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Notícia de Economia

Pandemia

Aposta na capilaridade da indústria pernambucana para crescer

Publicado em: 25/12/2020 14:28

O setor de bebidas pode ter impacto negativo em 2021 caso a pandemia volte a crescer.
 (Foto: CNI/Divulgação)
O setor de bebidas pode ter impacto negativo em 2021 caso a pandemia volte a crescer. (Foto: CNI/Divulgação)

O cenário no início da pandemia, entre março e abril, era de total incerteza para a produção industrial de Pernambuco, com expectativas negativas para o fechamento de 2020. Porém, mês a mês, a recuperação foi acontecendo a ponto de o ano fechar com balanço positivo. Agora, para as projeções para o desempenho da indústria pernambucana em 2021, o panorama de incerteza está de volta, principalmente por não se ter uma definição em relação ao comportamento do coronavírus e também à perspectiva de fim do pagamento do auxílio emergencial, que vai impactar no poder de consumo. Porém, devido à grande capilaridade da indústria em Pernambuco, alguns setores prometem continuar se destacando e devem sustentar os números da produção industrial estadual no próximo ano.

Até outubro, último dado divulgado pela Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, Pernambuco registrava crescimento de 2,4% no acumulado do ano. O desempenho é bem melhor do que a média nacional, que teve queda de 6,3% no mesmo período. Apesar de ainda não ter o fechamento do ano, o desempenho promete ser positivo. 

"Não foi tão ruim quanto a gente imaginava quando começou a pandemia em março. A indústria está crescendo e isso se deve à composição do nosso parque industrial. Alguns setores foram beneficiados com o auxílio emergencial, como o de alimentos e higiene e limpeza. A gente previa, entre março e abril, que o ano seria um desastre, mas vai ser melhor do que esperava. Mas a economia não se recuperou como um todo, comércio e serviço ainda estão patinando", afirma Maurício Laranjeira, gerente de Relações Industriais da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe).

Para 2021, há dois cenários para serem observados. O primeiro é que o auxílio emergencial vai terminar e o segundo é que ainda não se sabe como a pandemia vai se comportar. "São duas barreiras, não sabemos como a economia vai se comportar com isso. Se os casos de coronavírus aumentarem, vão ter medidas restritivas, a população vai continuar perdendo emprego e o poder de consumo. Vai ser como abril e maio, podemos voltar a ter problemas como antes. Inclusive, a indústria pode voltar a ter problema para comprar matéria-prima", detalha. 

Porém, alguns setores prometem não sentir tanto os efeitos, assim como aconteceu ao longo de 2020. "Os de alimentos e higiene e limpeza vão continuar conseguindo se destacar. O de bebidas pode ser que sofra dependendo das restrições. Quando os bares fecharam, sofreu muito porque o consumo de casa não cobre. Mas o de bebidas recuperou as perdas e agora está crescendo. Construção também não sabe o que pode acontecer. Não sabe como os juros vão se comportar e, se subir, prejudica", ressalta Laranjeira. Também é positiva a perspectiva em torno da geração de empregos. "Acredito que mantém, não vai ter um baque porque a indústria já estava muito enxuta. Se enxugar mais, prejudica a produção", conclui.

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