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Europa é atingida por calor histórico que causa incêndios em residências

Publicado em: 20/07/2022 08:21

 (Foto: Niklas Halle'n/AFP)
Foto: Niklas Halle'n/AFP
Os termômetros em Coningsby, no leste da Inglaterra, marcaram 40,3 graus Celsius, às 16h de ontem (meio-dia em Brasília). Nunca antes na história do Reino Unido uma temperatura tão extrema havia sido registrada. Três horas antes, Heathrow, 20km a oeste de Londres, tinha enfrentado 40,2 graus Celsius. Além do calor insuportável, focos de incêndio destruíram lavouras e casas em Wennington, na região leste de Londres, onde 100 bombeiros foram mobilizados; em Dartford, no condado de Kent; em South Yorkshire; e em Wembley. O fogo consumiu a vegetação em outras regiões, como Upminster, a leste da capital; e em Chapel View e Shirley, no subúrbio de Croydon, no sul de Londres. Jonathan Smith, subcomissário da Brigada de Incêndios de Londres, disse à TV CNN que ontem "foi um dia sem precedentes na história da corporação". "Fomos submetidos a extremos de calor e a temperaturas que causaram um número de incidentes relacionados ao clima", admitiu. 

De acordo com a emissora BBC, oito casas e uma igreja foram devastadas pelas chamas em Wennington. Um bombeiro que trabalhou no local descreveu o cenário como "o inferno em absoluto". O recorde anterior, de 38,7 graus, registrado em Cambridge, em 25 de julho de 2019, foi quebrado por volta do meio-dia (hora local), em Heathrow. Temperaturas maiores que essa marca foram observadas em 34 cidades britânicas. A Escócia também enfrentou temperatura histórica de 34,8 graus Celsius. 

Especialistas consultados pelo Correio afirmaram que os incêndios são ocorrências extremamente incomuns no Reino Unido e explicaram os motivos da onda de calor sem precedentes. "O fato de a temperatura ter quebrado o recorde anterior em mais de 1 grau Celsius é extremamente significativo. Isso está relacionado a dois fenômentos: o aquecimento global ao longo das últimas décadas fez com que as temperaturas de verão no Reino Unido aumentassem de forma constante. Nosso verões, no Reino Unido, têm sido mais quentes. O fato incomum, que levou a esse pico, é o sistema de alta pressão estacionado sobre a Europa central", explicou Matthew Blackett, professor de geografia física e riscos naturais pela Universidade Coventry, na região central do Reino Unido.

Segundo ele, sistemas de alta pressão provocam uma circulação de ar no sentido horário. "O ar quente tem si do puxado para a Inglaterra a partir do norte da África e da Península Ibérica. A temperatura que o Reino Unido está experimentando hoje é mais normal no norte da África, na Espanha e em Portugal."

No entanto, Blackett cita os incêndios de ontem como eventos extremamente raros na ilha. "O Reino Unido não tem enfrentado tantos incêndios florestais. As mudanças climáticas afetam o país de duas maneiras: tornam o clima mais quente e mais seco. Essa secura significa que os incêndios florestais estão se tornando mais comuns. Tivemos um inverno e uma primavera secos, por isso, o fogo tem surgido e se espalhado. Temo que isso seja mais frequente."

Professor de geografia ambiental da London School of Economics and Political Science (Reino Unido), Thomas Smith acredita ser prematuro avaliar se os incêndios de ontem começaram nas casas ou na mata. "De qualquer forma, essa interação entre os meios florestal e urbano é um fenômeno novo para o Reino Unido", disse. O estudioso prevê que as mudanças climáticas continuarão a causar aquecimento global até que o mundo consiga alcançar emissões zero emissão de carbono. "Até lá, podemos esperar ondas de calor que continuem a bater recordes de temperatura."

Outros países
 
Um incêndio no norte de Atenas forçou a evacuação de oito povoados localizados ao pé do Monte Pentelic. Um total de 350 bombeiros, 15 aviões e nove helicópteros foram mobilizados para tentar debelar o fogo que avança rumo a os municípios de Penteli, Nea Penteli, Daou, Dioni, Kallitechnoupoli, Anthousa, Drafi e Dassamari. O incêndio, alimentado pela ventania, provocou o fechamento de estradas. Entre domingo e ontem, os bombeiros gregos combateram 39 focos de incêndio no país.

Na Espanha, os incêndios florestais seguem incontroláveis na província de Zamora (noroeste). Cerca de 6 mil pessoas tiveram que ser removidas às pressas. "Até agora, tivemos 11 grandes incêndios. É quase o dobro da média da última década", comentou o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, ao visitar a Galícia (noroeste), uma das zonas afetadas. A França combate o fogo em Bordeaux — mais de 19 mil hectares de floresta causaram a retirada de 16 mil moradores, segundo a agênci France-Presse. Na véspera de viajar para a região, o presidente  francês, Emmanuel Macron, destacou, ontem, "a mobilização, a solidariedade e o compromisso de todas as forças da nação".

No centro e no norte de Portugal, mais de 1.400 bombeiros trabalham na contenção dos incêndios, auxiliados pela queda das temperaturas. A situação é mais crítica na região de Vila Real, no extremo norte do país. Um casal na faixa dos 70 anos morreu ao sair de uma estrada enquanto tentava escapar das chamas em seu carro. 
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