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Cientistas pedem a ONU mudança nas recomendações de combate a Covid-19

Publicado em: 06/07/2020 16:20

 (Foto: NICOLAS ASFOURI / AFP)
Foto: NICOLAS ASFOURI / AFP
De acordo com uma reportagem publicada no jornal norte-americano The New York Times, 239 cientistas de todo o mundo afirmam ter provas de que o novo coronavírus pode se espalhar pelo ar e infectar pessoas e, por isso apelam a Organização Mundial da Saúde (OMS) que reconsidere suas recomendações. Para estes especialistas, o vírus está se disseminando em bares, restaurantes, escritórios e mercados, dando origem a surtos de infecções que cada vez mais confirmam o que muitos cientistas dizem há meses: o vírus permanece no ar em espaços fechados, contaminando os que estão por perto. Por essa razão, cientistas fizeram soar o alarme, garantindo ter evidências de que o vírus sobrevive no ar em espaços fechados.
 
Em uma carta aberta, que pretendem publicar em breve em uma revista científica, os 239 cientistas de 32 países defendem que quer seja transportado em grandes gotas que permanecem no ar após espirro ou em gotas exaladas muito menores que podem se espalhar por uma sala, o novo coronavírus é transmitido pelo ar e pode infectar pessoas quando inalado. Se for confirmado que a transmissão por via aérea é um fator significativo na disseminação, sobretudo em espaços lotados com pouca ventilação, as consequências para a contenção seriam profundas. Neste caso, máscaras poderiam ser necessárias até mesmo dentro de casa, e os profissionais da saúde necessitariam de máscaras especiais N95 que filtrassem até mesmo as menores gotículas respiratórias. Além disso, sistemas de ventilação em escolas, casas de repouso, residências e empresas poderiam necessitar minimizar a reciclagem do ar e adicionar novos filtros poderosos. Também o uso de luz ultravioleta seria preciso para eliminar partículas virais que flutuassem sob a forma de aerossóis dentro de casa.

 
Para a OMS a doença provocada pela Covid-19 é principalmente disseminada de pessoa para pessoa por gotículas do nariz ou da boca que são expelidas quando alguém contaminado tosse, espirra ou fala, rapidamente caindo no chão. Segundo Benedetta Allegranzi, diretora do Comitê de prevenção e controle de infecções da OMS, afirmou ao jornal NYT que as evidências de proliferação do vírus pelo ar não eram convincentes e que a pesquisa era inconclusiva. "Especialmente nos últimos meses, temos afirmado várias vezes que consideramos a transmissão por via aérea como possível, mas ainda não apoiada por evidências sólidas ou mesmo claras. A OMS deve considerar as necessidades de todas as nações-membros, incluindo aquelas com recursos limitados, e certificar-se de que suas recomendações sejam norteadas pela disponibilidade, viabilidade, cumprimento e implicações de recursos", declarou Allegranzi.
 
Ainda de acordo com a publicação do NYT, especialistas e, inclusive colaboradores da OMS sob anonimato, observam que a organização tem uma visão rígida e excessivamente medicalizada das evidências científicas, sendo lenta e avessa ao risco na atualização de suas orientações. Já no começo de abril, um grupo de 36 especialistas em qualidade do ar e aerossóis solicitou a OMS a rever seu posicionamento e considerar as crescentes evidências sobre a transmissão aérea do novo coronavírus.

O jornal NYT relembrou que não é a primeira vez que a OMS e alguns cientistas entram em divergências, recordando a polêmica sobre o uso ou não de máscaras bem como o fato da entidade manter a conduta de que a transmissão assintomática é rara. Entretanto, Soumya Swaminathan, cientista-chefe da OMS, garantiu que os membros da agência estavam tentando avaliar as novas evidências científicas o mais rápido possível, mas sem sacrificar a qualidade de sua revisão.
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