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Consequências do Brexit começam a ser sentidas na Europa

Por: AFP

Publicado em: 06/01/2021 15:39

 (Foto: CHRIS J RATCLIFFE / AFP)
Foto: CHRIS J RATCLIFFE / AFP
Prateleiras vazias em um famoso supermercado britânico em Paris, ingleses sem acesso às suas séries preferidas na Espanha, complicações fiscais...

Os problemas no fluxo de bens e serviços começam a ser sentidos alguns dias após o Brexit.

Problemas de abastecimento
O acordo concluído entre Londres e Bruxelas não prevê taxas ou impostos alfandegários, mas acabou com a livre circulação de bens entre os países da União Europeia (UE) e do Reino Unido, exceto entre Espanha e Gibraltar, e entre Irlanda do Norte e República da Irlanda.

Com as novas formalidades, as complicações do acordo começam a ser sentidas. Na sexta-feira passada, por exemplo, seis cargas foram rejeitadas no porto de Holyhead, no País de Gales, porque aparentemente não estavam de acordo com a regra.

A Irlanda do Norte possui disposições alfandegárias específicas. No entanto, os produtos agroalimentares que chegam do Reino Unido exigem novas formalidades e controles, o que parece causar alguns problemas.

"Alguns de nossos produtos não estão disponíveis temporariamente para nossos clientes na Irlanda do Norte, no aguardo da confirmação dos acordos transfronteiriços", declarou um porta-voz da rede de supermercados Sainsbury's. "Estamos trabalhando para voltar logo à nossa oferta completa habitual".

Na França, foram notados problemas no fornecimento de alimentos nas icônicas lojas britânicas Marks & Spencer na terça-feira devido às novas regras de exportação entre Reino Unido e UE. 

IVA complica os envios 
Alguns varejistas europeus também enfrentam dificuldades para comercializar seus produtos no Reino Unido devido a uma mudança nas normas do IVA.

Com o início do Brexit em 1º de janeiro de 2021, são exigidas declarações alfandegárias para todos os pacotes que transitam entre Reino Unido e UE. Os bens enviados estão sujeitos ao IVA. Além disso, para os bens enviados pelos comerciantes diretamente aos consumidores no Reino Unido, com valor inferior a 135 libras esterlinas (183 dólares), o remetente deve pagar o IVA britânico. Acima desse valor, quem paga é o destinatário. 

Sendo assim, muitos comerciantes precisam revisar seus procedimentos e as transportadoras repercutem os novos custos. Por exemplo, a especialista em envios DHL cobra agora uma "sobretaxa Brexit" de 0,25 euro por quilo de mercadoria enviada. 

"Em nível europeu, contratamos 1.000 pessoas a mais para lidar com as formalidades relacionadas ao Brexit, o que é bastante significativo", disse à AFP Philippe Prétat, responsável do DHL França.  

"Streaming" limitado
Outro problema que surgiu é que os ingleses que viajam para países da UE, ou que por exemplo tenham uma segunda residência onde passam o inverno, como é geralmente o caso na Espanha, não podem mais continuar assistindo suas séries favoritas no "streaming".

Assinantes dos serviços da  Amazon Prime e dos canais do grupo Sky TV tinham, até agora, acesso aos seus programas quando viajavam dentro da UE, devido às regras europeias que estabelecem um mercado digital único. 

Duty free? 
No entanto, algumas personas preferem ver o copo meio cheio. 

Na Itália, por exemplo, não foi observada até agora nenhuma complicação comercial. Para Marcello Minenna, diretor-geral da Agência de Alfândega e Monopólios, o Brexit pode, inclusive, "ser uma oportunidade para tornar o sistema alfandegário italiano ainda mais eficaz".

Já a prefeita da cidade de Calais (extremo norte da França), Natacha Bouchart, deseja estabelecer um sistema de "duty free" em toda a "cidade fronteiriça" para apoiar as empresas e atrair novos visitantes.
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