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Notícia de Economia

Balanço do ano

Retrospectiva 2020: atividades econômicas no compasso da pandemia

Publicado em: 29/12/2020 09:00 | Atualizado em: 28/12/2020 20:16

Bares e restaurantes ficaram sem receber clientes, funcionando apenas com delivery ou retirada. (Foto: Pixabay/Reprodução)
Bares e restaurantes ficaram sem receber clientes, funcionando apenas com delivery ou retirada. (Foto: Pixabay/Reprodução)

O começo do ano de 2020 indicava uma recuperação da economia nacional, inclusive pernambucana, mesmo que de forma ainda lenta. Mas, em março, o mundo foi pego de surpresa com a pandemia do coronavírus. A economia quase parou. Em Pernambuco, no dia 22 de março, um decreto suspendeu comércio, serviços e obras não essenciais. Com os casos da Covid-19 ainda em alta, o estado passou por um período de medidas ainda mais restritivas, quando só se podia sair de casa para questões essenciais. Só a partir de 1º de junho as atividades começaram a ser flexibilizadas, dentro do Plano de Convivência elaborado pelo Governo de Pernambuco para ser colocado em prática em 11 etapas. Com os números do coronavírus em queda ou estabilidade, todas seguiram sem retrocesso, dando fôlego às atividades econômicas em Pernambuco. Até dezembro, quando novas restrições voltaram a ser impostas. Apesar da recuperação apresentada por algumas atividades, os impactos da pandemia vão marcar o fechamento do ano para a economia estadual.

O comércio estava entre as primeiras atividades liberadas a flexibilizar, gradativamente. Porém, a demanda foi retomando aos poucos, principalmente para alguns setores, como eletrodomésticos, que acumula alta de 38% entre janeiro e outubro no estado, segundo a última pesquisa do IBGE. O auxílio emergencial, que injetou R$ 10,7 bilhões entre abril e outubro na economia pernambucana, foi um dos fatores que segurou o poder de consumo. Porém, o terceiro trimestre é o que promete melhor resultado para o comércio, impulsionado pelas compras de final de ano e o 13º salário. As obras de construção também foram liberadas na primeira etapa do plano de flexibilização, um setor importante porque engloba uma cadeia, tanto na indústria quanto na geração de empregos. 

Os bares e restaurantes passaram mais de 120 dias atendendo apenas por delivery ou retirada no local e voltaram a funcionar no dia 20 de julho, ainda com restrições, como a capacidade máxima de 70% limitada até hoje. As atividades estão inseridas no setor de serviços, que acumulou queda de 14,3% entre janeiro e outubro em Pernambuco, segundo o IBGE. Os eventos, sejam corporativos, sociais e culturais, só foram liberados a partir de setembro, por etapas. Primeiro com capacidade de até 100 pessoas e depois de até 300. A previsão era ampliar a capacidade para eventos específicos até 1.500 pessoas a partir de dezembro, porém o governo do estado recuou por conta do novo aumento dos casos do coronavírus. Os eventos maiores, públicos e privados, estão suspensos até o carnaval de 2021. 

Indústria de produtos de higiene pessoal, considerados essenciais durante a pandemia, cresceu 7,4% no acumulado do ano. (Foto: Asa/Divulgação)
Indústria de produtos de higiene pessoal, considerados essenciais durante a pandemia, cresceu 7,4% no acumulado do ano. (Foto: Asa/Divulgação)

Setores liberados também foram impactados


Algumas atividades não precisaram parar por conta do decreto do Governo de Pernambuco, mas, ainda assim, foram afetadas pela pandemia do coronavírus. O setor do turismo foi um deles. No início das medidas restritivas, apenas 10% da rede hoteleira seguiu em funcionamento no estado, com apenas 7% de ocupação. A retomada, mês a mês, foi baseada, principalmente, pelo turismo regional, apostando nos próprios visitantes pernambucanos e de estados vizinhos. A expectativa era que a ocupação atingisse em torno de 70% no final de ano, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Pernambuco (ABIH-PE).

O número de voos e passageiros também foi sendo incrementado no Aeroporto do Recife. Em novembro, segundo a Aena, foram 537 mil passageiros, 11% a mais que outubro. Porém, o resultado não compensa as perdas do ano. De janeiro a novembro foram 4,9 milhões, contra 7,9 milhões no mesmo período de 2019. A expectativa é fechar o ano com saldo de 45% a menos no número de passageiros sobre 2019. 

A indústria também foi um setor que manteve as atividades durante a pandemia. E a produção de itens considerados essenciais foi o que conseguiu manter a atividade. Segundo o IBGE, no acumulado de janeiro a outubro, a produção industrial de Pernambuco registrou alta de 2,4%, enquanto a queda no Brasil foi de 6,3%. A produção de alimentos (12,3%) e higiene pessoal (7,4%), considerados itens essenciais durante a pandemia, impulsionaram o setor. 

Taxa de desocupação atingiu 17,9% no estado em outubro, o sexto maior percentual do Brasil. (Foto: Valdecir Galor/SMCS/Divulgação)
Taxa de desocupação atingiu 17,9% no estado em outubro, o sexto maior percentual do Brasil. (Foto: Valdecir Galor/SMCS/Divulgação)

Deteriorização no mercado de trabalho


Se o cenário já era difícil para mercado de trabalho Pernambuco, a pandemia voltou a trazer dificuldades. A taxa de desocupação, segundo a Pnad Covid do IBGE, atingiu 17,9% no estado, o sexto maior percentual do Brasil e o maior para o estado desde o início da pesquisa, em maio. O crescimento foi de 6,9% em relação a outubro, quando a taxa foi de 17,1%. Tendência de alta que se seguiu mês a mês, já que em maio o percentual foi de 10,5%. Os índices só não foram mais acentuados negativamente por conta das medidas adotadas pelo governo federal, em relação à antecipação de férias, suspensão do contrato ou redução do salário. 

Já, segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), Pernambuco conseguiu recuperar, ao longo dos meses os postos de trabalho. Enquanto em janeiro e fevereiro apresentava estabilidade, com a perda de 605 e 320 vagas, março teve o pior registro do ano até novembro, com saldo negativo de 58.507 empregos. Em abril, o número seguiu alto, com saldo de menos 27.884 vagas. Maio e junho também apresentaram saldos negativos, de 8.189 e 3.922, respectivamente, mas já mostrava uma recuperação. Depois, os meses subsequentes apresentaram saldo positivo, saindo de 5.553 em julho, passando por 22.076 em setembro e chegando a 13.754 em novembro. 
 
Porém, ainda assim, a alta durante cinco meses consecutivos não foi capaz de recuperar as perdas ao longo do ano e o saldo do acumulado entre janeiro e novembro é da perda de 2.760 vagas. O setor que teve o pior desempenho foi o de comércio, com saldo negativo de 2.631 empregos, seguido de serviços (-1.315) e construção (-651), revelando os impactos da pandemia nestas atividades econômicas.

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