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Cidade dos EUA emite em madeira sua própria moeda por causa da pandemia

Por: AFP

Publicado em: 12/07/2020 16:50

 (Foto: Jason Redmond/ AFP
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Foto: Jason Redmond/ AFP
Tenino se tornou uma cidade fantasma, com seus negócios tentando sobreviver à pandemia da Covid-19. Isso fez com que as autoridades revivessem uma ideia não convencional do último século: imprimir sua própria moeda em placas finas de madeira.

"Não há comércio, vendas e as ruas estão mortas. É tudo igual às três da tarde e às três da manhã", conta Wayne Fournier, prefeito dessa cidade de 1.800 habitantes do estado de Washington, situada no noroeste dos Estados Unidos. "Estávamos recebendo muitas ligações de empresas nos dizendo que não tinham certeza se poderiam continuar", disse ele à AFP. 

Como o museu da cidade possui uma impressora dos anos 1890, eles a usaram para fazer US$ 10.000 em retângulos em madeira, cada um com um valor nominal de US$ 25.  A moeda tem uma imagem do presidente George Washington e uma expressão em Latim, que traduzida para o inglês significa: "Está tudo sob controle". 

Esse dinheiro é dado como um subsídio aos moradores que mostram ter sido atingidos pela pandemia. Cada um pode receber até US$ 300 por mês. 

Conhecida como "Dólar Tenino" ou "Dólar Covid", ou ainda "Dólar Wayne", por causa do sobrenome do prefeito, a moeda é aceita em quase todas as empresas da cidade a uma taxa fixa equivalente a quase um dólar.  A moeda é válida apenas dentro dos limites de Tenino.

Tempos de desespero
A ideia não é nova. A cidade a usou durante a crise ainda pior causada pela Grande Depressão, na década de 1930. A escassez de dólares na época levou os gerentes dos bancos de Tenino a imprimirem dinheiro em casca de abeto. 

"O conceito se tornou viral na década de 1930", relata Fournier, e outras comunidades, empresas e câmaras de comércio o implementaram. 

A atenção da mídia despertou a curiosidade dos investidores e, ao longo dos anos, a moeda de madeira se tornou um item de colecionador, disponível para a compra no eBay e na Amazon. 

A versão contemporânea, como sua edição anterior, tem como objetivo ajudar durante a crise econômica que causou o fechamento de negócios em todo o país. 

"É mais uma forma de promover a própria cidade", ressalta Chris Hamilton, gerente da principal mercearia da cidade. 

"Muitas pessoas que chegam à cidade nem sequer sabem que Tenino existe, e querem saber como funciona esse lugar que imprime sua própria moeda", acrescenta o comerciante. 

"Eles podem parar por um tempo, comprar sorvete ou andar pelas ruas e comer um hambúrguer", detalha Hamilton. 

Há também moedas complementares em muitos lugares nos Estados Unidos e na Europa. Elas não têm o objetivo de substituir a moeda nacional, mas sim apoiar a economia local. É uma grande diferença, pois as autoridades americanas nunca aprovariam a criação de uma nota que concorra com o dólar.
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