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Peru, uma permanente montanha-russa de agitação política

Por: AFP

Publicado em: 16/11/2020 17:37

 (Foto: Peruvian Congress / AFP)
Foto: Peruvian Congress / AFP
O Congresso peruano elegeu nesta segunda-feira (16) o parlamentar de centro Francisco Sagasti como novo presidente do país - o terceiro a ocupar o cargo em uma semana.  

Sagasti sucederá o interino Manuel Merino, que renunciou no domingo, depois da morte de duas pessoas na violenta repressão policial aos protestos de rua contra ele. 

Merino foi o terceiro presidente a cair em menos de três anos.  

Confira a seguir um resumo da montanha-russa das crises políticas que sacodem o Peru há duas décadas. 

Fujimori foge 
Em novembro do ano 2000, o Congresso destitui por "incapacidade moral" o presidente Alberto Fujimori, eleito dez anos antes e acusado de corrupção. 

Ele tinha fugido para o Japão na véspera de sua destituição e enviou sua carta de demissão por fax. 

Fujimori foi, em seguida, extraditado pelo Chile ao Peru e condenado a 25 anos de prisão por corrupção e crimes contra a humanidade enquanto estava no poder. 

Escândalo sexual
O líder opositor Alejandro Toledo vence as eleições de junho de 2001, para dar início a um um mandato marcado por crises. 

O Peru se vê paralisado por semanas de greves em 2003 e Toledo declara estado de emergência. 

Seu gabinete renuncia em junho de 2003 e em dezembro Toledo exige que todo o seu governo apague um escândalo sexual envolvendo sua primeira-ministra, Beatriz Merino. 

García de volta 
As eleições de 2006 devolvem o mandato ao ex-presidente Alan García, apesar das críticas ao seu mandato entre 1985 e 1990, marcado por uma inflação de quatro dígitos, insurgência da esquerda e corrupção descontrolada. 

Em outubro de 2008, o gabinete de García se demite para evitar uma resolução de censura sobre o outorgamento de concessões públicas à companhia petrolífera norueguesa Discover Petroleum. 

 A esquerda no poder 
O militar da reserva Ollanta Humala (esquerda) venceu por uma estreita margem Keiko Fujimori, filha do ex-presidente preso, no segundo turno das eleições presidenciais em junho de 2011.

Humala se torna, assim, o primeiro líder de esquerda a presidir o Peru em 36 anos.

O primeiro ano de Humala no poder é marcado por conflitos sociais, que deixam vários mortos, diante do que se declara estado de emergência em três ocasiões.

Em março de 2015, o Congresso destitui a chefe do Conselho de Ministros Ana Jara por acusações de que a agência de Inteligência espionou legisladores, jornalistas e líderes empresariais durante anos.

Investigações de corrupção 
Ex-banqueiro de Wall Street, Pedro Pablo Kuczynski, vence por uma estreita margem no segundo turno de junho de 2016 Keiko Fujimori, cujo partido de direita populista Força Popular consegue uma ampla maioria no Congresso.

Em março de 2017, procuradores ordenaram investigações sobre os vínculos de Kuczynski com um amplo escândalo político financeiro envolvendo a empreiteira brasileira Odebrecht, acusado de pagar milhões de dólares em propinas a funcionários públicos peruanos entre 2005 e 2014.

O presidente sobrevive a um julgamento político em dezembro de 2017, com o apoio dos legisladores, liderados por Kenji Fujimori, irmão mais novo de Keiko.

Três dias depois, Kuczynski indulta Alberto Fujimori. Milhares de pessoas protestam contra a decisão.

Em 21 de março de 2018, um dia antes de um segundo julgamento político, Kuczynski renuncia e é substituído por seu primeiro vice-presidente, Martin Vizcarra.

Suicídio e detenções
Em novembro de 2018, Keiko Fujimori é detida por denúncias de ter aceitado recursos ilícitos da Odebrecht para sua campanha eleitoral.

Em abril de 2019, o ex-presidente Alan García se suicida quando a polícia chega à sua residência para detê-lo por acusações de ter aceito propinas da Odebrecht, o que negou enfaticamente.

Em maio, Humala e sua esposa são acusados de suspeita de lavagem de ativos no âmbito do mesmo escândalo de corrupção.

Pouco depois, em julho, Alejandro Toledo é detido nos Estados Unidos a pedido de Lima, depois de denúncias de que também recebeu pagamentos ilegais contínuos deste esquema. Um pedido de extradição ao Peru deve ser decidido em breve.

Parlamento dissolvido 
Vizcarra dissolve o Parlamento em setembro, depois deste bloquear suas reformas anticorrupção e convoca eleições legislativas extraordinárias para janeiro de 2020.

Em resposta, o Congresso dissolvido vota pela suspensão de Vizcarra por um ano por "incapacidade moral". No entanto, milhares de peruanos vão às ruas de todo o Peru apoiá-lo e aplaudir a dissolução do Parlamento.

O Tribunal Constitucional afirma que a dissolução se ajustou à Carta Magna. O apoio ao fujimorismo desaba nas eleições de janeiro.

Vizcarra é acusado 
Vizcarra enfrenta dois julgamentos políticos. Sai vitorioso do primeiro em 18 de setembro de 2020, acusado de pressionar duas assessoras a mentir.

Mas é destituído no segundo julgamento, em 9 de novembro, acusado de ter recebido propina em 2014, quando era governador de Moquegua (sul), acusação que ele rejeita.

Durante seus 32 meses de mandato, Vizcarra manteve níveis recorde de popularidade.

Os dias de Merino 
Manuel Merino assume a Presidência no dia seguinte, mas renuncia em 15 de novembro depois que dois manifestantes morreram durante a repressão policial a uma grande marcha contra ele em Lima.

A polícia atirou munição não letal contra a multidão, ferindo uma centena de manifestantes. Ativistas de direitos humanos denunciam, ainda, que nove pessoas estão "desaparecidas" desde a marcha de 14 de novembro.

Em 16 de novembro, a procuradoria abre uma investigação contra Merino por "abuso de autoridade" e "homicídio doloso" pela morte dos dois manifestantes.

No mesmo dia, o parlamentar de centro Francisco Sagasti, de 76 anos, é eleito pelo Congresso o novo presidente do Peru, o terceiro a ocupar o cargo em uma semana, com o desafio de pôr um fim a uma crise política que levou milhares de cidadãos indignados às ruas.

Engenheiro e que trabalhou para o Banco Mundial, Sagasti foi eleito novo presidente do Congresso, mas precisa assumir automática e imediatamente como chefe de Estado, como prevê a Constituição.
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