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TELESCÓPIO

Escudo térmico do telescópio James Webb abre com sucesso

Por: AFP

Publicado em: 04/01/2022 19:21

 (Foto: CHRIS GUNN / NASA / AFP)
Foto: CHRIS GUNN / NASA / AFP
O telescópio espacial James Webb superou nesta terça-feira (4) uma etapa importante, ao abrir completamente seu escudo térmico, um guarda-sol de cinco camadas, necessário para observar o cosmos, informou a Nasa.

Embora faltem muitas operações para que o observatório esteja pronto, a abertura deste guarda-sol era "a mais difícil" da lista, admitiu Thomas Zurbuchen, chefe de missões científicas da Nasa em um comunicado.

Cada uma das camadas deste escudo térmico tem o tamanho de uma quadra de tênis e são necessárias para proteger os instrumentos científicos do calor do sol. Desde a segunda-feira, cada uma delas abriu-se e estendeu-se.

O telescópio é grande demais para acomodar um foguete e por isso foi preciso dobrá-lo sobre si mesmo como um origami e desdobrá-lo no espaço, um procedimento extremamente perigoso. 

"É um dia muito especial", tuitou o astrônomo Klaus Pontoppidan, cientista-chefe do James Webb. "Acho que é hora de dar-se conta de que em breve talvez tenhamos um telescópio espacial gigante completamente operacional".

Astrônomos de todo o mundo aguardavam com ansiedade o James Webb, o telescópio espacial mais potente, pois permitirá observar as primeiras galáxias, formadas poucas centenas de milhões de anos após o Big Bang.

O observatório foi lançado há pouco mais de uma semana da Guiana Francesa e atualmente se encontra a mais de 900.000 quilômetros da Terra. Segue rumo à sua órbita definitiva, a 1,5 milhão de quilômetros da Terra, ou seja, quatro vezes a distância entre nosso planeta e a Lua.

Neste local, se algum problema surgisse, não seria possível prever uma missão de reparos.

Sua abertura, dirigida de Baltimore, devia ser realizada sem tropeços. Mais de uma centena de engenheiros se revezaram noite e dia para garantir que tudo transcorresse conforme o previsto.

A Nasa transmitiu o procedimento ao vivo pela internet. Como não há câmera a bordo do James Webb, as únicas imagens disponíveis eram da sala de controle de operações. A equipe explodiu em alebria quando a abertura foi concluída.

 "Alívio" 
"O clima é difícil de descrever. Foi um momento incrível. Havia muita alegria, muito alívio", disse à imprensa Hillary Stock, encarregada da abertura do guarda-sol, na Northrop Grumman, sócia da Nasa. "Tudo saiu bem", acrescentou.

O guarda-sol mede 20 metros por 14 e tem o formato de um diamante. Suas camadas, tão finas quanto um fio de cabelo, estavam dobradas como uma sanfona e agora vão se esticar até ficar a dezenas de centímetros de distância entre si. 

São feitas de kapton, um material escolhido por sua resistência às temperaturas extremas porque a face mais próxima do sol pode alcançar os 125°C e a mais longínqua, -235°C. 

Sua abertura foi possível graças a centenas de polias e cabos para guiá-las, além de motores para estender cada vela de cada ponta do diamante.

  Pronto em poucos meses 
Na segunda-feira, as primeiras três camadas foram abertas e esticadas com sucesso. Na manhã de terça-feira, as equipes fizeram o mesmo com as duas últimas.

Antes foram ativadas as duas "estruturas de paletas" que continham o escudo solar.

Este escudo térmico é essencial porque os instrumentos científicos do James Webb só funcionam a temperaturas muito baixas e às escuras.

A grande novidade deste telescópio é que vai operar por meio do espectro infra-vermelho próximo e médio, comprimentos de onda visíveis a olho nu.

Para poder detectar a luz fraca, procedente dos confins do universo, não pode ser afetado pela radiação solar, mas tampouco pela emitida da Terra e da Lua.

O passo seguinte é a abertura dos espelhos: primeiro um secundário, menor e colocado ao final de um tripé, e depois o principal, recoberto com ouro e com 6,6 metros de diâmetro.

Uma vez configurado, o James Webb chegará ao seu destino, conhecido como o ponto Lagrange 2. Então, será preciso esfriar e calibrar os instrumentos e ajustar os espelhos com muita precisão.

Seis meses após o lançamento, o telescópio estará pronto para remontar às origens do universo e buscar entornos habitáveis fora do nosso sistema solar.


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