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ISRAEL

Indignação internacional após operação policial israelense no funeral de jornalista palestina

Por: AFP

Publicado em: 14/05/2022 12:20

 (Foto: AHMAD GHARABLI / AFP
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Foto: AHMAD GHARABLI / AFP
A comunidade internacional criticou a intervenção da polícia de Israel na sexta-feira durante o funeral da jornalista palestino-americana Shireen Abu Akleh, o que quase provocou a queda do caixão após uma ação das forças de segurança contra as pessoas que o carregavam nos ombros. 

Após as críticas, a polícia israelense anunciou neste sábado que vai investigar a atuação dos agentes durante o enterro. 

Milhares de palestinos compareceram ao funeral da jornalista do canal Al Jazeera, que morreu na quarta-feira ao ser atingida por um tiro na cabeça quando cobria uma operação militar israelense na Cisjordânia, um território palestino ocupado por Israel desde 1967. 

A repórter usava um colete à prova de balas com a palavra "Imprensa' e um capacete.

Os incidentes explodiram quando a polícia tentou dispersar a multidão depois que o caixão saiu do hospital em Jerusalém Leste, uma área palestina ocupada por Israel.

O caixão da jornalista quase caiu, mas foi salvo no último momento, de acordo com as imagens exibidas pelas emissoras de TV locais.

"As imagens da intervenção policial israelense no cortejo fúnebre nos perturbaram profundamente", afirmou o secretário de Estado americano Antony Blinken.

A União Europeia (UE) condenou o "uso desproporcional da força e o comportamento desrespeitoso da polícia israelense com os participantes no cortejo fúnebre".

A representação francesa em Jerusalém disse que a violência policial era "profundamente chocante" e o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, se declarou "profundamente perturbado".

ONU condena assassinato 

"As forças de ocupação não apenas mantaram Shireen (...) mas também aterrorizaram aqueles que a acompanharam até sua última morada", denunciou o Catar.

A polícia israelense anunciou neste sábado que vai investigar a atuação dos agentes.

"O comissário da polícia de Israel, em coordenação com o ministro da Segurança Pública, ordenou uma investigação sobre o incidente. As conclusões serão apresentadas ao comissário nos próximos dias", afirmou a polícia em um comunicado.

A polícia israelense alega que seus agentes "se viram expostos à violência de grupos de agitadores".

"Se os cantos nacionalistas não pararem, teremos que dispersá-los usando a força e impedir a celebração do funeral", disse um policial israelense com um megafone na sexta-feira para a multidão reunida dentro do hospital São José, de acordo com um vídeo divulgado pela força de segurança.

"Os agitadores impediram que os familiares carregassem o caixão em um carro fúnebre para seguir até o cemitério, como havia sido estabelecido com a família (...) A multidão se negou a colocar o caixão no carro fúnebre e a polícia atuou para que não o levassem. Durante os distúrbios provocados pela multidão, garrafas de vidro e outros objetos foram jogados", afirmou um comunicado da polícia.

De acordo com o Crescente Vermelho palestino, 33 pessoas ficaram feridas durante o funeral e a polícia israelense anunciou a detenção de seis pessoas. 

Após a intervenção policial, a multidão seguiu o caixão até uma igreja da Cidade Antiga, onde aconteceu uma missa antes do sepultamento.

Em uma postura unânime, algo incomum, o Conselho de Segurança da ONU "condenou de maneira veemente o assassinato" da jornalista e pediu uma "investigação imediata, exaustiva, transparente e imparcial para garantir a prestação de contas".

Origem do tiro 

A Autoridade Palestina, o canal Al Jazeera e o governo do Catar acusam o exército israelense pelo assassinato da jornalista de 51 anos. 

Em um primeiro momento, Israel afirmou que a repórter "provavelmente" morreu ao ser atingida por tiros de combatentes palestinos. Mas depois, o governo indicou que não poderia descartar a responsabilidade dos soldados israelenses. 

De acordo com um comunicado divulgado na sexta-feira pela Promotoria palestina da cidade de Ramallah (Cisjordânia), "os resultados iniciais da investigação mostraram que a única origem dos tiros contra Shireen foram as forças de ocupação israelenses".

O exército de Israel afirmou que não era possível determinar de maneira imediata a origem do tiro.

As autoridades do Estado hebreu querem receber a munição recolhida após a morte da jornalista para um exame balístico e apresentaram uma proposta para que especialistas palestinos e americanos acompanhem a investigação.

Mas a Autoridade Palestina, liderada por Mahmud Abbas, rejeitou a ideia de uma investigação conjunta com Israel e anunciou que deseja enviar o caso ao Tribunal Penal Internacional (TPI). 

"As autoridades israelenses cometeram este crime e não confiamos nelas", disse Abbas. 

Neste sábado, Hussein al-Sheikh, uma figura importante da Autoridade Palestina, escreveu no Twitter que "recebe com satisfação a participação de todos os organismos internacionais na investigação do assassinato de Shireen Abu Akleh". 

"O que aconteceu no funeral reforça nossa posição de rejeição à participação de Israel na investigação", acrescentou.

O funeral aconteceu em um dia de novos confrontos perto de Jenin durante as operações do exército. Um policial israelense foi morto por combatentes palestinos e 13 palestinos ficaram feridos.

O exército israelense efetuou várias operações no campo de refugiados de Jenin, reduto das facções armadas palestinas, onde vivem os autores dos recentes atentados em Israel.

E um palestino ferido em abril em confrontos com a polícia israelense na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Leste, morreu neste sábado, de acordo com a família e fontes médicas. 

De acordo com a agência palestina Wafa, a vítima é Walid Al-Sharif, de 23 anos, natural de Beit Hanina, em Jerusalém Leste.

Desde meados de abril, os confrontos na área da Esplanada deixaram mais de 300 feridos, a grande maioria palestinos.
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