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Prévia da inflação é impactada por gasolina mais barata e comida mais cara

Publicado em: 27/07/2022 08:41

 (Foto: Minervino Júnior/CB/D.A.Press)
Foto: Minervino Júnior/CB/D.A.Press
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial, subiu 0,13% em julho, abaixo da taxa registrada no mês anterior, que foi de 0,69%. Essa é a menor variação mensal do índice desde junho de 2020. A desaceleração é resultado da queda dos preços dos combustíveis, provocada pelo corte de impostos. Em compensação, os preços da alimentação continuaram em alta, penalizando as famílias, em especial as de mais baixa renda.

Segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano, o IPCA-15 acumula alta de 5,79% e, em 12 meses, de 11,39%, abaixo dos 12,04% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em julho de 2021, a taxa foi de 0,72%.

Refletindo a queda no preço dos combustíveis, os produtos do grupo transportes tiveram redução média de 1,08%. Os combustíveis propriamente registraram queda de 4,88%, em particular a gasolina, com recuo de 5,01% e do etanol, que caiu 8,16%. O grupo de habitação também contribuiu para a desaceleração do IPCA-15, com queda de 0,78%, puxada pela baixa de 4,61% na energia elétrica residencial.

Segundo o economista do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre FGV) André Braz, a prévia da inflação veio em linha com a expectativa. Ele lembrou que as duas maiores baixas que puxaram o índice foram causadas pela redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). "Com despesas que pesam muito no orçamento familiar, somado ao peso da energia e da gasolina, que representam juntos mais de 10% do orçamento familiar, houve espaço para um IPCA mais baixo", avaliou.

Entretanto, seis dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados registraram alta. Apesar de a prévia da inflação ter desacelerado com a queda da gasolina, o maior impacto (0,25 p.p.) veio do grupo de alimentação e bebidas (1,16%), que acelerou 0,25% em relação a junho. O grupo foi influenciado principalmente pelo aumento nos preços do leite longa vida, com alta de 22,27%, maior impacto individual no índice do mês, com 0,18 ponto percentual. No ano, a variação acumulada do produto chega a 57,42%.

 (Foto: Arte do Correio Braziliense)
Foto: Arte do Correio Braziliense


Alimentos sobem
 
"A queda na inflação não foi mais intensa porque os alimentos seguem em elevação, com destaque para o leite. O leite e a família de derivados estão subindo agora por efeitos sazonais. Na medida em que chove pouco no inverno, o volume de produção diminui e os preços sobem. Isso foi marcante no IPCA de julho", observou Braz.

A maioria dos derivados do leite também registrou alta em julho, a exemplo do requeijão, da manteiga e do queijo. Outros destaques no grupo foram as frutas, que subiram 4,03%, ante queda de 2,61% em junho. O feijão-carioca aumentou 4,25% e o pão francês, 1,47%. Com isso, a alimentação no domicílio teve elevação de 1,12% em julho.

Clarissa Kreimer, de 62 anos, se assustou com os preços do queijo e do leite, que estão custando cerca de R$ 70 o quilo e R$ 10 o litro, respectivamente. A diretora de escola considera alguns fatores que influenciam os preços. "Teve a pandemia, a guerra e, em primeiro lugar, o governo. Tudo está um caos. Diminui o combustível, mas aumenta o leite. A questão maior é a falta de administração do Brasil", desabafou.

Em termos percentuais, a maior variação veio do item vestuário, com alta de 1,39% no mês, acumulando inflação de 11,01% no ano. O destaque ficou com as roupas masculinas, cujos preços subiram 1,97% em julho. Além disso, foram registradas altas superiores a 1% também nos preços dos calçados e acessórios (1,57%) e das roupas femininas (1,32%).

O militar aposentado Vicente de Paula Martins, 60, costuma ir ao mercado três a quatro vezes por semana. Morador do Tororó, ele vai ao Cruzeiro atrás de preços melhores. Ele se assustou com os preços do sabonete ao chegar no mercado de confiança onde sempre compra o produto, por ser mais em conta do que em outros estabelecimentos. "É inacreditável, um absurdo! Sabonete que a gente comprava outro dia por R$ 1, R$ 2, agora está a R$ 6. Eu fiquei de queixo caído", disse, indignado. O subitem faz parte do grupo de despesas pessoais, que registrou alta de 0,79% neste mês.
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