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EUA decidem entre Trump e Biden em eleições sob forte tensão

Publicado em: 03/11/2020 20:13 | Atualizado em: 03/11/2020 20:55

 (Foto: Mandel Ngan, Jim Watson/AFP)
Foto: Mandel Ngan, Jim Watson/AFP
Reeleger o republicano Donald Trump ou optar pelo democrata Joe Biden? Dezenas de milhões de americanos comparecem às urnas nesta terça-feira, 3 de novembro, em uma eleição presidencial histórica marcada pela pandemia de covid-19, a crise econômica e uma profunda polarização. 

Um número inédito de votos antecipados já foi registrado - mais de 100 milhões, principalmente pelo correio - enquanto outros americanos corriam para as urnas, que dependendo do estado permanecerão abertas até 04h00 GMT da quarta-feira.

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Trump previu ter uma "chance muito grande de ganhar" durante uma entrevista por telefone à Fox News, na qual considerou como "terrível" e "perigoso" o fato de que milhões de votos por correspondência demorassem a ser contados, mas minimizou as afirmações de que planeja se declarar o vencedor antes do processo eleitoral se completar.  
"Acho que vamos ter uma vitória, mas apenas quando houver vitória", disse ele. "Não há motivos para jogos".

Enquanto Trump atacava seu rival e alertava sobre o risco de o país se tornar "socialista", Biden compareceu à missa em Wilmington, Delaware, onde reside. Naquela igreja a que ele vai todos os domingos estão os túmulos do seu filho Beau e de sua primeira esposa e filha, que morreram de forma trágica. 

"Hoje, vote por um novo dia nos Estados Unidos", tuitou o ex-senador de Delaware. 
Trump, de 74 anos, o primeiro presidente a tentar ser reeleito após ser absolvido do impeachment, aparece atrás nas pesquisas contra Biden, de 77 anos, que é pela terceira vez candidato à presidência. 

Em nível nacional, o ex-vice-presidente de Barack Obama apresenta 50,7% de pessoas o apoiando diante dos 44% do atual presidente, e tem uma liderança de 2,3 pontos percentuais em estados-chave para vencer a eleição, segundo a média das pesquisas feitas pelo RealClearPolitics. 

Mas, como Hillary Clinton há quatro anos, Biden pode ganhar o voto popular e perder a Casa Branca por não conseguir os 270 votos do Colégio Eleitoral necessários para vencer no sistema americano de sufrágio universal indireto. 

Trump conquistou 306 votos eleitorais em 2016 e previu nesta terça-feira que se sairia ainda melhor desta vez.

Estilos opostos 

Agora, a disputa está particularmente acirrada no Arizona, Flórida, Geórgia, Michigan, Carolina do Norte e Pensilvânia, onde os dois adversários concentraram seus esforços finais. 

"Faremos história novamente", afirmou Trump por volta da meia-noite de segunda-feira em Grand Rapids, Michigan, a mesma cidade industrial do meio-oeste onde encerrou sua campanha há quatro anos. 

Biden, que concentrou seus ataques à gestão de Trump sobre a covid-19, que já deixou mais de 231.000 mortos nos Estados Unidos, prometeu estabilidade e unidade. 

"Já tivemos caos suficiente! Já tivemos raiva, ódio, fracasso e irresponsabilidade suficientes", declarou o democrata em Cleveland, Ohio. 

"É hora de nos levantarmos e retomar nossa democracia", afirmou em Pittsburgh, na Pensilvânia, acompanhado pela cantora pop Lady Gaga. 

A discreta campanha de Biden, com comícios que aconteciam com o público dentro de seus carros e com incentivo ao uso de máscaras, contrastou com o ritmo frenético de Trump e suas massivas aglomerações sem distanciamento social e com muita parafernália vermelha com as iniciais do seu lema: "Make America Great Again".

Trump, que há um mês foi hospitalizado por causa da covid-19, e a primeira-dama Melania Trump, que também foi infectada, planejam uma festa na Casa Branca para aguardar os resultados. 

Além da presidência e da vice-presidência, os 435 assentos na Câmara dos Deputados serão escolhidos, onde se espera que os democratas mantenham e possivelmente aumentem a liderança. 

Além disso, cerca de um terço do Senado está na disputa, onde os republicanos correm o risco de perder sua maioria de 53-47. 

Estima-se que muitos dos votos antecipados são democratas, enquanto os republicanos esperam uma participação massiva na votação desta terça-feira.

Cidades blindadas

A possibilidade de que o país volte a ser azul democrata, ou permaneça vermelho republicano, aumenta o temor aos distúrbios sociais, depois das manifestações por vezes violentas contra o racismo que abalaram o país este ano. 

A capital Washington, como outras grandes cidades, amanheceu com suas lojas e escritórios fechados e as forças policiais em alerta máximo. 

Em uma postagem que o Twitter rotulou como conteúdo "enganoso", Trump disse que uma contagem lenta de votos na Pensilvânia poderia levar a "trapaça desenfreada e sem controle". "Também vai induzir violência nas ruas. Algo deve ser feito!", afirmou o republicano. 

Os hispânicos, a mais numerosa minoria étnica no país, estão inclinados a votar em Biden e seu voto pode ter impacto nos estados-chave, de acordo com especialistas do fundo educativo NALEO e a consultoria Latino Decisions.

As pesquisas mostram que Biden também lidera entre as mulheres suburbanas, a comunidade negra e os idosos. 

No entanto, Trump afirma ter conquistado o apoio de muitos eleitores em todas as minorias. 

O mundo inteiro acompanha de perto a eleição desta terça-feira, depois de um primeiro mandato de Trump marcado por relações tensas com aliados da OTAN, a retirada de Washington do Acordo do Clima de Paris e da Organização Mundial da Saúde, e a renúncia ao acordo nuclear com o Irã. 

O continente americano também observará o resultado diante do novo T-MEC que envolve o México e o Canadá, da sintonia dos Estados Unidos com o Brasil e do confronto com a Venezuela, Cuba e Nicarágua. 

A ligação da principal potência econômica com a China, abalada nos últimos quatro anos não só por razões comerciais - mas porque Trump culpa Pequim pela pandemia - preocupa o mundo inteiro. 

A Bolsa de Nova York começou o dia com forte alta, após uma semana com duras perdas.

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