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O ecossistema bilionário do Porto Digital

Um dos parques tecnológicos mais importantes da América Latina registrou, pela primeira vez, a marca de R$ 5,4 bilhões em faturamento

Publicado em: 15/04/2024 07:35 | Atualizado em: 15/04/2024 07:39

O cenário promissor coloca o Porto Digital no ranking de 3º maior setor de serviços do Recife (Crédito: Porto Digital/Divulgação
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O cenário promissor coloca o Porto Digital no ranking de 3º maior setor de serviços do Recife (Crédito: Porto Digital/Divulgação )

No coração do centro do Recife, onde empreendimentos e inovações tecnológicas se misturam com o bairro histórico do Recife Antigo, o Porto Digital caminha a passos largos para empregar 20 mil pessoas até 2026. A partir de um início tímido, com apenas três empresas, atualmente o parque tecnológico se tornou um dos mais importantes da América Latina, com 18.400 colaboradores em 415 empresas embarcadas. Com a chegada de novas marcas, como Bradesco e Grupo Moura, a previsão é de mais 1.500 postos de trabalho no local. Além desse importante papel, o ecossistema ainda chegou pela primeira vez à marca dos R$ 5,4 bilhões em faturamento de receita no ano passado, um aumento de 14% em relação a 2022, ultrapassando a meta de R$ 3,5 bilhões até 2026.

 

O cenário promissor coloca o Porto Digital no ranking de 3º maior setor de serviços do Recife, ficando apenas atrás de saúde e construção civil. O parque tem a meta de chegar entre 500 e 600 empresas em dois anos. Com este crescimento, alcançará o dobro do seu tamanho de 2019.

 

O crescimento dos próximos anos, conta o presidente do Porto Digital, Pierre Lucena, será construído com a atração de novas startups e pela chegada de empresas de economia tradicional que apostam em  laboratórios de inovação.  “O Porto tem se preparado agora para um outro momento, com duas vias de atuação: a primeira, através da sua comunidade de startups, que foi montada recentemente em janeiro. E a outra frente é na atração de empresas que estão começando a fazer a sua base de tecnologia, plugadas a ecossistemas de inovação. São grupos que enxergam no Porto Digital o local ideal, já que o Recife possui uma boa rede de possíveis fornecedores de tecnologia e capital humano”, avalia. O parque tecnológico já registra mais de 300 startups cadastradas em sua comunidade.

 

Dentre as empresas embarcadas no Porto Digital, as maiores em faturamento em 2023 foram Deloitte, Extreme Digital, Globo, Liferay, Neurotech, Tempest, Accenture, Avanade, Avantia e CESAR. Do ponto de vista de capital humano, estas últimas quatro também estão no grupo das que mais empregam colaboradores, juntando-se à Datamétrica, FITec, Serttel, Speedmais e Uninassau EAD.  Já as três com maior crescimento foram a Extreme Digital, Incognia e Safetec.


Mão de obra

 

Apesar do número crescente de mão de obra sendo formada no Recife, que é a capital com o maior número de alunos em tecnologia no Brasil, segundo o IBGE, há vagas que não são ocupadas por falta de profissionais qualificados. Ciência da computação, engenharia da computação, sistemas de informação, engenharia de software, áreas de inteligência artificial, análise de dados e segurança cibernética são algumas das qualificações que estão em alta e que mais geram oportunidades, com salários iniciais que variam entre R$ 3 mil e R$ 4 mil, dependendo da função.

 

Esse aumento de demanda significativa de vagas na área se dá devido à internalização dos processos de tecnologia dentro das empresas de economia tradicional. Marcas como Ferreira Costa, Bradesco e Baterias Moura, por exemplo, estão montando centros de inovação dentro do Porto Digital com suas bases de tecnologia internas.

 

“A parte de capital humano, sem dúvida, é hoje o grande atrativo do Recife. E isso faz com que a gente tenha uma espécie de vantagem comparativa muito significativa em relação a outras cidades do Brasil”, diz Pierre Lucena.  “São vagas em aberto de maneira volumosa em empresas grandes como Accenture e o CESAR, que vai abrir lote de vagas no próximo mês”.

 

As ações de qualificação profissional lançadas pelo Porto Digital em parceria com governos e empresas têm sido uma das apostas para reverter esse quadro de escassez de mão de obra. O programa Embarque Digital, por exemplo, tem formado estudantes em cursos de tecnologia para ocupar as vagas no setor, com investimento público na ordem de R$ 30 milhões, por parte da Prefeitura do Recife. Cerca de 60% dos alunos da primeira turma, formada por 136 pessoas, já estão empregados.

 

“É um programa que surgiu com um propósito de ofertar formação na área de tecnologia, melhorar a empregabilidade dos jovens egressos da rede pública e, consequentemente, impactar positivamente a economia do nosso polo de tecnologia e inovação do Recife”, destaca o secretário de Educação do Recife, Fred Amâncio. Ao todo, até o final deste ano, o programa prevê duas mil vagas.

 

Para o presidente do Porto Digital, o momento que o Recife vive é de criação de um ambiente favorável para mais qualificação e empregabilidade. “A gente vai dobrar o número de formados na área de tecnologia em três anos na cidade, com pessoas que vieram da periferia. É uma mudança, uma transformação social grande através do emprego”, revela Pierre Lucena.

 

Ambiente estratégico

 

O Porto Digital atua na produção de softwares e serviços de tecnologia da informação e comunicação, na economia criativa, e que foca, também, no futuro das cidades por meio de prototipação com base em fabricação digital e internet das coisas. Quem aporta no parque encontra um ambiente estratégico, avalia a presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação - Pernambuco e Paraíba (Assespro-PE/PB), Laís Xavier. “No Porto Digital, as empresas ocupam o mesmo espaço. Isso faz com que as pessoas se esbarrem, que as conexões aconteçam, que você consiga, andando na rua, encontrar decisores de empresa. Gerar, de fato, um ambiente promissor para o desenvolvimento de negócios e conexões”, pontua Laís Xavier. 

 

“Além disso, tem a promoção para o desenvolvimento das empresas. No Softex, por exemplo, é possível encontrar uma entidade que consegue atrair e melhorar a qualidade do software e a discussão em cima do que a gente pode fazer para ampliar os negócios. Na Assespro, temos um espaço para discutir as leis, o que está se fazendo enquanto setor, como o setor se posiciona. E no Núcleo de Gestão do Porto Digital, temos a marca como uma vitrine para atrair olhares para as empresas instaladas”. 

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