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Agência da ONU para palestinos teme 'desastre' em Gaza e no Líbano

Por: AFP

Publicado em: 16/11/2020 09:56

 (FOTO: AFP / Mahmud Hams)
FOTO: AFP / Mahmud Hams
A Agência da ONU para Refugiados Palestinos (UNRWA, na sigla em inglês) está passando pela "pior" crise financeira de sua história, que pode causar um "desastre" na Faixa de Gaza e ser uma "nova fonte de instabilidade" no Líbano - alerta seu chefe em entrevista à AFP.

Na semana passada, o comissário-geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, anunciou que sua organização não tem dinheiro para pagar os salários de novembro e dezembro de seus 28 mil funcionários. Em sua maioria, trata-se de refugiados que prestam serviços (educação e saúde) a mais mais de cinco milhões de palestinos espalhados por acampamentos na Jordânia, Síria, Líbano e Territórios Palestinos.

A agência sofre com o fim da ajuda financeira da administração norte-americana de Donald Trump. Em 2018, Washington, até então o principal doador, encerrou sua ajuda anual de US$ 360 milhões, o correspondente a 30% do orçamento desta agência. Washington considerou sua existência desnecessária, 70 anos após o início do conflito árabe-israelense.

A situação é particularmente crítica na Faixa de Gaza, um enclave palestino de dois milhões de pessoas onde o desemprego ultrapassa 50%, e a pandemia de Covid-19 forçou as autoridades a reduzirem em 40% os salários dos funcionários.

A suspensão dos programas da UNRWA pode ter efeitos "devastadores" neste território sob o controle do movimento islâmico Hamas, e onde esta agência, com seus 13 mil funcionários, é o "primeiro empregador", independentemente das autoridades locais.
 
"Representamos 80% da ajuda a Gaza. Se suspendermos os serviços, pode ocorrer um desastre total em meio à pandemia", ressalta Lazzarini nesta entrevista na noite de domingo (15) por videoconferência. "E o mesmo pode acontecer no Líbano", onde vivem mais de 470 mil refugiados palestinos.

Super Biden? 
A crise de financiamento da UNRWA é tema de debate regular nos círculos diplomáticos e humanitários, e Lazzarini reconhece que muitos de seus doadores estão "cansados" de financiar ajuda aos refugiados deste conflito que já dura mais de 70 anos.

"Estamos à beira do abismo", diz Lazzarini, que assumiu a presidência este ano, em meio a uma crise na organização, abandonada pelo governo Trump.

Após a suspensão da contribuição de Washington, cerca de 40 Estados aumentaram sua contribuição por um ano para limitar o impacto desta decisão. Desde então, porém, as contribuições caíram, e a crise da covid-19 não ajudou neste ano, quando a única esperança para os palestinos e a mídia humanitária vem do futuro presidente eleito dos EUA, Joe Biden.

A grande questão é se o sucessor de Donald Trump na Casa Branca contribuirá novamente com dinheiro para a UNRWA.

"Todas as mensagens indicam que há vontade por parte do (futuro) governo de restaurar a relação de longo prazo com a UNRWA. Como e quando (...) isso será discutido quando o novo governo tomar posse", afirma Lazzarini.

Até janeiro - o novo presidente dos Estados Unidos tomará posse no dia 20 do referido mês -, a UNRWA tenta convencer os doadores a contribuírem com US$ 70 milhões para que a agência possa pagar os salários. Desde que seu pedido de ajuda foi feito na semana passada, nenhuma promessa de novos recursos foi recebida.
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