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PANDEMIA

Hospitalizações pediátricas aumentam com a ômicron nos EUA, sem ser mais graves

Por: AFP

Publicado em: 31/12/2021 10:51

 (Foto: Bryan R. Smith / AFP)
Foto: Bryan R. Smith / AFP
As hospitalizações pediátricas por covid-19 bateram um recorde nos Estados Unidos, com cada vez mais crianças afetadas pela variante ômicron.

Mas, enquanto os especialistas estão preocupados e enfatizam a intensificação da vacinação infantil, os primeiros indícios sugerem que a taxa de doenças graves da nova variante pode ser menor que as anteriores e que seu caráter extremamente contagioso está por trás do aumento acelerado de casos.

Números crescentes
 
De acordo com a Academia Americana de Pediatria, quase 199.000 crianças foram infectadas com covid-19 na semana encerrada em 23 de dezembro, a última para a qual há dados disponíveis, um aumento de 50% nos números desde o início do mês.

A única outra faixa etária em que as hospitalizações atingiram novo pico é na faixa etária de 18 a 29 anos. No entanto, a proporção de casos graves ainda é muito menor, em termos absolutos, em comparação com as faixas etárias mais velhas.

Um total de 803 mortes por covid-19 de pessoas com entre 0 e 18 anos foram registradas nos Estados Unidos de um total de mais de 820 mil desde o início da pandemia. 

Pesquisas realizadas em Hong Kong, baseadas em testes de laboratório com amostras de tecido, mostram que a ômicron se replica até 70 vezes mais rápido nos brônquios, as vias aéreas que levam aos pulmões, em comparação com a delta, o que pode ajudar a explicar sua rápida disseminação pela população. 

"Acho que, a esta altura, é um jogo de números", disse à AFP Jim Versalovic, patologista e imunologista do Texas Children's Hospital, o maior hospital infantil dos EUA.

"Com base no que temos até agora, a ômicron não está causando infecções mais sérias, mas está infectando muito mais crianças. E, portanto, estamos vendo mais crianças hospitalizadas", acrescentou. 

Em todo o caso, parece haver uma proporção maior de casos pediátricos leves relacionados à ômicron, uma tendência semelhante à observada em adultos.

Sua leveza relativa pode ser explicada pelo mesmo estudo de Hong Kong, que mostrou que a ômicron se replica 10 vezes mais lentamente nos pulmões do que a delta. Um estudo em hamsters da Universidade de Tóquio também confirmou isso. 

Mas "mesmo que haja uma pequena porcentagem de crianças que teriam uma doença grave, uma pequena porcentagem de um grande número é um grande número", advertiu à AFP Henry Bernstein, pediatra do sistema hospitalar Northwell Health em Nova York.

Quanto ao motivo pelo qual a taxa de casos e, consequentemente, de hospitalizações está aumentando mais rapidamente nas faixas etárias mais jovens, vários são os fatores que podem explicá-lo. 

O assessor médico do presidente Joe Biden, Anthony Fauci, disse a repórteres esta semana que "muitas crianças estão hospitalizadas com covid, e não por causa da covid". 

Em outras palavras, uma vez que os hospitais testam rotineiramente todos os internados, eles estão detectando infecções por coronavírus coincidentes.

A taxa de vacinação também é menor entre as crianças de 5 a 11 anos, que foram o último grupo elegível em novembro.

De acordo com dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), apenas 15% desse grupo está totalmente vacinado, em comparação com 84% dos maiores de 12 anos.

Vacinação recomendada
 
A mensagem para os pais, de acordo com Versalovic, é que "não há tempo a perder para se vacinar", e isso se aplica a toda a família, incluindo adultos, que podem infectar seus filhos, acrescentou Bernstein.

De fato, os adolescentes internados no hospital Versalovic são "quase todos não vacinados". 

O objetivo da vacinação de crianças pequenas foi reforçado por um novo relatório dos CDC divulgado na quinta-feira, que apontou que efeitos colaterais graves eram extremamente raros em crianças de 5 a 11 anos.

Os temidos casos de inflamação do coração ocorreram com ainda menos frequência do que em homens com idades entre 12 e 29 anos.

Apenas os menores de 0 a 5 anos ainda não se qualificam para as vacinas, com expectativa de autorização nos próximos meses. 

Versalovic acrescentou que também há razões para acreditar que o pico pode diminuir muito rapidamente nas próximas semanas, como aconteceu na África do Sul.
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