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MÚMIA

Com mais de 3.500 anos, múmia egípcia é desembrulhada digitalmente

Publicado em: 29/12/2021 08:17

 (Foto: S. Saleem and Z. Hawass/Divulgação)
Foto: S. Saleem and Z. Hawass/Divulgação
Diz a lenda que uma maldição pode recair sobre quem ousar abrir sarcófagos e alterar o conteúdo dos túmulos. Mas essa história antiga replicada em livros e filmes pode deixar de ser preocupação entre pesquisadores mais supersticiosos. Graças ao auxílio da tecnologia, cientistas do Egito conseguiram desvendar os segredos de uma múmia sem precisar remover as suas bandagens. Eles recorreram à tomografia computadorizada tridimensional para "desembrulhar digitalmente" os fósseis de Amenhotep I, que viveu há mais de 1.500 anos antes de Cristo. Os segredos do faraó foram revelados na última edição da revista Frontiers in Medicine.

No artigo, os cientistas relatam que uma série de múmias encontradas nos séculos 19 e 20 já foram abertas para estudo. Com uma exceção: os egiptólogos nunca foram ousados o suficiente para tocar no faraó Amenhotep I. Os pesquisadores preferiram preservar o artefato, que estava perfeitamente embrulhado, decorado com guirlandas de flores e com o rosto e o pescoço cobertos por uma máscara facial. "O fato de a múmia de Amenhotep I nunca ter sido desembrulhada nos tempos modernos nos deu uma oportunidade única: avaliar, com precisão, o seu processo de sepultamento", afirma, em comunicado, Sahar Saleem, professora de radiologia da Faculdade de Medicina da Universidade do Cairo e uma das autoras do estudo.

Por meio das imagens computadorizadas, os pesquisadores observaram que o filho de Ahmose Nefertari e de Ahmose I foi o primeiro a ser mumificado com os braços cruzados e o último cujo cérebro não foi retirado do crânio no momento da mumificação. "Mostramos que Amenhotep I tinha aproximadamente 35 anos quando morreu, cerca de 1,69cm de altura, era circuncidado e tinha bons dentes. Ele também usava 30 amuletos e um cinto de ouro. Suas entranhas foram removidas, mas não o cérebro e o coração", detalha Saleem.

A análise também revelou que a múmia descoberta em 1881, em Luxor, cidade localizada na margem oriental do Rio Nilo, não apresentava lesões ou doenças. "Amenhotep I deve ter sido parecido fisicamente com o pai. Ele tinha queixo estreito, nariz pequeno e estreito, cabelo encaracolado e dentes superiores levemente protuberantes. Não conseguimos encontrar quaisquer feridas ou desfiguração devido a alguma doença que justificasse a causa da morte", conta.

Restaurações
 
Amenhotep I foi o segundo faraó da 18ª dinastia do Egito, depois de seu pai, Ahmose I, e governou o Egito durante a época de ouro. Após sua morte, ele e a mãe foram adorados como deuses. O corpo do faraó passou por restaurações, e acredita-se que essas "reformas" teriam acontecido para reutilizar o material em outros mortos de renome. As novas análises, porém, contrariam essa teoria. "Nós mostramos que, pelo menos para Amenhotep I, os sacerdotes repararam os ferimentos infligidos por ladrões de tumbas, restauraram a múmia à sua antiga glória e repuseram joias e amuletos", detalha Saleem.

Agora, os pesquisadores pretendem usar a mesma técnica, que reduz o risco de danos, para analisar outros artefatos egípcios. Com a mesma técnica, os autores do estudo resolveram, em 2012, um crime de 3 mil anos. Eles descobriram a verdade sobre a "conspiração do harém". Recorrendo aos raios X e à análise de DNA, provaram que Ramsés III teve a garganta cortada durante conspiração organizada por uma de suas esposas, que queria colocar seu filho no trono, em vez do primogênito de uma das rivais.
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