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EUA sancionam autoridades de Hong Kong em nova ofensiva contra China

Por: AFP

Publicado em: 07/08/2020 21:35 | Atualizado em: 07/08/2020 21:53

 (Foto: Jim Watson/AFP)
Foto: Jim Watson/AFP
Os Estados Unidos intensificaram seu confronto com a China nesta sexta-feira (7), ao sancionar as principais autoridades de Hong Kong, após ordenarem fortes restrições contra os gigantes chineses de mídia social TikTok e WeChat. 

Na mais difícil decisão de Washington em relação a Hong Kong desde que Pequim impôs uma lei de segurança estrita naquele território, o Tesouro anunciou o congelamento de todos os ativos americanos da chefe do Executivo, Carrie Lam, bem como de dez outros altos funcionários.

A medida também penaliza qualquer transação financeira dos Estados Unidos com os 11 funcionários, incluindo Chris Tang, Comissário da Polícia de Hong Kong, e Luo Huining, diretor do Escritório de Ligação, um braço de Pequim no centro financeiro internacional. 

"As medidas de hoje enviam uma mensagem clara de que as ações das autoridades de Hong Kong são inaceitáveis", disse o secretário de Estado americano, Mike Pompeo. 

Pompeo apontou que a lei, vista pelos ativistas como uma arma legal para silenciar dissidentes, violou as promessas feitas pela China antes de o Reino Unido devolver sua então colônia, em 1997. 

O Tesouro disse que Lam "é diretamente responsável por implementar as políticas de repressão de liberdade e processos democráticos de Pequim". 

A lei de segurança foi imposta no final de junho em Hong Kong, após os grandes protestos pró-democracia do ano passado. 

Desde então, as autoridades atrasaram as eleições, alegando a crise sanitária do novo coronavírus e, de acordo com Pequim, emitiram mandados de prisão para seis ativistas pró-democracia no exílio.

Tique-taque para o TikTok
A nova ofensiva contra a China ocorre depois que Donald Trump impôs restrições significativas nos Estados Unidos na noite de quinta-feira contra os aplicativos TikTok, de vídeos curtos, e WeChat, de envio de mensagens. 

Por decreto, Trump deu aos americanos 45 dias para parar de fazer negócios com essas plataformas. 

O presidente citou riscos à segurança nacional para justificar as medidas, que também colocaram em questão as operações americanas da matriz do WeChat, a empresa Tencent, um poderoso 'player' na indústria de videogames e uma das companhias mais ricas do mundo. 

A China reagiu denunciando "manipulação política arbitrária e repressão" por parte dos Estados Unidos, de acordo com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wengbin. 

O porta-voz acusou Washington de "sobrepor interesses egoístas acima dos princípios do mercado e das regulamentações internacionais".

Usuários da rede social Weibo, equivalente chinesa do Twitter, lamentaram a medida adotada contra o WeChat. "Como os estudantes estrangeiros entrarão em contato com suas famílias quando vetarem o WeChat?", questionaram.

Tencent despenca na bolsa 
As novas restrições afundaram as ações da Tencent na bolsa de valores de Hong Kong, que chegaram a despencar 10% antes de fechar em queda de 5,04%. 

O decreto de Trump afirma que o TikTok, cujos videoclipes variam de tutoriais de tintura de cabelo a danças e piadas sobre a vida cotidiana, poder ser usado pela China para rastrear funcionários federais dos EUA, criar arquivos sobre pessoas para chantageá-las e realizar espionagem corporativa. 

O TikTok, que nega compartilhar dados com o governo chinês, diz ter ficado "chocada" com o decreto "emitido sem o devido processo".

O aplicativo de propriedade da ByteDance, com sede na China, prometeu buscar "todas as soluções disponíveis" para garantir a conformidade com a lei e ameaçou tomar medidas legais. 

O WeChat é uma plataforma de mensagens, mídia social e pagamento eletrônico que afirma ter mais de um bilhão de usuários, muitos dos quais o preferem aos e-mails.

Repercussões para os EUA? 
Daniel Castro, da Fundação de Tecnologia da Informação e Inovação (ITIF), com sede em Washington, disse que as medidas dos EUA provavelmente sairão pela culatra.

"As alegações de riscos de segurança devem ser apoiadas por fortes evidências, não por insinuações infundadas", disse. 

"As empresas de tecnologia dos Estados Unidos podem perder uma fatia significativa do mercado global se outros países seguirem um padrão semelhante e os bloquearem em seus mercados devido a preocupações com a vigilância do governo americano", acrescentou. 

Trump estabeleceu em setembro o prazo para que o TikTok, com 175 milhões de usuários no país, seja comprado por uma empresa americana ou banido dos EUA, levando a Microsoft a acelerar as negociações para fechar a transação.  

Washington também tem se confrontado com a Huawei, gigante chinesa de telecomunicações e smartphones, que o governo Trump acusa de ser uma ferramenta de espionagem de Pequim.

A partir disso, segundo os serviços de Inteligência dos Estados Unidos, a China preferiria que Donald Trump, considerado por Pequim um personagem "imprevisível", perdesse a reeleição nas presidenciais americanas de novembro.

De acordo com William Evanina, diretor do Centro Nacional de Contrainteligência e Segurança, "a China vem expandindo seus esforços de influência antes de novembro de 2020 para delinear o ambiente político nos Estados Unidos". 

"Pequim reconhece que todos esses esforços podem afetar a campanha presidencial", acrescentou o funcionário que monitora as ameaças à eleição, como do Irã e Rússia. 
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