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Neandertais tiveram que se adaptar ao frio antes do desaparecimento

Publicado em: 29/08/2020 16:47 | Atualizado em: 29/08/2020 17:02

 (Foto: Thorsten Uthmeier/Divulgação
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Foto: Thorsten Uthmeier/Divulgação
Os neandertais, ancestrais humanos que habitaram a Europa e também algumas regiões da Ásia cerca de 230 mil anos atrás, tiveram que se adaptar a uma série de mudanças climáticas ocorridas um pouco antes do seu desaparecimento. Essas alterações — caracterizadas por períodos muito frios — fizeram com que eles desenvolvessem ferramentas complexas, segundo cientistas alemães e italianos. Os pesquisadores chegaram a essa conclusão ao analisar uma série de artefatos encontrados em uma caverna chamada Sesselfelsgrotte, na Baixa Baviera, na Alemanha. Os dados foram divulgados na última edição da revista Plos One e trazem novas informações relacionadas ao comportamento dos antepassados do homem moderno.
 
No estudo, os pesquisadores explicam que os neandertais viveram em grandes áreas da Europa, da Ásia e do Oriente Médio, e até mesmo na periferia da Sibéria, locais onde produziram ferramentas diversas usando madeira e um material rochoso semelhante ao vidro. De acordo com os especialistas, aproximadamente 100 mil anos atrás, a ferramenta universal de corte e raspagem dos neandertais era uma faca feita de pedra, com uma espécie de cabo e uma ponta, chamada keilmesser. “Keilmesser é uma reação ao estilo de vida altamente móvel durante a primeira metade da última era do gelo. Como elas podiam ser afiadas novamente quando necessário, puderam ser usadas por um longo tempo, quase como um canivete suíço hoje”, detalhou, em um comunicado, Thorsten Uthmeier, professor do Instituto de Pré-história e História Antiga da Friedrich-Alexander-Universität Erlangen-Nürnberg (FAU), na Alemanha.
 
Os cientistas explicam que a maioria dos estudos feitos até hoje sobre os neandertais deu foco ao uso apenas da keilmesser. Dessa forma, outras peças de formato distinto não foram avaliadas. “Os arqueólogos, muitas vezes, esquecem que facas trabalhadas nesse molde não eram as únicas ferramentas que os neandertais tinham. As facas desse período são surpreendentemente variadas, mas os detalhes presentes nelas nunca foram observados de forma minuciosa”, afirmou Davide Delpiano, professor da Università degli Studi die Ferrara (UNIFE), na Itália, e também autor do estudo. “Nossa pesquisa usou as possibilidades oferecidas pela análise digital de modelos 3D para descobrir semelhanças e diferenças entre os vários tipos de facas usando métodos estatísticos”, completou o cientista.
 
No estudo, os pesquisadores realizaram escavações na caverna de Sesselfelsgrotte, um local que foi cuidadosamente protegido nos últimos anos para garantir que as futuras gerações de pesquisadores consigam investigar possíveis artefatos com idade entre 11 mil e 115 mil anos. Durante as escavações na caverna, mais de 100 mil artefatos e inúmeros vestígios de caça deixados pelos neandertais foram encontrados, incluindo evidências de um enterro.
 
Usando escaneamento 3D, os cientistas analisaram as ferramentas semelhantes a facas mais significativas. A tecnologia permite que a forma e as propriedades da ferramenta sejam registradas com extrema precisão. Por meio das análises avançadas, os pesquisadores observaram mudanças consideráveis nos utensílios usados pelos ancestrais do homem, o que indica uma possível adaptação do formato das facas para a realização das tarefas. “O repertório técnico usado para criar outras versões de keilmesser não é apenas uma prova direta das habilidades de planejamento avançado de nossos parentes extintos, mas também uma reação estratégica às restrições impostas a eles por condições naturais adversas”, explicou Uthmeier.
 
Recursos escassos 
Segundo o cientista, as “condições naturais adversas” são as mudanças climáticas que ocorreram após o fim do último período interglacial, há mais de 100 mil anos, e levaram a uma escassez de recursos naturais. Fases frias particularmente severas ocorreram no período e, para sobreviver, os neandertais tiveram que se tornar mais móveis do que antes e ajustar suas ferramentas, segundo os autores do estudo científico.
 
“Eles, provavelmente, copiaram a funcionalidade das facas com dorso unifacial, as primeiras feitas, que têm o formato apenas de um lado, e as usaram como ponto de partida para desenvolver um tipo de keilmesser com formato bifacial, com corte em ambos os lados”, ressaltou Delpiano. “Os dois tipos de faca, a versão mais antiga, mais simples, e a versão mais nova e significativamente mais complexa, obviamente, têm a mesma função. A diferença mais importante entre as duas ferramentas é a vida útil mais longa das bifaciais, que representam um conceito de alta tecnologia”, completou o cientista.
 
Apesar de felizes com os resultados, os pesquisadores adiantam que mais pesquisas serão necessárias para confirmar suas teorias. Os dados também podem mudar teorias relacionadas ao desaparecimento do grupo antigo, algo que ainda não tem uma explicação comprovada. “Trabalhos de outros grupos de pesquisa parecem apoiar nossa interpretação. Ao contrário do que algumas pessoas alegaram, o desaparecimento dos neandertais não pode ter sido resultado de uma falta de inovação ou de pensamento metódico, pois mostramos que eles tinham esse tipo de recurso”, frisou Uthmeier.
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