Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Digital Digital Digital Digital
Digital Digital Digital Digital
Notícia de Economia

AUMENTO

Prévia da inflação sinaliza que alta dos preços vai além dos alimentos

Publicado em: 25/11/2020 07:20

 (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
)
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
A prévia da inflação brasileira subiu 0,81% neste mês, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15). O resultado é o maior para o mês de novembro desde 2015 e reflete não apenas a alta dos alimentos, mas a presença da inflação por outros itens do dia a dia dos brasileiros. Por isso, fez o mercado elevar novamente as expectativas de inflação em 2020, o que deve aumentar a cautela do Banco Central (BC) nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).

O IPCA-15 de novembro, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), veio acima das estimativas de mercado, que projetava um resultado de 0,72%. Mostra que a inflação desacelerou menos do que o esperado após o pico registrado em outubro, quando o IPCA-15 alcançou 0,94%, mas também que a carestia está cada vez menos restrita aos alimentos. Segundo o IBGE, comida continua respondendo pela maior parte do custo e subiu mais 2,16% no início deste mês. Porém, todos os outros grupos de produtos analisados no cálculo do IPCA também registraram aumento de preços em novembro, com destaque para transportes (1%), artigos de residência (1,4%) e vestuários (0,96%).

Coordenador do índice de preços da Fundação Getulio Vargas, o economista André Braz explicou que os alimentos continuam subindo por conta da alta do dólar e das exportações brasileiras, que aumentam o preço e reduzem a oferta de itens como soja, milho e arroz no mercado doméstico. Segundo ele, com a moeda norte-americana em alta, também tem encarecido os insumos da indústria, que já começa a repassar os custos a produtos como móveis (2,40%), eletrodomésticos e equipamentos (2,23%) e roupas (0,84%).

Recomposições
Além disso, a retomada de atividades que haviam sido reduzidas na quarentena também enseja uma recomposição de preços, como ocorreu nas passagens aéreas (3,46%) e na alimentação fora do domicílio (0,87%). “A alimentação não para de surpreender e houve um espalhamento maior da inflação”, observou Braz.

Com isso, a inflação acumulada neste ano chegou a 3,13% pelo IPCA-15. No acumulado nos últimos 12 meses, o índice avançou de 3,52% para 4,22%, em novembro, ficando um pouco acima da meta de inflação deste ano, que é de 4%.

O resultado fez o mercado rever novamente as projeções. A XP Investimentos, por exemplo, elevou de 3,6% para 3,9% a expectativa para o IPCA de 2020, pois acredita que a inflação oficial deve repetir os 0,86% de outubro em novembro e desacelerar somente para 0,80% em dezembro.

Braz também reviu suas projeções de 3,5% para 3,7%, pois não vê uma redução da pressão cambial no curto prazo e lembra que o fim de ano costuma ter aumentos nos preços de alimentos in natura. “O cenário piorou um pouco. Agora, o risco de ter um desafio maior com a inflação no ano que vem é maior”, observou.

O economista acredita que, se essa pressão inflacionária persistir no início de 2021, o BC pode ser forçado a elevar a taxa básica de juros (Selic) antes do que imaginava. Hoje, o mercado acredita que a Selic vai continuar na mínima histórica de 2% até o início do segundo semestre de 2021.
Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.
Enem em plena pandemia vira desafio em dobro para estudantes
Enem para todos com o Fernandinho Beltrão #369 #370 Isolamento geografico, reprodutivo e genético
Manhã na Clube com Rhaldney Santos - 15/01
Amazonas anuncia toque de recolher
Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco