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Peru: pedido de prisão de Keiko Fujimori eleva a tensão política

Publicado em: 11/06/2021 10:45

Keiko Fujimori desafiou o promotor anticorrupção José Domingo Pérez, depois de ele pedir a prisão preventiva imediata da ex-deputada e candidata à Presidência do Peru pelo partido de direita Fuerza Popular. Pérez solicitiou a medida ao juiz Victor Zúñiga Urgay, sob a acusação de que Keiko teria se comunicado com uma testemunha no processo na qual é investigada por crimes de corrupção envolvendo a empreiteira brasileira Odebrecht. “Em um quarto pedido de prisão preventiva, como sempre, eu dei a cara, e é assim a minha história ao longo de tantas investigações. O procurador José Domingo Pérez sabe perfeitamente onde moro, por isso, seguirei com minhas responsabilidades, sem me distrair com esse tipo de pedido absurdo, arbitrário e sem fundamento”, declarou, em entrevista coletiva. O documento assinado por Pérez traz a foto de Keiko ao lado da testemunha em questão, Miguel Angel Torres Morales, apresentado como advogado e porta-voz do Fuerza Popular.

Até o fechamento desta edição, o esquerdista Pedro Castillo, do partido Perú Libre, mantinha a liderança na apuração. Com 99,356% das urnas apuradas, ele tinha 50,189% dos votos (8.807.813), enquanto Keiko aparecia com 49,811% (8.741.651) — diferença de 66.612 votos ou 0,378%. Em entrevista ao Correio, o peruano José Rodolfo Naupari Wong, especialista em direito eleitoral, explicou que, ante a provável derrota de Keiko no segundo turno, o alto risco de fuga levou Pérez a decidir pelo pedido de prisão preventiva. “Keiko solicitou a anulação dos resultados de 802 seções eleitorais. Isso terá que ser resolvido pela Justiça Eleitoral, em segunda instância. Acho que o requerimento do procurador somente será apreciado depois da solução das atas impugnadas e dos 802 pedidos de anulação”, comentou.

“O juiz terá que aguardar para proferir sua decisão, pois a diferença entre Castillo e Keiko Fujimori é de cerca de 70 mil votos. A impugnação incluiria 802 seções eleitorais, com 200 mil votos. Nada está definido eleitoralmente, e este será um forte argumento de Keiko pela rejeição do pedido de José Domingo Pérez”, disse Naupari, na noite de ontem. Ele não descarta que o Fuerza Popular tente adiar ao máximo a proclamação dos resultados para evitar a prisão da ex-deputada.

Para Oscar Vidarte, cientista político da Universidad Católica de Peru, a atitude do promotor “complica ainda mais o cenário eleitoral”. “Pérez advertiu que Keiko não pode se reunir com testemunhas. Uma das advogadas da candidata classificou o suposto encontro com a testemunha como uma inverdade. Muitos especialistas entendem que parte do interesse de Keiko pela vitória nas eleições está no processo judicial. Se for eleita presidenta, o julgamento terá que se interrompido”, afirmou ao Correio.

Vidarte concorda que as denúncias de fraude não têm muita chance de prosperar. “É provável que a decisão final se arraste por vários dias e polarize ainda mais o país”, avaliou, ao destacar que a transparência do processo eleitoral foi evidente, com a presença de observadores internacionais. “Essa polarização pode chegar à violência e a enfrentamentos.” O cientista político não vê motivos para a anulação das atas eleitorais. “Acredito que a vitória de Castillo será assegurada.” Ontem, Piero Corvetto, chefe do Escritório Nacional de Processos Eleitorais, assegurou que o segundo turno foi “seguro, tranquilo, limpo e transparente”.

Reconhecimento
O presidente argentino, Alberto Fernández, foi o primeiro mandatário a reconhecer a eleição de Castillo. “Hoje, conversei com Pedro Castillo, presidente eleito do Peru. Eu expressei meu desejo de que unamos esforços em favor da América Latina. Somos nações profundamente irmanadas. Celebro que o querido povo peruano enfrente o futuro em democracia e com solidez institucional”, escreveu no Twitter. No Brasil, os ex-presidentes Dilma Rousseff e Luiz Inacio Lula da Silva também enviaram mensagens de felicitação ao peruano. Dilma disse que “a vitória sobre a extrema direita é um alento para as forças progressistas latinoamericanas”. Lula, por sua vez, afirmou que “o resultado das urnas peruanas é simbólico e representa mais um avanço na luta popular em nossa querida América Latina”.
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