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Notícia de Economia

CONJUNTURA

Indústria perde fôlego e resultado de fevereiro fica abaixo do esperado pelo mercado

Publicado em: 02/04/2021 09:31 | Atualizado em: 02/04/2021 09:36

 (CNI/José Paulo Lacerda)
CNI/José Paulo Lacerda

A atividade produtiva nacional perdeu força em fevereiro e registrou queda de 0,7% em relação a janeiro, na série com ajuste sazonal, interrompendo nove meses consecutivos de resultados positivos. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada, nesta quinta-feira (1°/4), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


O resultado foi abaixo do esperado pelo mercado, pois as previsões eram de um crescimento de 0,5%, o que indicaria uma leve aceleração sobre a alta de 0,4% de janeiro. Logo, a frustração acendeu o sinal de alerta, mostrando que, devido ao agravamento da pandemia da Covid-19 no país, os indicadores dos próximos meses devem ser piores, de acordo com especialistas.


'Os dados de janeiro e de fevereiro representam um período de acomodação e de desaceleração da indústria, principalmente a da transformação. Isso seria natural se não houvesse a pandemia, porque haveria um direcionamento da demanda nesse período para serviços. Mas não é o que está ocorrendo, com o agravamento da crise sanitária no país e com os atrasos na vacinação, as incertezas só aumentam. Fica cada vez mais difícil prever a economia se recuperando neste ano', lamentou a economista Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Ela lembrou que os indicadores de confiança de consumidores e empresários, medidos pelo Ibre, apresentaram uma nova onda de deterioração devido ao agravamento da pandemia.

Encolhimento
Pelas projeções do instituto, o Produto Interno Bruto (PIB) deve encolher 0,5% no primeiro e no segundo trimestres, com o PIB crescendo 3,2% no acumulado do ano %u2014 abaixo da taxa de carregamento estatístico herdada de 2020, de 3,6%. Ou seja, nada de crescimento neste ano. 'Mas os números ainda podem ser mais negativos', adiantou Silvia.


'Ainda prevemos um crescimento na segunda metade do ano, se houver um avanço, de fato, na vacinação e um controle maior da pandemia. Mas essas novas cepas do coronavírus preocupam, pois estamos vendo uma segunda onda muito mais perigosa do que a primeira, e não há uma certeza de quando essa crise será controlada efetivamente. Acho que vamos ver muitas interrupções e voltas ao longo do ano que podem prejudicar o processo de retomada. E, quando isso acabar, o país ainda deverá voltar para o baixo crescimento de sempre', acrescentou a economista do Ibre.


No acumulado de 12 meses encerrados em fevereiro deste ano, a atividade industrial apresentou queda de 4,2% e, na comparação com o mesmo mês de 2020, alta de 0,4%. No ano, a alta acumulada da Pesquisa Industrial Mensal ficou em 1,3%. Com esses resultados, o setor produtivo ficou 13,6% abaixo do patamar recorde alcançado em maio de 2011, mas 2,8% acima do nível pré-pandemia, de fevereiro de 2020.

Reversão
A economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria, ressaltou que esse cenário ainda positivo da indústria, se comparado com o período pré-crise, deverá começar a ser revertido nos próximos levantamentos, devido ao o avanço da segunda onda da Covid-19 e ao recrudescimento das medidas de distanciamento social. 'Para os próximos resultados, a expectativa é de maior retração da produção. A retomada de medidas de isolamento social mais austeras deve impactar diretamente a indústria', alertou.
Ela lembrou que, em março, grande parte do país iniciou o processo de fechamento de atividades comerciais e a paralisação parcial das cadeias produtivas que não envolvem bens essenciais. 'Sendo assim, o prolongamento do número de novos casos do vírus em alto patamar deve continuar limitando a recuperação econômica. Adicionalmente, a fragilidade já existente em grande parte dos segmentos desenha um cenário desafiador para os próximos meses', afirmou.


Segundo Alessandra, a pressão de custos sobre a produção, em conjunto com um desaquecimento do mercado consumidor, revela uma trajetória mais lenta de recuperação de setores-chave da indústria, como o segmento de veículos.


De acordo com os dados do IBGE, o recuo de 0,7% da indústria, em fevereiro, em relação ao mês anterior teve perfil disseminado de taxas negativas, alcançando três das quatro grandes categorias econômicas, e 14 dos 26 ramos pesquisados. O setor de produção de bens de consumo duráveis apresentou queda de 4,6%, na mesma base de comparação. Foi o segundo mês seguido de redução na produção, com queda acumulada de 5,5% no período.


As categorias de bens de capital e de bens de consumo semi e não-duráveis também registraram taxas negativas em fevereiro, de 1,5% e 0,3%, respectivamente, com o primeiro interrompendo nove meses de resultados positivos. O segundo, por sua vez, reverteu o avanço de 1,7% assinalado em janeiro. Somente a de setor de bens intermediários apresentou taxa positiva em fevereiro de 2021, de 0,6%, eliminando parte da queda de 1% de janeiro.


A produção de veículos automotores, reboques e carrocerias e a indústria extrativa foram os ramos de atividade que tiveram destaque entre as maiores quedas em fevereiro, de 7,2% e 4,7%, respectivamente. Essa retração do setor automotivo interrompeu nove meses de resultados positivos e alta acumulada de 1.249,2% no período.

Balança de março fecha positiva
A balança comercial brasileira teve um saldo positivo de US$ 1,482 bilhão em março, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia. Apesar do superavit, o desempenho é o pior para o mês desde 2015, quando o saldo foi de US$ 455,5 milhões. A piora em relação ao ano passado é fruto de um crescimento mais acelerado da média diária das importações do que nas exportações.


As aquisições vindas do exterior somaram US$ 23,023 bilhões em março, com média diária 51,7% superior ao observado em igual mês de 2020. Já os embarques para fora do país totalizaram US$ 24,505 bilhões, com alta de 27,8% na média diária na mesma base de comparação.


No primeiro trimestre do ano, a balança comercial brasileira acumulou superavit de US$ 1,648 bilhão. Esse também é o pior desempenho para o período desde 2015, quando houve deficit de US$ 5,577 bilhões. O governo também divulgou o saldo comercial das últimas semanas de março: na quarta (entre os dias 22 e 28), houve deficit de US$ 782 milhões. A recuperação veio na quinta semana (de 29 a 31), com superavit de US$ 1,123 bilhão.

Otimismo

Apesar de um primeiro trimestre com o pior saldo comercial desde 2015, a balança deve melhorar nos próximos meses e encerrar o ano com recorde positivo, prevê o Ministério da Economia. As estimativas apontam saldo favorável de US$ 89,4 bilhões, o que, se confirmado, será 75% maior que o ano passado e um recorde na série histórica.


O secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Lucaz Ferraz, explicou que as projeções foram atualizadas com base na perspectiva de uma vacinação contra Covid-19 mais rápida em diversos países, sobretudo nos mais desenvolvidos. Além disso, o pacote fiscal de estímulo aprovado pelos Estados Unidos, no valor de US$ 1,9 trilhão, deve impulsionar o crescimento da economia americana e gerar efeitos positivos para outros países, entre eles, o Brasil. O cenário de juros baixos também contribui para a melhora no saldo comercial.
Na previsão do início do ano, o governo projetava superavit de US$ 53,0 bilhões para 2021. Na nova estimativa, tanto o desempenho das exportações quanto o das importações melhoraram: os técnicos esperam exportações de US$ 266,6 bilhões e importações, de US$ 177,2 bilhões.
Ferraz disse que a corrente de comércio já vem melhorando desde o terceiro trimestre de 2020. Mas admitiu que há o risco de uma nova onda de Covid-19, inclusive pelo surgimento de novas variantes, mas avaliou que isso não deve alterar de maneira significativa as projeções para o comércio exterior.
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