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JUSTIÇA

Alemanha abre processo contra gambiano acusado de assassinar jornalista da AFP

Por: AFP

Publicado em: 25/04/2022 09:16

Bai Lowe, acusado de crimes de lesa humanidade, assassinato e tentativa de assassinato, chega ao tribunal. (Foto: RONNY HARTMANN / POOL / AFP)
Bai Lowe, acusado de crimes de lesa humanidade, assassinato e tentativa de assassinato, chega ao tribunal. (Foto: RONNY HARTMANN / POOL / AFP)
O julgamento contra um gambiano acusado de fazer parte de um esquadrão da morte que assassinou opositores durante a ditadura de Yahya Jammeh, incluindo um jornalista da AFP, começou nesta segunda-feira (25) na Alemanha.

O acusado, identificado pela imprensa como Bai Lowe, é acusado de crimes de lesa humanidade, assassinato e tentativa de assassinato, incluindo a morte do correspondente da AFP Deyda Hydara em 2004. 

Lowe foi preso em Hannover em março de 2021 e vai comparecer em um tribunal próximo à localidade de Celle. 

O suspeito de 46 anos chegou à audiência com o rosto escondido atrás de uma pasta verde e a cabeça coberta por um capuz. 

Este processo "é o primeiro em que serão julgadas violações contra os direitos humanos cometidas na Gâmbia durante a era de Jammeh baseando-se na legislação universal", destacou a ONG Human Rights Watch. 

O tribunal de Celle, na Baixa Saxônia, pode, segundo o princípio da jurisdição universal, julgar crimes contra a humanidade, sem importar onde eles foram perpetrados. 

"Este é um dia que esperamos durante 18 anos. É um grande dia para a justiça, mas é somente o começo de um longo caminho" para julgar os abusos cometidos durante o mandato de Jammeh, declarou antes do início da audiência Baba Hydara, filho do jornalista assassinado. 

Seu pai, Deyda Hydara, que era correspondente da AFP, foi assassinado a tiros em 16 de dezembro de 2004. Bai Lowe é acusado de ser o motorista de uma unidade das forças armadas responsável pelo assassinato de críticos do regime de Yahya Jammeh, um ditador que permaneceu no poder em Banjul por 22 anos. 

Esta unidade foi utilizada, "entre outras coisas, para cumprir ordens ilegais de assassinato. O objetivo era intimidar a população gambiana e reprimir a oposição", descreveu o Ministério Público alemão.

O acusado participou "de três ordens de liquidação", estima o MP.

Co-fundador do jornal The Point, Deyda Hydara foi também correspondente na Gâmbia da ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Com 58 anos e pai de quatro filhos, era considerado o decano dos jornalistas neste pequeno país da África Ocidental de língua inglesa.

De acordo com investigações realizadas pela RSF, Deyda Hydara havia sido espionado pelos serviços de inteligência da Gâmbia pouco antes de sua morte.

Em julho de 2019, diante da Comissão da Verdade, Reconciliação e Reparação da Gâmbia, três ex-membros dos esquadrões da morte de Yahya Jammeh reconheceram ter assassinado Deyda Hydara, além de 50 migrantes do oeste da África que estavam encalhados em uma praia e vários ex-colaboradores de Jammeh acusados de querer derrotá-lo. 

Chegado ao poder por um golpe de Estado em julho de 1994, Yahya Jammeh foi eleito em 1996 e reeleito sem interrupção até sua derrota, em dezembro de 2016, contra Adama Barrow.

Desde 2017, está exilado na Guiné Equatorial.

Defensores de direitos Humanos acusam seu regime de tortura sistemática, execuções extrajudiciais, detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados e estupros.

Além de Bai Lowe, outros dois membros do antigo regime estão atualmente detidos no exterior. Ousman Sonko, ex-ministro do Interior, está sob investigação na Suíça desde 2017 por "crimes contra a Humanidade" e um ex-membro de uma unidade armada, Michael Sang Correa, foi acusado em 2020 nos Estados Unidos. Seu julgamento pode começar no início de 2023.

O julgamento de Celle, programado para durar vários meses, deve ser "um sinal para que outros criminosos sejam julgados, inclusive na Gâmbia", comentou nesta segunda-feira Patrick Kroker, advogado de Baba Hydara. 
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