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Biden manterá a mesma pressão contra a China, mas com outro estilo

Por: AFP

Publicado em: 10/11/2020 10:31

 (Foto: Angela Weiss / AFP)
Foto: Angela Weiss / AFP
Seu estilo é sem dúvida menos combativo que o do derrotado Donald Trump, mas os especialistas preveem que a presidência de Joe Biden aumentará a pressão dos Estados Unidos sobre seu grande rival, a China, no comércio, direitos humanos e segurança.

As relações entre as duas superpotências foram marcadas por rancores e recriminações durante os quatro anos do mandato Trump, que impôs altas tarifas sobre produtos chineses e culpou Pequim pela origem da pandemia de covid-19.

"Trump adotou uma política muito agressiva com a China, tentando pressioná-la em todas as frentes", afirma Adam Ni, diretor do China Policy Centre, sediado em Canberra, Austrália.

"Com Biden, creio que teremos uma abordagem mais calculada e focada não só no ataque pontual, mas em considerações de longo prazo", explica.

A direção das futuras relações entre Washington e Pequim parece, no entanto, paralisada, de acordo com os especialistas, porque a maioria dos líderes americanos querem garantir que seu país manterá a supremacia militar e econômica em relação ao gigante asiático.

Mas Biden prometeu revisar a política de Trump do "America First", que causou a retirada dos Estados Unidos de fóruns internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) ou do Acordo de Paris sobre o clima.

Desse modo, o democrata, que nos dias seguintes à sua eleição propôs uma política de conciliação, vai restaurar alianças, desde a Europa até a região Ásia-Pacífico, construindo uma frente contra as ambições chinesas nas esferas tecnológica, comercial e territorial.

Comportamento impulsivo 
A presidência de Biden vai priorizar "frear" a expansão da China, estima Anthony Blinken, ex-conselheiro do presidente eleito durante a campanha.

Enquanto Trump tinha um comportamento impulsivo - aumentando as tarifas sobre produtos chineses e, no minuto seguinte, chamando de "amigo" o presidente chinês Xi Jinping -, os especialistas preveem, com o novo governo, uma ação mais ampla e pragmática para enfrentar Pequim.

"Provavelmente veremos uma política mais coerente de confronto em assuntos geopolíticos", afirma Evan Resnick, professor na Nanyang Technological University da Singapura.

"Essa posição deixará os chineses nervosos", considera.

Biden foi claro durante a campanha eleitoral ao opinar sobre a situação dos direitos humanos na China, especialmente em um debate em fevereiro entre os candidatos democratas, no qual usou uma retórica tangente ao referir-se ao presidente Xi.

 "Valentão" 
"Este indivíduo não tem uma grama de democracia no corpo, é um valentão", afirmou Biden.

A campanha presidencial de Biden também chamou de "genocídio" a repressão contra a minoria muçulmana dos uigures na região chinesa de Xinjiang.

E enquanto Trump insistiu em conflitos comerciais com a China, Biden pretende, segundo os analistas, recuperar uma certa liderança moral para os Estados Unidos.

No entanto, com relação a Hong Kong, o presidente eleito "provavelmente vai se basear, e não reverter" as políticas de Trump, que consistiram em acabar com o tratamento preferencial comercial que Washington concedia ao território semiautônomo após a severa lei de segurança imposta por Pequim.

Há, porém, oportunidades para redirecionar a relação com Pequim.

A primeira prioridade de Biden é controlar a epidemia da covid-19 que provocou até agora a morte de cerca de 240.000 americanos, tudo isso em meio a uma controversa gestão de Trump.

Neste sentido, há possibilidades de aproximação com a China, onde surgiu o vírus e há progressos na pesquisa de uma vacina.

As relações "podem passar de um confronto feroz para uma pragmática cooperação no combate à epidemia", disse na segunda-feira um editorial do jornal nacionalista Global Times.

A "cooperação" neste sentido pode gerar soluções para "voltar a avaliar alguns dos problemas inerentes às relações entre China e Estados Unidos", continuou. 

Biden também propôs voltar a fazer parte do Acordo de Paris, do qual Trump se desvinculou, quando assumir o cargo.

Com isso, se alinha com a posição da China - principal poluidor do planeta -, que prometeu reestruturar sua economia em torno das energias limpas.
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