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Ex-presidente da França é condenado a um ano de prisão domiciliar

Publicado em: 01/10/2021 07:23

 (Foto: François Lo Presti/AFP)
Foto: François Lo Presti/AFP
Entre 2007 e 2012, Nicolas Sarkozy, 66 anos, foi o homem mais poderoso da França. Ontem, ele se tornou o primeiro ex-presidente da Quinta República a ser condenado pela Justiça a um ano de detenção por financiamento ilegal de campanha. A presidente do tribunal, Caroline Viguier, determinou que a sentença deverá ser cumprida como prisão domiciliar. Sarkozy, que não compareceu à Corte, será obrigado a utilizar uma pulseira eletrônica 24 horas por dia. De acordo com Viguier, o ex-chefe de Estado gastou 42,8 milhões de euros (ou R$ 2,694 milhões na cotação atual) — quase o dobro do limite de despesas autorizado por lei. No caso, conhecido como “Bygmalion”, a Justiça impôs pena máxima e o dobro do que a Promotoria havia solicitado, em junho passado.

Ao ler o veredicto, a juíza declarou que Sarkozy “continuou com a organização de comícios, apesar de advertências por escrito sobre o risco de superar” o limite legal de gastos. “Não era sua primeira campanha. Já tinha experiência como candidato”, lembrou Viguier. Na saída do tribunal, Thierry Herzog, advogado do ex-presidente, anunciou que recebeu um telefonema do cliente, o qual lhe pediu que recorresse da decisão. “Farei isso imediatamente”, avisou a jornalistas.

Por volta das 20h de ontem (15h em Brasília), Sarkozy se pronunciou sobre a prisão, por meio de um comunicado publicado em seu perfil no Twitter. “Quero agradecer, do fundo do coração, a todos aqueles que quiseram demonstrar sua amizade, após eu ser condenado por ter ultrapassado o limite de minhas contas de campanha. (…) Seu apoio constante, leal e corajoso me dá força para continuar essa luta tão necessária em busca da verdade e da justiça”, escreveu. “Estou simplesmente pedindo que a lei seja aplicada a mim como a qualquer litigante. No entanto, isso foi mais uma vez ignorado. (…) Você não pode ser sancionado duas vezes pelos mesmos fatos. Esta é a razão pela qual apelei. Vou até o fim nesta busca, que vai além do meu caso pessoal, porque todo mundo pode se deparar um dia com uma injustiça.” Durante o julgamento, Sarkozy chegou a dizer que todo o processo contra ele “é um conto”. “Eu gostaria que explicassem o que fiz a mais na campanha em 2012 do que em 2007. É falso!”, completou.

“A sentença não é definitiva, pois os advogados de Sarkozy avisaram que entrarão com uma apelação. No entanto, é algo bastante duro para os padrões da França, tanto pelo fato de ele ser um ex-presidente, quanto por este ser um caso de financiamento ilegal de campanha — obviamente, um crime”, afirmou ao Correio Jean-Yves Camus, cientista político do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (Iris), em Paris. “Certamente, Sarkozy não é a única pessoa a exceder os limites de financiamento. Nós, franceses, temos sido mais lenientes em relação a esse tema do que os países nórdicos e a Alemanha.”

Em 1º de março passado, o ex-líder francês também foi condenado a um ano de prisão por tentar influenciar um juiz quando ocupava o Palácio do Eliseu, em um caso que incluiu os crimes de corrupção e tráfico de influência. A defesa evitou a prisão de Sarkozy e também apelou da sentença. No caso Bygmalion, Sarkozy teria ocultado o excesso de despesas de campanha em um arranjo financeiro entre o então partido governista União por um Movimento Popular (UMP) — atualmente Os Republicanos — e a empresa que organizou os comícios do ex-presidente, a Bygmalion. Outros 13 réus foram condenados a penas entre dois a três anos e meio de prisão pelo “sistema de cobrança dupla”.

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“A nova sentença imposta a Sarkozy não destrói seu legado político, nem mesmo sua popularidade entre os conservadores. Eles o respeitam porque Sarkozy realmente incorporou seus valores e foi um líder respeitado, enquanto, hoje, os republicanos estão divididos e não têm uma espinha dorsal ideológica. É óbvio que o candidato que Sarkozy apoiar durante a campanha para as eleições presidenciais de 10 de abril de 2022 receberá um impulso desse suporte.” Jean-Yves Camus, cientista político do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (Iris), em Paris.
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