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Primeiro carro bio-hybrid da Jeep vai sair da fábrica de Goiana

Stellantis vai anunciar seu próximo ciclo de investimentos, em março, que prevê a produção do modelo inédito da montadora. Veículo será um híbrido movido a etanol

Publicado em: 26/02/2024 05:05 | Atualizado em: 26/02/2024 09:17

 (Paulo Paiva/Arquivo DP)
Paulo Paiva/Arquivo DP

A Stellantis anuncia, na primeira quinzena de março - previsão inicial é dia 6 de março -, o seu plano de investimentos para os próximos anos e formaliza sua adesão ao Programa de Mobilidade Verde (Mover), lançado pelo governo federal no fim do ano passado. O programa amplia as exigências de sustentabilidade da frota automotiva e estimula a produção de novas tecnologias nas áreas de mobilidade e logística, visando promover a expansão de investimentos em eficiência energética, estabelecer limites mínimos de reciclagem na fabricação dos automóveis e criar o IPI Verde, cobrando menos imposto de quem polui menos.

O investimento em descarbonização e no desenvolvimento de veículos híbridos a etanol foi um dos requisitos para a prorrogação, até 2032, dos incentivos fiscais concedidos à fábrica da Stellantis, em Goiana, Zona da Mata Norte de Pernambuco. A fábrica pernambucana produz modelos Fiat (Toro), Ram (Rampage) e Jeep (Renegade, Compass e Commander). O primeiro modelo a sair da unidade, ainda este ano, será o primeiro Bio-Hybrid da Jeep, que combina um motor a combustão (provavelmente um 1.3 turbo flex) e um motor elétrico não plugin (sem opção de carregamento externo). Segundo especulações do setor, esse modelo seria o Compass Bio-Hybrid, que já teria sido visto rodando em fase de testes para ajustes finais. Na sequência será lançada uma versão 100% eletrificada.

Na última semana, o presidente da Stellantis para a América do Sul, Emanuele Cappellano, esteve com a governadora Raquel Lyra e o secretário de Desenvolvimento Econômico do estado, Guilherme Cavalcanti, no Palácio do Campo das Princesas, onde apresentou o projeto ao governo.

No encontro, Cappellano comentou o desempenho do mercado externo, que impulsionou a exportação dos modelos produzidos em Goiana. Segundo a empresa, desde a sua implantação, em 2015, a Stellantis é responsável pela geração de mais de 60 mil empregos diretos e indiretos em Pernambuco. Oficialmente, a Stellantis ainda não fala sobre o BioHybrid da Jeep, mas na reunião com o estado Cappellano disse que “o plano que anunciaremos levará a Stellantis a um novo patamar”. “Avançaremos como protagonistas da mobilidade segura, sustentável e acessível, gerando desenvolvimento e riqueza para a região e todo o país”, afirmou.

O novo ciclo de investimentos dentro do Mover contemplará novos produtos e serviços, além da expansão da cadeia de fornecedores para o desenvolvimento e localização de novas tecnologias para acelerar a descarbonização da mobilidade.

REGULAMENTAÇAO

O Mover foi anunciado pelo presidente Lula no apagar das luzes de 2023, em 30 de dezembro, por meio da Medida Provisória (MP) 1205, expandido o antigo Rota 2030. A execução está a cargo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que tem como ministro o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, que deverá estar presente no evento da Stellantis.

Em nota enviada à reportagem, o MDIC afirmou que “os atos normativos regulamentando a MP serão publicados nos próximos dias. O primeiro deles tratará da habilitação das empresas no programa”. Por se tratar de uma MP, os incentivos fiscais previstos na medida já estão vigorando. No entanto, caso a MP não seja convertida em lei no prazo máximo de 120 dias, por meio de tramitação no Congresso Nacional, a medida perde a validade.

Conforme apurou a reportagem, a tramitação da MP vai iniciar pelo Senado Federal, para só depois ir à Câmara dos Deputados. O incentivo fiscal para que as empresas invistam em descarbonização e se enquadrem nos requisitos obrigatórios do programa está previsto em R$ 3,5 bilhões para 2024. “Os recursos são relativos a créditos financeiros que devem ser solicitados pelas empresas, na medida em que promovam investimentos em pesquisa, desenvolvimento e produção tecnológica”, enfatizou a pasta.

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