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Notícia de Economia

PREGÃO

De olho nas eleições americanas, Bolsa de SP começa a semana em alta

Publicado em: 04/11/2020 07:19

 (Foto: Nelson ALMEIDA / AFP)
Foto: Nelson ALMEIDA / AFP
A Bolsa de Valores de São Paulo (B3) abriu a semana em clima de otimismo e acompanhou o bom humor dos mercados internacionais, em dia de eleição presidencial nos Estados Unidos. A B3 encerrou o pregão, ontem, com alta de 2,16%, a 95.979 pontos, embalada também pelo aumento dos preços das commodities. O dólar registrou valorização de 0,42%, encerrando o dia cotado a R$ 5,762 para a venda.

As bolsas europeias, animadas com as pesquisas indicando vantagem para o democrata Joe Biden na corrida à Casa Branca, e, consequentemente, uma volta dos EUA ao Acordo de Paris e às conversas para o tratado de livre comércio com a União Europeia, subiram pelo segundo dia consecutivo. Frankfurt avançou 2,55% e Milão subiu 3,19%.

Em Nova York, as bolsas também voltaram a subir em uma guinada no humor com a expectativa de vitória de Biden com vantagem ampla, o que afastaria o risco de questionamentos na Justiça pelo rival republicano, o presidente Donald Trump. O Índice Dow Jones registrou alta 2,06% e a Nasdaq, bolsa das empresas de tecnologia, encerrou com elevação de 1,86%.

O economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, avaliou que a alta generalizada nas bolsas é um claro sinal de que o mercado virou e estava apostando na vitória do democrata. Segundo ele, os operadores não queriam saber da ameaça feita por Trump de recorrer à Justiça se perder.

“Essa mudança no humor dos agentes financeiros mostra que os operadores querem afastar qualquer risco de uma judicialização, o que seria um cenário muito incerto. Eu vejo por aí essa mudança do mercado, que estava mais pessimista na semana passada com Biden à frente nas pesquisas. Acho que essa é a resposta deles à ameaça de Trump. O mercado é pragmático: ele não é democrata nem republicano”, frisou.

No entender do diretor para Américas da consultoria Eurasia Group, Christopher Garman, as bolsas subiram, em grande parte, na expectativa de uma vitória de Biden com maioria democrata no Senado. “Isso tende a ser bom, porque leva a um pacote de estímulo fiscal grande se os democratas controlarem o Senado. E também porque houve sell off (forte venda de posições) semana passada”, destacou.

Definição
Pelas projeções da Eurasia, Biden teria 80% de probabilidade de vitória e, caso obtenha maioria dos votos nos estados da Flórida, da Carolina do Norte e do Arizona, a definição seria mais rápida, o que animou os investidores do mercado financeiro –– que buscam se afastar de qualquer indefinição prolongada, como ocorreu em 2000, durante a disputa eleitoral entre o democrata Al Gore e o republicano George W. Bush.

A escalada da B3 foi mais forte na última hora do pregão, por causa das pesquisas indicando a vitória de Biden. “É preciso que tenha uma margem ampla para afastar qualquer risco de questionamento na Justiça do resultado”, destacou o cientista político norte-americano David Fleisher, professor emérito da Universidade de Brasília (UnB).

No primeiro pregão da semana, o Índice Bovespa, principal indicador da B3, chegou a 96.406 pontos, mas não conseguiu se sustentar nesse patamar até o fechamento e recuou um pouco. Gonçalves, do Fator, lembrou que, como o Senado não votou o projeto de autonomia do Banco Central antes do fechamento da Bolsa, houve frustração do mercado. De certa forma, isso ajudou na falta de fôlego para a B3 ficar acima de 96 mil pontos no fim do dia. O volume negociado ao longo do dia somou R$ 28,9 bilhões.
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