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Veja sete pontos do discurso de Bolsonaro que são diferentes da realidade

Publicado em: 22/09/2021 07:27

 (Foto: AFP)
Foto: AFP
O discurso de Jair Bolsonaro na abertura da 76ª Assembleia Geral das Nações Unidas trouxe elementos que não exatamente correspondem à realidade do país. Temas como corrupção, credibilidade ante a comunidade internacional, recuperação econômica, preservação da Amazônia e mesmo o tamanho dos atos que convocou a favor do seu governo — cujas pautas pediam, entre outras coisas, a desobediência a decisões do Supremo Tribunal Federal e o “enquadramento” de ministros da Corte — foram tratados pelo presidente de maneira positiva.

Veja a seguir o que é versão e o que é realidade.

Versão — “Estamos há dois anos e oito meses sem qualquer caso concreto de corrupção”.
Fato — Há dois inquéritos em andamento na Polícia Federal que investigam eventuais atos de corrupção por atuais e ex-integrantes do governo federal — um deles envolve o ex-ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que supostamente favoreceu a exportação ilegal de madeira da Amazônia. Além disso, a CPI da Covid investiga um possível caso de corrupção no contrato de compra da vacina Covaxin, produzida na Índia pelo laboratório Bharat Biotech. E mesmo não sendo integrante do governo, o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) responde a processo no caso das rachadinhas.

Versão — “Apresento, agora, um novo Brasil com sua credibilidade já recuperada. Meu governo recuperou a credibilidade externa e, hoje, se apresenta como um dos melhores destinos para investimentos”.
Fato — O Brasil ainda está longe das primeiras posições quando o assunto é confiabilidade de investidores estrangeiros. Segundo o Índice de Confiança do Investimento Estrangeiro Direto de 2021 da Kearney, o Brasil é o 24º entre os 25 países que mais atraem capital estrangeiro.

Versão — “No último 7 de Setembro, data de nossa Independência, milhões de brasileiros, de forma pacífica e patriótica, foram às ruas, na maior manifestação de nossa história”.
Fato — Apesar de não ter relatado que as manifestações pediam o fechamento do Supremo Tribunal Federal e, em alguns casos, a implantação de uma ditadura, nos registros das manifestações a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em 2016, estima-se que pelo menos 3 milhões de pessoas participaram dos atos. Além disso, em 1984, o último comício das Diretas Já — que pedia o retorno das eleições diretas para presidente da República — atraiu, no mínimo, 1,5 milhão de pessoas ao Vale do Anhangabaú, em São Paulo.

Versão — “Como demonstrado, o Brasil vive novos tempos. Na economia, temos um dos melhores desempenhos entre os emergentes”.
Fato — Considerando a queda de 0,1% no Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2021, o Brasil teve um dos piores desempenhos entre 48 países que também divulgaram informações sobre o resultado da produtividade das suas economias, entre abril e junho deste ano. Segundo informações compiladas pela Austin Rating, o Brasil ficou na 38ª posição.

Versão — “Na Amazônia, tivemos uma redução de 32% do desmatamento no mês de agosto, quando comparado a agosto do ano anterior”.
Fato — Dados do Imazon apontam que, em agosto, a área desmatada foi 7% maior que o mesmo mês do ano anterior. Além disso, de janeiro a agosto de 2021, cerca de 7.715 km² foram desmatados, sendo 48% maior que o mesmo intervalo em 2020.

Versão — “Concedemos um auxílio emergencial de US$ 800 para 68 milhões de pessoas em 2020”.
Fato — Bolsonaro deu a entender que esse seria o valor mensal, quando, na verdade, trata-se da somatória das parcelas pagas até dezembro. Considerando os pagamentos de quem começou a receber em abril do ano passado, no total foram cinco depósitos de R$ 600 e outros quatro de R$ 300, que correspondem a aproximadamente US$ 788.

Versão — “As medidas de isolamento e lockdown deixaram um legado de inflação, em especial nos gêneros alimentícios no mundo todo”.
Fato — Segundo especialistas da área econômica, o que tem empurrado a inflação no Brasil são os preços dos alimentos, combustíveis e da energia elétrica. 

Imprensa registra posições polêmicas
Diário de Notícias (Portugal) – Na concepção do jornal lisboeta, o discurso do presidente foi considerado “radical” e negacionista em relação a pandemia de covid-19. “O presidente do Brasil voltou a defender o tratamento precoce e a atacar o isolamento no combate à pandemia, contradizendo a Organização Mundial da Saúde”, foi a manchete.

The Guardian (Inglaterra) – Tratou Bolsonaro como uma figura com atitudes “polêmicas” durante a pandemia, que se recusou a tomar a vacina e fez propaganda do “tratamento precoce” — que, comprovadamente, não faz efeito algum contra a covid-19. Ressaltou, ainda, a contradição no discurso do presidente, salientando que seu governo apoia a vacinação, mas não concorda com o passaporte de vacinas.

Clarín (Argentina) – Destacou que Bolsonaro tentou atingir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva — à frente do presidente em todas as pesquisas eleitorais para a disputa ao Palácio do Planalto, em 2022 — ao dizer que o Brasil estava à “beira do socialismo”.

The New York Times (Estados Unidos) — Para um dos mais influentes jornais do mundo, o discurso de Bolsonaro surpreendeu pela “defesa do uso de medicamentos ineficazes contra o coronavírus”. Chamou-o, ainda, de “presidente de extrema-direita”. Além disso, o diário observou que “Bolsonaro minimizou repetidamente a ameaça que o vírus representava, criticou as medidas de isolamento e foi multado por se recusar a usar máscara na capital”.

El País (Espanha) – De acordo com o diário madrilenho, “havia expectativa de um discurso mais moderado, o que não aconteceu.” Para o jornal, Bolsonaro foi “fiel às suas posições negativas” ao atacar as medidas de restrição para combater a covid-19.

CNN (Estados Unidos) – A emissora qualificou o discurso de Bolsonaro de “desafiador, mas isolado”. Segundo a reportagem publicada no site, o presidente brasileiro apresentou um Brasil “muito diferente do país devastado pelo coronavírus”.

Bloomberg (Estados Unidos) – O site salientou que “Bolsonaro, que até agora se recusou a receber a vacina contra a covid-19, disse que (...) as medidas restritivas adotadas pelos governadores durante a pandemia foram responsáveis pelas altas taxas de desemprego e inflação do país”.

The Washington Post (Estados Unidos) – O site do jornal disse que ele parece ter quebrado o “sistema de honra” das Nações Unidas para a vacinação — ou seja, conseguiu que mesmo sem estar vacinado, participasse da cerimônia. Mesmo assim, dentro do prédio da ONU usou máscara de proteção — algo que ele sempre combate nas lives das quintas-feiras.
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