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Biden e Trump se enfrentam à distância, um ano após o ataque ao Capitólio

Por: AFP

Publicado em: 04/01/2022 21:35

 (Fotos: JIM WATSON, Brendan Smialowski / AFP)
Fotos: JIM WATSON, Brendan Smialowski / AFP
Adversários no passado e talvez no futuro, Joe Biden e Donald Trump vão depor separadamente nesta quinta-feira (6), um ano após o ataque de 6 de janeiro ao Capitólio.

O ex-presidente republicano foi o primeiro a anunciar que daria uma entrevista coletiva de sua mansão na Flórida, enquanto em Washington o Congresso relembrará dos ataques de 6 de janeiro de 2021.

E afirmou: "Lembre-se que a insurreição aconteceu no dia 3 de novembro", dia das eleições presidenciais que o republicano afirma, sem a menor prova, ter vencido. De acordo com as pesquisas, a maioria dos apoiadores republicanos também pensa assim. 

Trump, que perdeu as eleições de 2020 por mais de sete milhões de votos para o democrata Biden, não pretende ser discreto, apesar da investigação parlamentar que tenta esclarecer se ele e seu entorno desempenharam algum papel neste ataque que chocou os Estados Unidos.

Muito pelo contrário: o ex-presidente busca uma cisão no seu partido e afastar todos aqueles que não apoiam o seu discurso de que as eleições foram roubadas. 

"Pode-se dizer que o comportamento de Trump não tem precedentes na história americana. Nenhum ex-presidente tentou tanto desacreditar seu sucessor e o processo democrático", avalia Carl Tobias, professor de direito da Universidade de Richmond.

Resta saber sobre o que Biden falará nesta quinta-feira no Capitólio, local onde milhares de apoiadores de seu adversário republicano tentaram impedir que o Congresso certificasse a eleição presidencial.

Biden insiste em que a democracia americana está em um "ponto de inflexão" e que ele pode salvá-la.

"O presidente falará sobre o trabalho que ainda resta a fazer para garantir e fortalecer a nossa democracia e nossas instituições, para rejeitar o ódio e as mentiras que vimos em 6 de janeiro, para unir o país", declarou nesta terça-feira a porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki.

Desde que foi eleito, Biden relutou em enfrentar o "outro", fórmula usada pelo presidente democrata e pela Casa Branca para evitar nomear quem, talvez, terá que se enfrentar novamente nas eleições de 2024.

Oficialmente, Biden pretende concorrer novamente e o republicano dá a entender que considera a possibilidade. 

Para Lara Brown, professora de ciência política da George Washington University, "o presidente e a vice-presidente (Kamala) Harris não podem entrar neste campo de 'ataque verbal direto' porque eles não querem dar a impressão de uma 'caça às bruxas'" orquestrada pela Casa Branca, como Trump costuma dizer.

  "Ingênuo" 
"A administração Biden acreditava que, tomando decisões políticas corretas, tudo isso desapareceria, mas acho que isso é ser ingênuo", completou.

Segundo Biden, a melhor forma de enfrentar Trump seria reconciliar a classe média americana com a democracia representativa, garantindo empregos, poder de compra e serenidade diante da globalização. 

Mas o presidente demora a alcançar os resultados esperados: os Estados Unidos sofrem uma nova onda da pandemia, suas reformas sociais estão paralisadas no Congresso, o custo de vida está aumentando... 

Rachel Bitecofer, uma estrategista próxima ao campo democrata, acredita que Biden deveria enfrentar Trump e o Partido Republicano de forma mais direta. 

Diante de um Trump que acaba de endossar o líder húngaro ultraconservador Viktor Orban em um comunicado, "devemos ser muito francos sobre o que isso significa", diz. 

É, segundo Bitecofer, uma forma do ex-presidente transmitir "o que ele quer para os Estados Unidos e não é um futuro democrático". 

Mas "há relutância em reconhecer o quão forte é o ataque da direita à democracia", diz ela. 

"As ameaças atuais contra a democracia são reais e preocupantes", diz Carl Tobias, mas "os Estados Unidos superaram crises muito mais perigosas, especialmente a Guerra Civil".
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