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CHINA

Dos jogos às aulas, China quer juventude na rédea curta

Por: AFP

Publicado em: 29/09/2021 10:29

 (Foto: GREG BAKER / AFP)
Foto: GREG BAKER / AFP
Música, jogos online, reality shows, ou aulas particulares. Todos estão na mira do poder chinês, que quer levar sua juventude na rédea curta e reimpor seus valores em contraposição a uma suposta decadência moral de origem estrangeira.

Em uma série de medidas contundentes, o regime comunista tem atuado para ordenar o que considera os excessos do entretenimento moderno e instou as plataformas sociais a promoverem conteúdo patriótico.

Assim, limitou drasticamente o tempo que os menores podem dedicar aos videogames, mas também acabou com a lucrativa indústria dos cursos de reforço escolar, em ações justificadas em nome da saúde pública e da igualdade.

Muitos analistas interpretam essas mudanças, porém, como uma estratégia para reformar uma juventude cada vez mais distante dos valores tradicionais, socialistas e nacionalistas defendidos pelo presidente Xi Jinping desde que ele assumiu o poder em 2012.

"Essa é uma política deliberada que visa a reforçar o controle ideológico da população", diz Cara Willis, especialista em mídia da Universidade A&M, do Texas.

Agora, por exemplo, é ilegal pagar um professor de inglês que ensina o idioma a partir dos Estados Unidos. Essa janela para o mundo exterior está fechada.

Também no radar de Pequim estão conteúdos "vulgares" veiculados na televisão e nas redes sociais, convocadas a privilegiar os valores "patrióticos".

Transmissões de reality shows inspiradas na cultura pop japonesa e sul-coreana, algumas novelas e, acima de tudo, astros da música com aparência excessivamente feminina desapareceram dos lares chineses.

Xi na escola
Em meio à crescente tensão com o Ocidente, Pequim promove uma visão com mais testosterona do homem chinês, personificado no "lobo guerreiro", os heróis musculosos dos filmes de ação que causaram sensação nos cinemas.

Alguns meios de comunicação encontraram um culpado: a influência estrangeira.

O jornal nacionalista Global Times vê na suposta baixa virilidade dos astros do Leste Asiático uma trama da CIA.

Antes da Segunda Guerra Mundial, relembra o veículo chinês, a Agência Central de Inteligência americana quis se infiltrar no setor de entretenimento do Japão para promover artistas "afeminados" e enfraquecer a imagem dos homens japoneses. Essa estratégia, acrescenta o Global Times, seria posteriormente replicada na Coreia do Sul e na China.

Altman Peng, especialista em representação sexual na mídia da Universidade de Newcastle (Reino Unido), observa no poder chinês "um temor pela prosperidade futura do país ligada à qualidade das novas gerações".

O Partido Comunista se sente ameaçado por um mundo de entretenimento "que oferece uma alternativa à sua orientação ideológica", observa o sinologista Steve Tsang, da Universidade SOAS, de Londres.

Poucos ousam se opor aos desejos do regime. Centenas de programadores de videogame se comprometeram a vetar conteúdo "politicamente prejudicial", ou que promova "o culto ao dinheiro".

O controle da informação e do entretenimento não é novidade na China comunista, que, no passado, censurava quem usava brincos, tatuagens, ou letras de rap.

Desta vez, Pequim encontrou um modelo diferente para sua juventude: o próprio presidente Xi, cujo "pensamento" se encontra no programa acadêmico das escolas primárias.

"Escapar ao controle"
O poder não está conseguindo, porém, convencer os jovens a garantir o futuro do país.

Embora agora os casais possam ter até três filhos, esta liberalização anunciada em maio passado foi recebida com sarcasmo por pais afogados pelos altos custos do aluguel e da educação.

Em relação aos videogames, os jovens já encontraram uma maneira de contornar as limitações das horas de jogo: tirando-as de usuários adultos.

"A geração da Internet sempre encontra uma maneira de escapar do controle e do poder dos pais", diz Altman Peng.

Su, de 21 anos, fã de reality shows, reconhece que as novas regras "podem fazer bem a alguns adolescentes imaturos".

"Mas eu sou adulta e posso decidir por mim mesma", afirmou a jovem, na conversa com a AFP, preferindo não revelar seu nome completo.

"Esse tipo de regras que eles impõem a todos nós não favorece a diversidade", conclui.
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