento de soldados ucranianos mantém sua posição em trincheiras de sacos de areia. O grupo está constantemente à procura de drones inimigos. Nestes longos dias de espera, um casal de cães e um gato fazem-lhes companhia.

A Ucrânia prometeu lançar uma contra-ofensiva para retomar a região estratégica de Kherson, às portas da península da Crimeia, anexada pelos russos em 2014.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, disse no sábado que suas tropas estavam avançando "passo a passo". No momento, as tropas acreditam que a Ucrânia está fazendo a coisa certa ao manter a linha de frente.

"Algumas pessoas estão com medo, mas o que podemos fazer? Temos que defender nossa pátria, porque se eu não fizer isso, meus filhos serão forçados a fazer isso sozinhos", disse à AFP Stanislav, 49, que deixou sua esposa e os dois filhos para se juntar às tropas voluntárias, assim que a invasão russa começou.

No entanto, "falta-nos artilharia", acrescenta. "Se atirarmos oito vezes, os russos dispararão 48 vezes". "No momento, eles são mais fortes materialmente", diz o voluntário, originário de Odessa, região vizinha. "Mas nós resistimos!", garante.

"Liberar Kherson"
A Rússia usou a maior parte de suas forças armadas para concentrar sua ofensiva na região leste do Donbass. Mas a batalha de Kherson também pode ser fundamental. A área foi a primeira região a cair para Moscou após o início da invasão. Retomá-la seria uma vitória simbólica e estratégica para Kiev.

"Vamos libertar Kherson, com certeza. Não vamos deixar isso para os russos", diz Oleksandr, um soldado de 45 anos. "Temos que resistir e destruir as tropas inimigas", acrescenta. No domingo, o conselheiro do chefe da administração militar regional ucraniana, Sergiy Khan, disse que a região seria "definitivamente libertada em setembro".

"Vemos claramente como nossas forças armadas estão avançando. Podemos dizer que estamos passando de ações defensivas para ações contra-ofensivas", acrescentou. Retomar a cidade de Kherson, a capital da região, e o território circundante expulsaria as forças russas do território principal ao norte de seu reduto da Crimeia.

A captura minaria as chances do Kremlin de lançar uma ofensiva a oeste ao longo do Mar Negro até o porto de Odessa. A batalha iminente também será um teste fundamental para saber se as tropas ucranianas ainda podem repelir os russos e libertar todo o país. As forças de Kiev têm novas armas de longo alcance fornecidas pelo Ocidente.

De acordo com os serviços de inteligência de Kiev e do Ocidente, Moscou está fortalecendo suas defesas no sul para tentar impedir qualquer ofensiva.

Além disso, os russos intensificaram seus ataques à cidade vizinha de Mykolaiv em uma aparente tentativa de impedir qualquer avanço ucraniano, segundo as mesmas fontes.

"Estamos prontos"
Em vez disso, as forças ucranianas usaram os sistemas de mísseis Hilars para destruir estoques de armas, postos de comando e interromper as linhas de abastecimento na zona ocupada. Essas armas, que têm alcance de 80 km, foram fornecidas pelos Estados Unidos.

Também destruíram uma ponte importante no rio Dnieper, que liga Kherson a Kiev, para ilhar as tropas russas ali posicionadas.

No terreno, Alex, um soldado, quer que mais Himars sejam enviados para a frente sul. Mas a Ucrânia tem apenas um punhado e precisa espalhá-los por mais de 1.000 km de linha de frente. De qualquer forma, "estamos prontos para revidar", promete.
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