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Japão deve confirmar novo primeiro-ministro nesta quarta-feira

Publicado em: 15/09/2020 08:09

 (Foto: Nicolas Datiche/POOL/AFP)
Foto: Nicolas Datiche/POOL/AFP
Um filho de agricultor de morangos está prestes a se tornar primeiro-ministro do Japão. Yoshihide Suga, secretário-geral do governo e conselheiro de Shinzo Abe, deverá ter o nome confirmado, nesta quarta-feira (16), pelo Parlamento. O sucessor de Shinzo Abe, que renunciou por motivos de saúde, venceu as eleições pela liderança do Partido Liberal Democrata (PLD). Suga, 71 anos, obteve 377 votos, contra 89 para o ex-chanceler Fumio Kishida e 68 para Shigeru Ishiba, ex-ministro da Defesa. Por ter a maioria no Parlamento, o PLD provavelmente não terá dificuldades em alçá-lo ao posto máximo do país. Suga cumprirá o mandato remanescente de Abe até, 30 de setembro de 2021, e precisará enfrentar outra eleição para o posto de líder do PLD. “Com esta crise nacional do coronavírus, não podemos nos permitir um vazio político”, declarou Suga, ao acenar para o continuísmo das políticas de Abe.

O primeiro-ministro demissionário externou “apoio total” a Suga e lembrou que o potencial sucessor “trabalhou de modo duro e discreto pela nação e pelo povo”. “Vamos construir um Japão que brilhe e supere a crise do coronavírus com Suga como líder”, declarou Abe, que se afastou por causa de uma doença crônica do intestino.

A missão de Yoshihide Suga à frente do Japão será repleta de desafios. Segundo a agência de notícias France-Presse, a política econômica do atual premiê, chamada de “Abenomics”, foi prejudicada pela recessão e pela pandemia da covid-19. Suga precisará lidar com a ameaça representada pela afirmação da China como superpotência e estruturar o país para a realização das Olimpíadas, adiadas para o próximo ano, por causa da disseminação do coronavírus.

Yuko Nakano — subdiretora do Programa de Liderança Estratégica EUA-Japão do Centro para Estudos Internacionais e Estratégicos (CSIS, em Washington) — afirmou ao Correio que, tão logo Shinzo Abe anunciou a intenção de renunciar, pesquisas revelaram que a popularidade do premiê saltou de 10 pontos percentuais para mais de 50 pontos. “É raro ver tal evolução na popularidade de um primeiro-ministro demissionário. Isso indica que a maioria dos japoneses avaliza muitas das iniciativas promovidas por Abe”, explicou. “O senhor Suga, que serviu como porta-voz de Abe pelos últimos sete anos e meio, na condição de secretário da chefia de gabinete, foi mais alinhado ao chefe de governo do que os outros dois candidatos que disputaram a corrida pela liderança do PDL. Suga tem profunda experiência em lidar com grandes decisões, incluindo a resposta à crise causada pela covid-19”, acrescentou.

Prioridades
Para Nakano, como o Japão continua a enfrentar a pandemia, o momento é inoportuno para uma grande mudança na direção da política. “Parece-me que os cidadãos japoneses desejam ver uma continuação das atuais políticas. Suga é visto como administrador competente do governo”, disse. A especialista entende que o combate à covid-19 e a revitalização da economia serão as prioridades de Suga a curto prazo. “Ele tem suas próprias iniciativas, como programas de revitalização econômica locais, reforma regulatória e a criação de uma ‘agência digital’ para supervisionar a digitalização de procedimentos administrativos. Mas o quão bem ele poderá assumir a liderança nessas iniciativas dependerá de como a pandemia tende a se desenvolver.”

A estudiosa do CSIS também prevê como desafiadores a velocidade e a firmeza com que o próximo primeiro-ministro consoliderá o poder. “Como as disputas internas do partido mostraram, Yoshihide Suga acumula apoio entre os colegas. Ele é conhecido da opinião pública japonesa como porta-voz do governo Abe, mas não como premiê. Vamos acompanhar como os cidadãos respondem a esse estilo de liderança nas próximas semanas”, comentou. Nakano lembrou que as eleições para a Câmara dos Deputados são um item do calendário político que merece atenção, com Suga no poder. “Se o PDL vencer as eleições gerais, isso representará um referendo de seu governo, o que poderia levá-lo a um longo ‘reinado’ como primeiro-ministro. A antecipação do pleito dependerá de como a pandemia esvair-se-á e se os números das pesquisas indicarem apoio ao chefe de governo e ao seu partido no poder.”
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