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Notícia de Economia

CONJUNTURA

Rendimento das famílias recua 6,9%; com menor renda, desigualdade cresce

Publicado em: 11/06/2022 08:45

 (Reprodução/Pixabay)
Reprodução/Pixabay
O brasileiro voltou a conviver com um cenário nada animador diante da disparada da inflação: a renda dos trabalhadores não para de encolher, e a desigualdade voltou a aumentar, depois de um aparente alívio em 2020. É o que mostram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados ontem.

Eles apontam para uma queda de 6,9% no rendimento médio real (descontada a inflação) domiciliar per capita em 2021, em relação ao ano anterior, passando de R$ 1.454 para R$ 1.353 mensais. É o menor valor da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, iniciada em 2012.

A massa do rendimento mensal real domiciliar per capita encolheu 6,2% na comparação com 2020, chegando a R$ 287,7 bilhões em 2021, o segundo menor valor desde 2012 (R$ 279,9 bilhões). As regiões Norte e Nordeste, que possuem os menores rendimentos, registraram as maiores perdas, de 12,5% e 9,8%, respectivamente, para R$ 871 e R$ 843 mensais. Já o Sul e o Sudeste mantiveram-se com os maiores rendimentos, de R$ 1.656 e de R$ 1.645, respectivamente, de acordo com o IBGE.

"A maioria das rendas perdeu valor, mas os mais afetados foram os que ganhavam menos e tiveram uma melhora de renda fictícia durante a pandemia. E essa perda de renda fez com que a desigualdade aumentasse, principalmente, entre os mais pobres", destacou Alesssandra Scalioni, analista do IBGE.

Após a queda em 2020, a desigualdade voltou a aumentar em 2021 e o Índice Gini do rendimento mensal real domiciliar per capita passou de 0,524 para 0,544 — mesmo patamar de 2019 e acima dos 0,540 de 2012 —, segundo os dados da pesquisa.

O Índice Gini é o termômetro da desigualdade. Quanto mais perto de 1, maior é o desequilíbrio social e econômico de um país. O consenso entre analistas é de que 2020 foi um ponto fora da curva devido ao auxílio emergencial, que acabou ajudando a melhorar o rendimento médio da população.

Com o fim do programa, que chegou a pagar até R$ 1,2 mil para as famílias mais vulneráveis, o retrocesso na qualidade de vida ficou evidente, principalmente, com a volta da inflação de dois dígitos desde setembro de 2021. E, daqui para frente, as perspectivas não são muito animadoras.

"De uma maneira geral, após a injeção massiva de recursos durante a pandemia, estamos vendo o fim da anestesia via auxílio emergencial. E esse efeito na renda média fala por si, porque 2020 foi um ano excepcionalmente bom por causa do auxílio generoso, que não durou em 2021. E a redução do benefício, em termos de quantidade e de valores, explica a queda da renda e o aumento da desigualdade em 2021", destacou o economista Marcelo Neri, diretor do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas (FGV Social).

Pelas projeções de Neri, a tendência em 2022 é de piora nos dados em relação ao ano passado, porque a inflação está mais elevada e, apesar dos recentes aumentos dos empregos formais e informais, há uma precarização do mercado de trabalho e, consequentemente, redução das remunerações.

"Embora a comemoração do aumento da ocupação no mercado de trabalho seja justa, há outros fatores como inflação e perda de renda que devem predominar daqui para frente. O Banco Central, se seguir o manual, vai continuar subindo os juros diante da inflação, que continua elevada. E isso vai impactar negativamente em três pontos: no crescimento, na desigualdade e na instabilidade", alertou.

Na avaliação do economista Sérgio Firpo, professor do Insper, os dados do IBGE mostram um retrocesso generalizado, devido à falta de políticas públicas para minimizar o problema da desigualdade no país. "O mercado de trabalho tem um número absurdo de MEIs (microempreendedores individuais) trabalhando por conta própria que não têm o mesmo rendimento garantido do emprego formal, que paga um salário mínimo, pelo menos.", lamentou.

"Não existe uma política voltada para a qualificação e não vemos nenhum dos pré-candidatos às eleições com uma plataforma. Parece que todos têm medo de falar sobre o assunto", acrescentou.

Comércio avança, mas perde ritmo em abril
 
O volume de vendas do varejo brasileiro cresceu 0,9% em abril, após alta de 1,4% no mês anterior, conforme dados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o quarto aumento consecutivo do indicador, mas o ritmo de expansão do setor vem desacelerando. Em janeiro, por exemplo, as vendas do setor haviam crescido 2,4%.

Os dados do IBGE mostram desempenho desigual nas atividades pesquisadas, com metade das oito categorias apresentando queda na comparação mensal. Tiveram desempenho positivo os segmentos de móveis e eletrodomésticos, com alta de 2,3%; tecidos, vestuário e calçados (1,7%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,4%); e outros artigos de uso pessoal e doméstico (0,1%).

Diante da escalada da inflação que se mantém em dois dígitos desde setembro de 2021, corroendo o poder de compra da população, as vendas de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo registram queda de 1,1%. O segmento de combustíveis e lubrificantes recuou 0,1%. Enquanto isso, o comércio de livros, jornais, revistas e papelaria encolheu 5,6%. O setor de vendas de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação desabou 6,7%.

Itens essenciais
 
Na média, o comércio varejista ficou 4% acima do patamar pré-pandemia, de fevereiro de 2020, mas essa recuperação é bastante desigual, lembrou Fabio Bentes, economista sênior da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). "Apenas quatro entre 10 segmentos apresentaram dados acima do patamar pré-pandemia. No caso de hipermercados e supermercados, que estão relacionados aos itens essenciais, a variação é muito pequena, de 1,4%, e não podemos comemorar uma recuperação completa do patamar de antes da pandemia", alertou.

Os segmentos de farmácias, perfumarias e de materiais de construção são os que estão melhor posicionados, pois registraram desempenho 17,7% e 9,1%, respectivamente, acima do patamar pré-pandemia. O setor de artigos de uso pessoal e doméstico apresentou vendas 7,3% superiores ao patamar de fevereiro de 2020. Já os segmentos de combustíveis e lubrificantes; comércio automotivo; tecidos, vestuário e calçados; móveis e eletrodomésticos; informática e comunicação e livrarias e papelarias não recuperaram os níveis pré-pandemia.

Na avaliação de Bentes, a inflação elevada e os juros em alta jogam contra o aumento do consumo daqui para frente, mas o que deverá continuar ajudando o comércio a crescer nesta primeira metade de 2022 são as liberações de recursos como o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e a antecipação do 13º salário dos aposentados.

"O cenário atual não é favorável para a ampliação de vendas. A inflação está em alta, os juros estão subindo e o mercado está evoluindo de forma lenta. Os quatro meses de alta no volume de vendas, foram uma surpresa, mas sabemos que, no segundo semestre, não haverá muitos estímulos para o consumo", alertou Bentes. Em referência ao impacto previsto da política monetária na economia, ele lembrou que os efeitos das altas da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 12,75% ao ano, são esperados na segunda metade de 2022. 
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