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Contagem de votos na Geórgia deve confirmar vitória de Biden

Por: AFP

Publicado em: 19/11/2020 20:47 | Atualizado em: 19/11/2020 20:56

 (Foto: Jim Watson/AFP)
Foto: Jim Watson/AFP
O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, deverá confirmar sua vitória nesta quinta-feira (19) ao final da contagem de votos no estado da Geórgia, onde a descoberta de erros deu novo ímpeto às denúncias do presidente Donald Trump de fraude.

Advogado pessoal de Trump e porta-voz dessa cruzada, Rudy Giuliani repetiu durante uma entrevista coletiva polêmica as queixas do atual presidente, que se recusa a reconhecer a derrota nas urnas.

Em âmbito nacional, o ex-vice-presidente democrata Biden venceu as eleições de 3 de novembro com quase 80 milhões de votos, em comparação com pouco menos de 74 milhões de votos recebidos pelo bilionário republicano.

Mas, nos Estados Unidos, o presidente é eleito por um colégio eleitoral em que cada estado contribui com um certo número de delegados e, em alguns, Biden venceu por margem ínfima.

Na Geórgia, no momento, Biden está apenas 14.000 votos à frente de Trump, uma vantagem tão estreita que exigia uma recontagem manual. Espera-se que as autoridades locais deste estado publiquem os resultados finais da recontagem nesta quinta-feira.

"Pelo que vemos, o presidente Trump parece estar um pouco atrás", com cerca de 12.000 votos a menos, disse Gabriel Sterling, um dos funcionários republicanos encarregados de supervisionar as operações eleitorais, entrevistado pelo emissora Fox News.

Confusão
Sem esperar pelo resultado oficial, Trump, que denuncia eleições "fraudadas", reforçou as críticas à operação eleitoral no estado do sul dos Estados Unidos. Em uma série de tuítes matinais, o presidente discorreu sobre a descoberta de quase 6.000 votos em dois condados de maioria republicana.

Alguns haviam sido contados, mas não foram validados no sistema, enquanto outros parecem ter sido esquecidos em uma caixa, de acordo com as autoridades locais, que atribuíram os problemas a erro humano.

"Isso criou confusão e entendemos que as pessoas estão preocupadas", mas "a boa notícia é que a contagem serviu ao seu propósito" corrigindo esses erros, disse Sterling.

"Esperemos que o presidente Trump aceite o resultado", acrescentou, lamentando que "questionar" a eleição "enfraquece os fundamentos da democracia".

Se Biden for confirmado como vencedor na Geórgia, ele se tornará o primeiro candidato presidencial democrata a vencer neste estado em quase três décadas.

Mas, se a diferença ficar abaixo de 0,5%, Trump ainda pode exigir uma recontagem neste estado, foco de todas as atenções e onde o controle do Senado será disputado no dia 5 de janeiro em duas eleições para senador.

Vamos nos tornar uma Venezuela
Além da Geórgia, o presidente e seus aliados entraram com uma série de recursos na justiça de Pensilvânia, Michigan, Arizona e Nevada.

Alguns já foram negados pelos tribunais, outros retirados pelas partes interessadas, enquanto Giuliani segue na luta para manter vivos os recursos ainda estão sob análise da justiça. Esta semana, o ex-prefeito de Nova York testemunhou perante um juiz federal sem fornecer provas materiais.

Nesta quinta-feira, em coletiva de imprensa desconexa, Giuliani elaborou várias teorias da conspiração, com referências à Venezuela e ao filantropo George Soros por supostamente ter participado de uma fraude organizada por "líderes democratas" com a cumplicidade do próprio Biden.

"Vamos nos tornar uma Venezuela. Não podemos permitir que isso aconteça conosco. Não podemos permitir que esses criminosos, porque é isso que eles são, roubem a eleição do povo americano", disse Giuliani, referindo-se às urnas usadas na eleição.

Enquanto Giuliani discursava, Trump tuitou: "Meus advogados agora estão na @newsmax, @OAMM e talvez na @Fox", em referência a três emissoras de televisão conservadoras. "Um caso aberto e encerrado de fraude eleitoral. Em números massivos!", continuou.

Ligação do presidente
Outra polêmica surgiu em Michigan depois que uma membro do partido republicano e integrante do conselho de análise da eleição, que se recusou a certificar o resultado da votação em um condado fortemente democrata e depois reverteu sua decisão, disse na quinta-feira que Trump lhe havia telefonado.

"Recebi um telefonema do presidente Trump na terça à noite após a reunião", explicou ao The Washington Post. "Ele queria ter certeza de que eu estava bem", acrescentou ela, observando que não se sentiu pressionada a mudar seu voto.

Trump não tinha eventos em sua programação oficial na quinta-feira.

Biden, por sua vez, continua a se preparar para assumir a presidência, com a posse marcada para 20 de janeiro. Nesta quinta-feira, o democrata planejou encontrar-se com os governadores para discutir as medidas de resposta à pandemia da Covid-19, doença responsável por mais de 250.000 mortes nos Estados Unidos.
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