Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Digital Digital Digital Digital
Digital Digital Digital Digital
Notícia de Economia

CONSUMO

Mercado do bem estar natural ganha destaque em Pernambuco e no Brasil

Publicado em: 18/10/2021 07:56 | Atualizado em: 18/10/2021 08:17

 (Foto: Paulo Trigueiro / Divulgação)
Foto: Paulo Trigueiro / Divulgação
Sustentabilidade, autocuidado orgânico e consumo ético são, atualmente, mais do que palavras aderidas pelo consumidor contemporâneo. São a base de um estilo de vida para aqueles que buscam migrar de produtos convencionais, mais danosos ao bem estar animal e ao meio ambiente, para os naturais. Uma pesquisa de mercado da empresa germânico-americana Nilsen aponta que a ascensão do mercado de beleza no Brasil é acompanhada pela mudança nos hábitos do consumidor. A sustentabilidade já é uma das três maiores preocupações para 32% dos brasileiros na hora de comprar. E os produtos mais sustentáveis crescem mais rápido. 

Em comparação com os não sustentáveis, itens cruelty free (produzidos sem testes em animais) têm crescimento 61% maior. Já aqueles com ingredientes naturais apresentam um ritmo de crescimento de 124%. Em termos financeiros, uma previsão realizada pela Technavio, empresa especializada em pesquisa de mercado, projeta uma movimentação mundial de US$ 3,32 bilhões de dólares até 2024, cerca de R$ 18 bilhões, no segmento de cosméticos veganos. 

Embora sem número que quantifiquem, Laura Kim, diretora da Associação Brasileira de Veganismo, avalia que a busca por esses produtos tem aumentado. E acredita que essa alta tem relação com uma maior conscientização no país. “As pessoas já procuram saber se tal empresa testa os produtos em animais ou usa insumos de origem animal, por exemplo, e a excluem. Há uma maior preocupação com a vida no planeta.” A associação tem mais de 2,6 mil produtos certificados e centenas de empresas associadas em todo o Brasil. 

Laura ressalta que o veganismo é um estilo de vida. Ela própria o segue há 18 anos. “Mudei tudo em minha vida. E para melhor”, atesta. O crescimento, bem avaliado mesmo em face das adversidades econômicas infundidas pela pandemia do covid-19, também reforça as novas demandas do consumidor, que agora não só busca adquirir mercadorias com menor impacto ambiental, como também deseja saber a origem dos ingredientes no produto. 
 
Para a estudante de Jornalismo e consumidora de cosméticos orgânicos, Lara Calábria, 20 anos, adentrar nesse segmento de produtos se deu pela vontade de cuidar do cabelo de forma mais natural, após abandonar o tratamento intensivo de botox capilar. “Comecei a pesquisar mais sobre a técnica low poo, que utiliza produtos sem sulfatos e parabenos que ajudam a definir melhor, além de pesquisar mais sobre produtos sem origem animal e demais questões problemáticas”, relata. Lara Calábria conta que tomou essa decisão também por conta do estilo de vida. O seu pai é veterinário e ela sempre foi apegada aos animais. “É uma causa que realmente me sensibiliza e eu achei que, assim, me aliando a esse tipo de escolha, poderia contribuir de alguma forma também”.

Yasmin Andrade, 20 anos, estudante de Letras e consumidora de produtos veganos, acredita que o principal motivo para ser adepta desse cuidado estético natural é a causa animal. “Não creio que haja necessidade alguma de utilizar insumo de origem animal ou testar produtos neles. A prova disso é justamente a existência de diversas marcas de produtos veganos que são tão bons quanto os que não são. Creio que até melhores”, defende. Além disso, acrescenta a estudante, o processo de produção desses cosméticos é mais transparente. Principalmente, pondera, se forem de lojas menores, locais. “Acho bem mais confiável quando se existe essa proximidade com a marca, me sinto mais segura sabendo do efeito de cada coisa”.

Foi justamente a confiança e a vivência diária desses produtos em casa que levou os irmãos Letícia, 30  anos,  e Frederico Pernambucano, 27,  a investirem, há seis meses, na loja de beleza e bem-estar, a Empório GreenCare, ofertando  produtos livres de tóxicos para o organismo dos consumidores. “Nos importa também a sustentabilidade. E não só de nossos produtos, mas também de nossas ações, a exemplo da diminuição de uso de plásticos, o reaproveitamento das caixas de papelão que vêm com as reposições, assim como o processo de reciclagem, fazendo a destinação correta de embalagens de produtos que recebemos”, explica Letícia Pernambucano. 

Dentre os artigos de maior destaque entre os clientes da Empório GreenCare e por aqueles que buscam fazer parte deste estilo de vida, estão os produtos faciais e capilares sem parabenos, petrolatos e demais componentes considerados suspeitos de fazerem mal ao organismo, maquiagem sem contaminação de metais pesados, desodorante e esmaltes livres de substâncias tóxicas. Além disso, óleos essenciais, velas aromáticas com cera vegetal e demais produtos relacionados a aromaterapia também movimentam a loja. “Disponibilizamos as melhores marcas, sempre dando prioridade aos produtores brasileiros. Buscamos estimular o comércio local e, para tanto, já inserimos algumas marcas de parceiros da região em nosso portfólio, a exemplo da Céu e da Lavand’alma”, afirma  Letícia Pernambucano.

Produção 

A empresária e fabricante de produtos naturais Gabriela Sousa comanda a marca recifense de cosméticos veganos Inversa desde 2017. “Comecei a fabricar cosméticos naturais primeiramente pela potência deles. É impressionante  o resultado que a gente consegue usando ativos naturais", comenta. Além disso, conta,  sempre que ia em qualquer loja sentia-se incomodada com a quantidade de plástico utilizado e a consequente poluição do meio ambiente. "Os cosméticos veganos são biodegradáveis, o que ajuda a reduzir o impacto ambiental”, reforça.

Os cosméticos  que possuem  maior demanda são os da linha skincare anti acne e manchas na pele. Já os artigos mais comercializados são o óleo de copaíba e a pomada cicatrizante. A empresária  reforça que o segredo para os consumidores serem mais próximos das produções orgânicas é transmitir de volta o mesmo carinho que esse cliente tem pelos cosméticos e aquilo que eles representam. “Os clientes  são pessoas, não números, e as empresas que enxergarem isso terão sucesso!”, afirma.
Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Justiça por Beatriz: pais organizam peregrinação de 720 km para cobrar solução de assassinato
Pessoas que já tiveram covid podem adoecer novamente devido à ômicron
Reino Unido aprova mais um medicamento contra Covid-19
Manhã na Clube: entrevista com o deputado estadual Eriberto Medeiros (PP), presidente da Alepe
Grupo Diario de Pernambuco