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Notícia de Economia

CARTÃO DE CRÉDITO

Quatro em cada cinco famílias pernambucanas estão com dívidas, em agosto

Publicado em: 26/08/2021 17:51

 (Foto: Pixabay)
Foto: Pixabay
No terceiro mês consecutivo de alta, 80,9% das famílias pernambucanas declararam estar endividadas em agosto. O apontamento é da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), e com recorte local da Fecomércio-PE.

O indicador avançou 2,8 pontos percentuais em comparação com janeiro deste ano e 4,5 p.p. em relação a agosto do ano passado. Desde maio, o indicador se mantém em um patamar elevado, onde 8 em cada 10 famílias se declaram endividadas. O valor atual se aproxima cada vez mais dos 81%, marca histórica observada pela última vez em julho de 2011.

Sobre a dimensão desse endividamento, 12,3% das famílias se diziam muito endividadas em agosto de 2020 e, agora em 2021, essa proporção chegou a 20,2%. Também preocupa o percentual de famílias que declaram não ter dívidas como cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal ou prestação de carro e de casa. Em agosto de 2020, 23,6% dos entrevistados declararam não possuir nenhuma dívida dessa categoria, em agosto de 2021 a proporção caiu para 19,1%.

Quanto à configuração do endividamento familiar, quase a unanimidade (97,0%) aponta o cartão de crédito como um dos principais componentes das dívidas. Além dos cartões, aparecem também em evidência os carnês (25,2%), o cheque especial (8,8%), o crédito especial (8,4%) e o financiamento de veículos (7,3%). Destaca-se ainda que todas essas modalidades de crédito apresentaram aumento entre os tipos de dívida citadas como componentes do comprometimento financeiro das famílias, em relação ao ano anterior

Redução nas contas em atraso
Enquanto o percentual de endividadas persiste em alta, a proporção de famílias cujas contas se encontram em atraso vem reduzindo desde junho, quando era de 33,2%, e ficou em 31,6% em agosto. Além disso, apesar de estar 2,3 pontos percentuais acima do resultado de janeiro, a parcela de famílias com contas atrasadas se encontra praticamente no mesmo patamar de agosto de 2020 (31,3%). Outro indicador da inadimplência, o percentual de famílias que se declaram sem condições de pagar as dívidas atrasadas continua preocupante. De abril para agosto foi identificado um avanço de 12,0% para 15,1%.

Segundo a Fecomércio-PE, com o quadro de inflação elevada no estado, mercado de trabalho ainda em recuperação, menores remunerações, e o auxílio emergencial em menor valor este ano, o orçamento mais apertado tem estimulado o uso do cartão de crédito para atender necessidades básicas, acendendo um alerta para o aumento das obrigações financeiras das famílias. Ao contrário do que se observava até 2020, o cenário atual de elevação dos juros torna o quadro preocupante, visto que novas contratações de crédito livre vêm incrementando o endividamento e trazem o risco de potencializar a inadimplência nos próximos meses.

Cenário nacional
O que se observa no cenário estadual, não se reflete em nível nacional. Os dados da PEIC para o Brasil registraram em agosto um percentual recorde de famílias endividadas no país (72,9%), mas o percentual de famílias com contas em atraso é estável no curto prazo (25,6% em julho e agosto) e menor que o observado em agosto de 2020 (26,7%). Da mesma forma, a proporção de famílias sem condições de pagamento das dívidas atrasadas é menor e está em declínio: 12,1% em agosto de 2020, 10,9% em julho de 2021 e 10,7% em agosto deste ano.

Ainda segundo a Fecomércio-PE, o aumento do endividamento e da incapacidade de honrar as dívidas, por parte das famílias pernambucanas, se deve à redução do poder de compra, em função do constante aumento de preços em itens essenciais da cesta básica e de outros preços com impacto relevante para orçamento familiar, como o de combustíveis e de energia elétrica.

No curto prazo, o preços tendem a elevar os custos no setor de serviços, o que deve ser repassado aos consumidores ao longo do segundo semestre, especialmente nesse momento de reabertura, em que as atividades são beneficiadas por uma demanda reprimida desde o advento da pandemia, mas ainda sem um ímpeto de contratações que atenda a demanda potencial do setor como um todo no estado.

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