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Trabalhadores de abatedouros regionais voltam a cruzar os braços por falta de salários e realizam protesto no Recife

Equipamentos comportam cerca de 250 funcionários e atendem a mais de 90 cidades, causando um impacto em toda a cadeia produtiva

Publicado em: 18/12/2023 10:30 | Atualizado em: 18/12/2023 10:56

Movimento paredista busca que uma comissão seja recebida para tratar da pauta de reivindicações (Divulgação)
Movimento paredista busca que uma comissão seja recebida para tratar da pauta de reivindicações (Divulgação)

Trabalhadores da rede de abatedouros regionais, mantidos pelo Governo de Pernambuco, voltaram a paralisar as atividades, em razão da falta de pagamento de salários. Nesta segunda-feira (18), a categoria realiza um protesto em frente ao Palácio do Campo das Princesas, sede do executivo estadual. Conforme já mostrado pelo Diario, no último mês, a situação também é denunciada pelos fornecedores de carne, que estariam impossibilitados de escoar a produção de bovinos, suínos, ovinos e caprinos.

O movimento paredista busca que uma comissão seja recebida para tratar da pauta de reivindicações. O grupo também anunciou que deve seguir, ainda nesta manhã, para a sede do Centro de Abastecimento e Logística de Pernambuco (Ceasa), que é o órgão responsável pela operação.

Os casos são encontrados nas quatro unidades de operação, localizadas nos municípios de Itambé, Paudalho, Ribeirão e Escada, todos na Zona da Mata. Juntos, os equipamentos comportam cerca de 250 funcionários e atendem a mais de 90 cidades, causando um impacto em toda a cadeia produtiva.

Conforme os apontamentos, os abatedouros já registram a quarta interrupção de atividades, neste último trimestre do ano. Os equipamentos são operados por empresa privada terceirizada. Segundo as queixas, além das remunerações, as equipes também teriam sofrido corte nos auxílios alimentação e vales-transportes, o que motivou o movimento paredista. Alegando a falta de respostas, o grupo, que envolve funções como magarefe, vigilantes, porteiros, caldeireiros, operadores de máquinas e auxiliares de serviços gerais, cruzaram os braços há uma semana.

Procurada pelo Diario, a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agrário, Agricultura, Pecuária e Pesca, que gerencia os estabelecimentos, assim como a empresa TercServ Serviços Terceirizados, não se posicionaram até a publicação desta reportagem. 

- Relembre a situação dos abatedouros regionais
O formato centralizado, adotado por Pernambuco, levou ao fechamento de diversas unidades municipais, após a identificação de falhas estruturais, passando a atender as regiões em polos, ampliando a demanda em cada uma delas.

“É uma situação grave, que envolve também uma questão de saúde pública. Nós pagamos valores altos e há grande movimentação de recursos. No entanto, esse dinheiro não é repassado para os trabalhadores, um verdadeiro desrespeito com pais e mães de família, e prejuízo para todos os envolvidos”, afirma Felipe Ramos, de 34 anos, que atua com o abastecimento de quatro frigoríficos.

Segundo ele, as taxas vigentes continuaram sendo pagas, o que não justificaria os atrasos. Atualmente, para o abate de cada bovino, por exemplo, é expedido um boleto no valor de R$ 75. Cada espaço realiza o corte médio de 80 a 100 animais por dia.

Outro criador prejudicado, alerta sobre o risco iminente de irregularidades. “Os animais precisam ser abatidos sob uma inspeção legal. Sem o funcionamento correto destes espaços, as carnes podem acabar sendo direcionadas para a clandestinidade, sem o cumprimento de qualquer medida sanitária necessária. É prejuízo para quem trabalha e um risco de vida para toda a população que consome”, afirma Daniel de Lima Nascimento, 47 anos.

O cenário de problemas é reforçado por Silvio Cavalcante de Oliveira, de 53 anos, que diz que os custos vêm aumentando, o que acarretará ao repasse para o consumidor final. "Encontrando os abatedouros de portas fechadas, temos que nos deslocar para outras cidades distantes, gastando mais com o transporte e mão de obra. É uma despesa extra de mais R$ 300 por semana, quando a arroba de boi é R$ 265. Sem condições", revela.

Um funcionário da rede, que prefere não se identificar temendo retaliações, diz que não existe espaço para o diálogo. "Os meses de salários atrasados estão se acumulando e as nossas despesas também. Todos temos famílias e compromissos. Não aparece ninguém da empresa para dar nenhuma posição aos trabalhadores e quando perguntamos não existem respostas. Ficamos em uma realidade de incertezas", conta

 

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