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DESINFORMAÇÃO

Evolução, a mais recente arma da desinformação eleitoral na Colômbia

Por: AFP

Publicado em: 18/06/2022 18:49

 (Foto:  Michael Gaida/ Pixabay )
Foto: Michael Gaida/ Pixabay
Somente aqueles que melhor se adaptam ao seu ambiente conseguem se reproduzir: essa simples teoria darwiniana, utilizada também nas mídias sociais, explica a última reviravolta na desinformação na Colômbia durante o segundo turno presidencial de 2022, que opõe o empresário Rodolfo Hernández e o ex-guerrilheiro Gustavo Petro.

"A desinformação tornou-se sofisticada. (...) E isso torna muito mais difícil verificar se [o conteúdo] tem problemas", disse à AFP Ana María Saavedra, diretora do meio de verificação Colombiacheck, citando tuítes falsos "quase perfeitos" atribuídos aos candidatos e figuras políticas relevantes nos dias anteriores à votação de domingo. 

Juan Esteban Lewin, diretor editorial do portal La Silla Vacía e chefe de seu detector de mentiras, concordou. Em conversa com a AFP, ele explicou que isso responde a "uma evolução natural da desinformação: primeiro as notícias falsas são muito grosseiras e facilmente desmentidas", mas depois se tornam mais complexas porque seus criadores aprendem a evitar a verificação de fatos. 

Um exemplo disso foi a captura de tela de um tuíte, que rapidamente viralizou, no qual Petro supostamente acusava seu rival de usar o desaparecimento de sua filha como estratégia de campanha política. 

Edições milimétricas e o limbo 
 
"Outra das notícias falsas sofisticadas é a de Petro e seu pacto com Satanás, vemos como eles cortaram e editaram muito bem esses vídeos", acrescentou Saavedra sobre uma sequência que foi editada para tirar de contexto um discurso do candidato no qual criticou religiosos. 

"Ou também [na gravação em que Petro diz] 'Eu não sou um Chávez' e o editaram [para parecer que ele diz] 'Eu sou um Chávez'. Estamos vendo muitas dessas edições milimétricas nessas eleições", especificou. 

Aos olhos dos editores da Colombiacheck e La Silla Vacía, signatários da Rede Internacional de Verificação de Dados (IFCN) junto com a AFP, a desinformação eleitoral encontrou outro mecanismo de camuflagem no humor e no limbo derivado de entender ou não sua piada.

Mudança de eixo e perigos
 
O segundo turno das eleições de domingo, nas quais 39 milhões de colombianos podem votar, também gerou uma mudança nos interesses de desinformação, após a surpreendente passagem de Hernández. 

Conforme verificado pela equipe de investigação digital da AFP, o eixo da desinformação saltou de Petro no primeiro turno para Hernández nesta votação. 

A AFP Fact-Checking verificou declarações falsas sobre supostas deficiências, promessas de campanha e declarações do candidato. Além disso, vários perigos afligem os verificadores na campanha. 

Um deles foi destacado em 10 de junho pela ONG colombiana Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP), que denunciou que usuários clonaram os modelos gráficos da Colombiacheck no Twitter para desinformar e se passar por seus jornalistas. 

Embora uma das contas tenha sido suspensa e alguns tuítes tenham sido removidos, "esses ataques atrapalham o trabalho" e "geram desconfiança no público", alertou a agência.
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