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Aos 45 anos, Porto de Suape veleja em mar aberto para vencer desafios

Complexo Industrial e Portuário vem reafirmando seu protagonismo. São mais de R$ 75 bilhões em investimentos privados, através da operação de 83 empresas

Publicado em: 13/11/2023 10:48

Atracadouro, responsável por gerar 17,5 mil empregos, almeja dobrar a produção até 2030 (Rafael Vieira / DP)
Atracadouro, responsável por gerar 17,5 mil empregos, almeja dobrar a produção até 2030 (Rafael Vieira / DP)

Navegando contra as incertezas econômicas, realidade nacional também vivenciada em Pernambuco, o Complexo Industrial Portuário de Suape mantém o indicativo de mar calmo. O entreposto, instalado entre os municípios de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, completou 45 anos, reafirmando números superlativos. São mais de 75 bilhões em investimentos privados, com a operação de 83 empresas, gerando cerca de 17,5 mil empregos. Ainda com desafios como as dragagens, altas tarifas e concorrências no Nordeste, o equipamento segue com a promessa de dobrar a movimentação de cargas.

Na caderneta de metas, que tem como destaque atingir 50 milhões de toneladas, até 2030, também está o alcance de uma maior profundidade de passagem, chegando a 20 metros. A obra é vista como incentivo à atração de empreendimentos, com navios de porte superior, e mais dinheiro girando. Conforme Suape, a dragagem do porto interno receberá R$ 100 milhões, oriundos do Ministério dos Portos e Aeroportos. Já o trabalho de melhoria no molhe, orçado em cerca de R$ 190 milhões, vai ingressar na quarta fase, também sendo contemplado pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com mais R$ 30 milhões.

“A gente precisa celebrar tudo que foi conquistado ao longo desses 45 anos. Temos um time aguerrido, formado por grandes profissionais, que ajudaram a construir essa história, superando dificuldades e gerando grandes resultados. Hoje somos referência, seja pela liderança no setor de graneis líquidos e a ampliação no segmento de contêiners, mas também nos tornando destaque na movimentação de veículos”, enumera o presidente, Márcio Guiot. Segundo o gestor, os planos para uma nova ferrovia, encurtando distâncias entre o litoral e o sertão, podem tornar possível novas explorações, como a cadeia de gesso do Araripe.

No entanto, a ferrovia comandada pela Transnordestina Logística S.A. (TLSA) teve distratado o projeto do trecho Salgueiro-Porto de Suape (SPS), orçado em torno de R$ 4 bilhões. Para Guiot, apesar de dificuldades ainda a serem vencidas, é preciso olhar para frente. “Somos um complexo com perfil industrial, que é orgulho para Pernambuco. Um atracadouro que já nasceu dentro de uma concepção moderna, com um cinturão verde e o meio ambiente andando de mãos dadas. Hoje podemos constatar que temos poucos conflitos, comparado a outras unidades. Com o reaquecimento da economia, muita coisa pode mudar nos próximos anos. Acreditamos que os governos estadual e federal estão empenhados e as perspectivas são as melhores”, afirma.

O vizinho Porto de Pecém, no Ceará, que aparece como mais cotado para receber a estrada de ferro e entrar em operação até 2027, não parece tirar o sono, ao fazer um apanhado do amanhã. “Não deveria existir esse suposto ringue de Pecém ou Suape, mas sim pensar nos dois juntos, pois ambos são de extrema importância para o Nordeste e para o Brasil. Eu diria apenas que é um ponto de atenção, uma coisa que vai acontecer, seja de uma forma ou de outra. A nossa necessidade por infraestrutura é grande”, pondera o presidente.

Tarifas altas, aporte de recursos e dragagem mais profunda está na lista de adversidades de Márcio Guiot (Rafael Vieira / DP)
Tarifas altas, aporte de recursos e dragagem mais profunda está na lista de adversidades de Márcio Guiot (Rafael Vieira / DP)

O economista Werson Kaval avalia que o Porto de Suape tem, entre seus percalços, a missão de atenuar as tarifas aplicadas, uma ferramenta encarada como indispensável para consolidar sua competitividade. Ele explica que os contratos com os terminais Tecon e APM precisam ser reequilibrados, permitindo uma concorrência justa e valores mais atrativos. “As parcerias entre as iniciativas público e privada serão um bom caminho para o aporte de recursos, retirando do papel os projetos parados. No tocante ao preço praticado, é preciso pensar que em um cenário de perda do apoio tributário, com equiparação das alíquotas, vai ficar mais complicado atrair investimentos sem poder conceder incentivos”, disse.

O programa de descomissionamento de 26 plataformas obsoletas de petróleo, anunciado pela Petrobras, sinalizou a injeção de cerca de R$ 10 bilhões na indústria naval, até 2027. A iniciativa poderia engatilhar o almejado retorno da produção em Pernambuco, que sedia os estaleiros Atlântico Sul, atuando em ordem bem menor com reparos; e Vard Promar, sem atividade direta. O estado foi grande formador de mão de obra, mas exportou trabalhadores após a derrocada do setor, com imersão em crise. Para o Sindicato da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), a esperança permanece. “É uma volta que representaria transformação, impactando a vida de milhares de famílias”, diz a entidade.

Para Roberto Brisolla, CEO do Atlântico Sul Heavy Industry Solutions, o Porto de Suape acumula importante contribuição para o desenvolvimento de Pernambuco. Ele destaca a parceria do EAS, que também já marca 16 anos de existência. "O nosso atual posicionamento em atividades de reparo naval e projetos de estruturas metálicas offshore, conta com aproximadamente 1,4 mil funcionários locais, mantendo uma mão de obra qualificada e atuando em novas tecnologias. Estamos preparados para os desafios presentes e futuros", afirmou.
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