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Notícia de Economia

BAHIA

Rui Costa rebate Bolsonaro: "O governo, agora, está negando a economia"

Publicado em: 12/01/2021 21:56

 (Foto: Reprodução/Facebook)
Foto: Reprodução/Facebook
O governo da Bahia concedeu quase R$ 1 bilhão de incentivos fiscais à Ford nos últimos três anos. Porém, não recebeu nenhum pedido de ampliação dos benefícios recentemente. Por isso, o governador baiano, Rui Costa (PT), acredita que a decisão da montadora de paralisar a produção no país não passa por esta questão, diferentemente do que afirmou o presidente Jair Bolsonaro.

"Mais uma vez, o governo erra em negar fatos e negar a realidade. Já tem negado a ciência na pandemia e, agora, está negando a economia. Quero reafirmar que, para o governo do estado, a Ford não solicitou nenhum novo incentivo e não tenho conhecimento de que tenha solicitado ao governo federal", declarou o governador baiano nesta terça-feira (12), pouco depois de o presidente Bolsonaro dizer que a Ford saiu do Brasil porque queria mais benefícios fiscais.

“Lamento os cinco mil empregos perdidos. Mas o que a Ford quer? Faltou a Ford dizer a verdade. Querem subsídios. Vocês querem que continuem dando R$ 20 bilhões para eles, como fizeram nos últimos anos? Dinheiro de vocês, do imposto de vocês para fabricar carro aqui? Não. Perdeu para a concorrência. Lamento”, reclamou Bolsonaro nesta manhã, um dia depois do anúncio do encerramento da produção da Ford no Brasil.

Alta do dólar

Rui Costa disse, por sua vez, que não acredita que a ausência de um novo incentivo tenha motivado a decisão da Ford. "Estamos falando de uma situação macroeconômica que torna inviável a produção industrial, não só para a Ford", retrucou. O petista disse que a indústria requer cada vez mais tecnologia, mas sofre com os custos de importação desses equipamentos no Brasil, por conta da alta do dólar.

"Importar com o dólar de R$ 5 a R$ 6 torna a produção industrial inviável. Para mim, é isso que está acontecendo. E, na minha opinião, é uma questão de dias para a gente ter outros anúncios Brasil afora de fechamento de indústria. [...] Infelizmente estamos vivenciando um processo de desindustrialização do país e defasagem cambial. E a ausência de política econômica só tem aprofundado isso", disparou o governador.

O petista ainda rebateu as críticas do presidente Bolsonaro aos programas de incentivos fiscais que beneficiaram a Ford e outras montadoras nos últimos anos. Ele disse que esses benefícios propiciam a realização de investimentos nas economias locais que superam a isenção. Também contou que, agora, R$ 500 milhões deixarão de circular na Bahia por mês por conta do fechamento da fábrica de Camaçari.

Segundo o governo baiano, o estado concedeu R$ 351 milhões de benefícios fiscais à Ford em 2018, R$ 368 milhões em 2019 e R$ 229 milhões em 2020. Em contrapartida, a montadora investiu R$ 2,5 bilhões na fábrica de Camaçari entre 2015 e 2019 e gerava cerca de 7 mil empregos diretos no estado, ainda de acordo com os cálculos do governo.

BNDES

A Ford ainda obteve dois contratos de financiamento direto, além de 30 contratos de financiamento indireto, em aberto com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo o banco, os contratos diretos somam R$ 335 milhões e foram firmados entre 2017 e 2019. Já os indiretos, que são intermediados por outros agentes financeiros, totalizam R$ 54,2 milhões.

Segundo o banco, os dois contratos principais visavam ao desenvolvimento de novos produtos no país e tinham cláusulas que exigiam a manutenção dos empregos da montadora durante a implementação desse projeto. O BNDES pontuou, por sua vez, que esse prazo já se encerrou, já que os financiamentos já passaram da metade do prazo total. O banco também informou que os pagamentos da Ford estão em dia.

Ainda assim, o BNDES entrou em contato com a montadora nessa segunda-feira (11), logo após o anúncio do encerramento da produção nacional da Ford, para pedir esclarecimentos sobre o fechamento das fábricas. "O Banco aguarda as respostas para avaliar os impactos da decisão da companhia sobre os financiamentos diretos ainda em curso", informou o BNDES, em nota.
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