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CONFLITO

Apesar da guerra, negócios continuam no Bósforo

Por: AFP

Publicado em: 04/06/2022 15:22

 (Foto: Ozan KOSE / AFP)
Foto: Ozan KOSE / AFP
Entre as silhuetas que cruzam o Bósforo, no coração de Istambul, cargueiros e petroleiros continuam a caminho dos portos russos e ucranianos, como se a guerra não existisse. 

Às portas do Mar Negro, o comércio não parou e passa pela Turquia. 

O embaixador da Ucrânia em Ancara, Vasyl Bodna, acusou a Turquia de comprar cereais “roubados descaradamente” de seu país e exportados dos portos da Crimeia, anexados por Moscou em 2014. 

Após o início da ofensiva russa na Ucrânia e as primeiras sanções, os maiores navios de empresas internacionais foram substituídos por navios mais modestos, mas mais numerosos. 

Do seu terraço com vista para o Bósforo, Yörük Isik os segue de perto: há dez anos ele tem sido um observador meticuloso dos movimentos nesta rota essencial de trânsito entre o Mar Negro e o Mar Mediterrâneo. 

"Só em maio tivemos uma dezena de passagens, incluindo duas idas e voltas em três navios de bandeira russa", garante. 

A Turquia foi rápida em condenar a ofensiva russa na Ucrânia, mas optou pela neutralidade entre os dois países e não aderiu às sanções ocidentais contra Moscou. 

Embora tenha proibido a passagem de navios militares a partir do final de fevereiro pelos estreitos de Bósforo e Dardanelos, de acordo com a Convenção de Montreux de 1936, a Turquia não pode interceptar ou revistar navios comerciais, segundo uma fonte diplomática em Ancara.

Corredores 
 
Em vez disso, como a União Europeia impôs um embargo às importações russas, seria de surpreender ver cargueiros de bandeira grega ou maltesa cruzando o Bósforo para portos russos.

"Podemos acompanhar os navios, desde a carga até o destino", diz Yörük Isik. 

Alguns navios são carregados de trigo em portos ucranianos sob bloqueio russo, como Odessa, Chornomorsk ou Mariupol, para ir para a Síria - onde a Rússia tem uma base militar - Líbano ou Egito, acrescenta. 

Ele também identificou uma flotilha de antigos navios turcos, "nunca vistos por aqui antes", sob a bandeira de outros países no porto russo de Novorossiysk e que ele suspeita estarem operando para patrocinadores russos.

Assim, sem esperar o estabelecimento de "corredores marítimos", o trigo ucraniano é vendido discretamente sob a autoridade do ocupante russo. 

"Temos essa informação, mas não temos o direito de parar ou revistar navios comerciais, exceto se suspeitarmos que eles representam uma ameaça à Turquia", segundo uma fonte diplomática em Ancara.

"Se a Rússia exporta produtos ucranianos, nada autoriza a Turquia a parar os navios", confirma Yücel Acer, professor de direito internacional da Universidade de Ancara. 

"A não ser que haja uma resolução das Nações Unidas, mas essa hipótese não se concretizará enquanto a Rússia estiver no Conselho de Segurança" com seu poder de veto, acrescenta o professor. 

De acordo com seu embaixador, Kiev "pediu ajuda à Turquia" para impedir as exportações fraudulentas de grãos.

 Dependência da Ucrânia 
 
Antes da guerra, a Ucrânia estava prestes a se tornar o terceiro maior exportador de trigo, e vários países da África e do Oriente Médio dependiam desses suprimentos.

A Comissão Europeia, embora sem o admitir claramente e sem visar ninguém, vai tomar medidas para evitar este tipo de situação, segundo uma fonte em Bruxelas. 

Um novo pacote de sanções contra Moscou planeja privar os operadores europeus de seus seguros se seus navios violarem as regras. 

“A maioria destes navios estão cobertos por seguros europeus e britânicos, e com este novo pacote já não poderão utilizá-los”, explica esta fonte da UE, que pediu anonimato.

"Isso terá um impacto significativo", acrescenta. 

Mas a Turquia poderia fazer mais, lembra Elizabete Aunina, da Universidade de Amsterdã. "Após a anexação da Crimeia, a Turquia proibiu a entrada de navios da Crimeia em seus portos. Agora poderia fazer o mesmo!"
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