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Finlândia e Suécia estão cada vez mais perto da OTAN

Por: AFP

Publicado em: 10/05/2022 11:00

 (Foto: ALESSANDRO RAMPAZZO / AFP)
Foto: ALESSANDRO RAMPAZZO / AFP
Finlândia e Suécia se aproximam da hora da verdade para apresentar uma eventual candidatura de adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que poderá se concretizar nos próximos dias, pelo menos do lado finlandês.

Menos de três meses depois da invasão da Ucrânia, os dois países nórdicos se aproximaram da aliança militar transatlântica em busca de um guarda-chuva de segurança, especialmente dos Estados Unidos, diante da ameaça russa. 

"É 100% certo que a Finlândia será candidata, e muito provável que seja membro antes do fim do ano", disse à AFP o pesquisador Charly Salonius-Pasternak, do Instituto Finlandês de Assuntos Internacionais.

Na Finlândia e na Suécia, a guerra deflagrada por Moscou na Ucrânia inclinou a opinião pública destes países, até agora dividida, para a OTAN. 

De acordo com uma pesquisa da televisão pública Yle divulgada na segunda-feira (9), 76% dos finlandeses são a favor da adesão à Otan (um recorde) contra apenas 20%-30% nos últimos anos. 

Após semanas de intensas consultas internas e internacionais, os sinais de um anúncio iminente se multiplicam nos dois países. 

Na Suécia, o partido social-democrata no poder, cujo sinal verde garantiria uma clara maioria parlamentar para a adesão, indicou que anunciará sua decisão no domingo, ou seja, vários dias antes do previsto.

Há mais dúvidas em Estocolmo do que em Helsinque, diz Elisabeth Braw, especialista em defesa dos países escandinavos do "think tank" American Enterprise Institute (AEI), mas a Suécia vai-se candidatar e, "muito provavelmente", fará isso com sua vizinha.

'Momento perfeito'
 
Surpreendida pela velocidade da Finlândia, a Suécia, acostumada a pesar demoradamente prós e contras, tem interesse em não ficar para trás, aproveitando também o mau momento do Exército russo no "front" ucraniano.

"Antes, os social-democratas suecos sempre diziam: 'vamos pensar nisso, quando a Finlândia aderir'. Mas porque achavam que a Finlândia nunca fosse aderir", afirmou Braw. 

"Do ponto de vista do risco, o momento é perfeito. A Rússia está tão ocupada em outros lugares que será muito difícil para ela replicar, ou responder militarmente", avalia. 

O presidente finlandês, Sauli Niinistö, deve revelar sua posição "pessoal" sobre o assunto na quinta-feira (12). E a do Partido Social-Democrata, da primeira-ministra Sanna Marin, deve ser conhecida até sábado (13).

De acordo com o jornal Iltalehti, um comitê-chave que reúne os dois líderes do Executivo finlandês e os ministros deve se reunir no domingo (14) para tomar sua decisão. 

Procurado pela AFP, o governo finlandês afirmou apenas que as datas das reuniões do comitê são confidenciais.

Exércitos poderosos 
 
Na ilha sueca de Gotland, uma posição estratégica no meio do Mar Báltico, as forças de reserva da Guarda Nacional estão ativadas há um mês. Na próxima semana, também serão realizados importantes exercícios militares anuais na Finlândia e na Suécia. 

A Finlândia tem 12.000 soldados profissionais e conta com cerca de 21.000 recrutas por ano. Em tempos de guerra, suas Forças Armadas podem mobilizar até 280.000 soldados. 

Além disso, o país dispõe de potente artilharia e em torno de 60 aviões de combate, uma força nada insignificante para um país de 5,5 milhões de habitantes. 

Desde o fim da Guerra Fria, a Suécia diminuiu o investimento militar e reduziu tropas, mas suas Forças Armadas são modernas, cumprem os padrões da Otan e têm uma importante indústria militar. 

Mesmo não sendo membros da Aliança militar transatlântica, os dois países já haviam percorrido parte do caminho para deixar para trás sua histórica neutralidade e se aproximar da Otan - pelo menos militarmente. 

"Estamos vendo uma grande guinada na opinião pública e do ponto de vista político, mas, militarmente, não é o caso, principalmente porque eles já são muito próximos da Otan", observou Elisabeth Shaw. 

"Vão se casar com a Otan depois de terem vivido em concubinato", completou.
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