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Seis anos após massacre, imagens chocantes são exibidas no julgamento do 'Charlie Hebdo'

Publicado em: 07/09/2020 14:13 | Atualizado em: 07/09/2020 14:27

 (Foto: BENOIT PEYRUCQ / AFP)
Foto: BENOIT PEYRUCQ / AFP
Tiros à queima-roupa, corpos caídos entre folhas de papel e um silêncio mortal. No julgamento do ataque ao Charlie Hebdo, o tribunal de Paris viu nesta segunda-feira as imagens assustadoras do atentado de 2015 ao semanário francês. 

Quarta-feira, 7 de janeiro de 2015, 11h33: os irmãos Chérif e Saïd Kouachi entram no prédio do semanário satírico, encapuzados e vestidos inteiramente de preto, e matam 11 pessoas em menos de dois minutos. 

Quase seis anos após o massacre, as fotos da polícia e imagens de câmeras de segurança projetadas em uma tela do tribunal especial de Paris responsável por julgar o caso testemunham a violência do ataque.

"Algumas dessas cenas podem ferir a sensibilidade de algumas pessoas", alertou o presidente do tribunal, Régis de Jorna, antes que algumas partes civis - incluindo sobreviventes do ataque - saíssem da sala.

O silêncio se instalou entre os presentes quando o ex-chefe do departamento antiterrorista da brigada criminal de Paris, Christian Deau, começou sua descrição fria e clínica das cenas do crime.

As fotos, feitas por policiais ao chegarem à redação do semanário, são difíceis de suportar. 

A primeira mostra a porta principal pela qual "os dois terroristas" entraram antes de atirar no webmaster Simon Fieschi, que ficou gravemente ferido no ataque, detalha o investigador. 

Em uma sala adjacente, o corpo de Mustapha Ourrad, corretor do Charlie por 30 anos, jaz numa poça de sangue. A sala de reuniões se tornou um emaranhado de corpos, entre impressoras e folhas de papel.

"Execuções" 

"No total, 33 cápsulas de balas foram encontradas, 21 das quais vieram da arma de Chérif Kouachi", disse o agente de contraterrorismo, antes de detalhar o número de tiros que cada vítima recebeu e sua localização exata.

O diretor da publicação, Stéphane Charbonnier, conhecido como Charb, "recebeu mais tiros: sete no total, de uma distância de menos de 10 centímetros", continuou Deau.

Alguns sobreviventes que não deixaram imediatamente o tribunal acabaram saindo, aos prantos. No banco dos réus, atrás de um vidro, alguns dos acusados olharam para a tela, outros para o chão.

A maioria dos cartunistas mortos pelos jihadistas mostra "trajetórias de disparos de trás para a frente, sugerindo execuções", acrescentou o policial em voz calma.

As imagens das câmeras de segurança mostram os assassinos calmos e determinados durante o ataque, mas também durante a fuga, na qual mataram o policial Ahmed Merabet.

Após intenso tiroteio com várias patrulhas policiais, os agressores do Charlie Hebdo abandonaram seu veículo roubado, do qual as janelas foram completamente destruídas.

Um documento de identidade de Saïd Kouachi foi encontrado no veículo, junto com um arsenal que sugeria que seria usado "para cometer outros ataques", disse Deau.

Desde 2 de setembro, 14 pessoas - três delas à revelia - estão sendo julgadas em Paris por terem prestado apoio logístico aos autores do ataque ao Charlie Hebdo, que chocou a França e o mundo. 

Os autores do ataque foram mortos pela polícia em 9 de janeiro em uma gráfica no nordeste de Paris, onde se barricaram.

"Teremos que trazer um pouco de humanidade para este julgamento porque o que acabamos de ver é desumano. Vimos máquinas de guerra", disse Caty Richard, uma advogada da parte civil.
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