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Brasileiro está mais realista que no início do governo Bolsonaro, aponta levantamento

Por: AE

Publicado em: 12/07/2019 16:22 | Atualizado em: 12/07/2019 16:37

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O brasileiro tem hoje uma avaliação mais realista da situação econômica do País do que tinha há seis meses, pela ocasião da posse do presidente Jair Bolsonaro (PSL), conclui levantamento feito pela Kantar Brasil Insights e a Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi).

A pesquisa foi feita entre os dias 27 de maio e 7 de junho e ouviu 1.000 pessoas com idades de 18 e 65 anos em todas as regiões do País, sendo 600 mulheres e 400 homens. Do total dos participantes, 78% estão mais cautelosos em relação a 2019 do que eram no começo do ano. Ainda, segundo conclusão da Kantar e da Acrefi, embora o cenário atual seja mais promissor que o passado, a expectativa de melhora, para a maioria, está para os próximos dois anos.

Segundo o levantamento, divulgado na quinta-feira, 11, ainda que apenas 13% da população avalie a situação do País como ótima ou boa, trata-se do melhor resultado nos últimos 3 anos. Também melhora a avaliação de um cenário que era péssimo ou ruim, para regular.

O processo de substituição do otimismo elevado do começo do ano por uma perspectiva mais realista em relação à economia em geral bem como da própria situação financeira resulta de uma preocupação bastante elevada de 56% dos jovens de 18 a 28 anos.

Para 38% dos pesquisados, o consumo das famílias vai melhorar. Para 24% deve permanecer como está e para 34%, piorar. A oferta de crédito vai melhorar em 2019 para 36% do universo das pessoas consultadas. Para 33% será igual e para outros 32% a oferta de crédito vai encolher ainda mais.

À pergunta sobre qual é a expectativa em relação ao crescimento do País e sobre a taxa de juros, 48% acreditam que o Produto Interno Bruto (PIB) vai crescer. Uma fatia de 25% dos entrevistados acredita que a economia permanecerá como está e 27% veem espaço para piora. No que se refere à taxa de juro, o cenário mostra-se ainda mais desalentador porque 40% dos entrevistados vislumbram piora, 28% acreditam que ficará igual e 32% apenas esperam melhora.

O desemprego é uma questão que preocupa principalmente os mais jovens, com idades entre 18 e 28 anos. Nesta faixa etária, 55% das pessoas temem pelo aumento do contingente dos desempregados e 45% acham que o desemprego não irá aumentar.
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Resistência nordestina em cartaz

Diego Rocha *
Celebrando a resistência da arte nordestina e a arte nordestina de resistir, o 21º Festival Recife do Teatro Nacional está em cartaz na cidade para confirmar a vocação de um povo à resiliência e à criatividade. Até o próximo dia 24, a programação montada com muita assertividade pela Prefeitura do Recife irá apresentar 12 espetáculos em vários teatros da cidade, entre eles seis montagens nacionais jamais vistas na capital do Nordeste.
Mas não está toda no ineditismo a urgência que esses espetáculos carregam. Mas também e principalmente na referência e reverência que muitos fazem à estética e às temáticas fincadas no árido solo fértil do Nordeste. Alguns textos, como o da montagem Ariano %u2013 O Cavaleiro Sertanejo, da companhia carioca Os Ciclomáticos sequer foram produzidos no Nordeste. Mas sabem, bebem e comungam do povo que somos. Foram buscar inspiração em autores ensolarados como Ariano Suassuna e os tantos tipos e símbolos que ele fundou e transportou do imaginário nordestino para o mundo.
Há na programação citações ainda mais explícitas à nossa produção teatral. Parido do punho do próprio Ariano, em carne e pena, o clássico Auto da Compadecida chega ao Festival com sotaque mineiro, numa belíssima montagem do Grupo Maria Cutia, com a direção cênica precisa e sensível de Gabriel Villela, que conseguiu unir a cultura do cangaço pernambucano ao barroco mineiro, sem sair da trilha aberta pelo Movimento Armorial de Ariano.
São montagens que nos representam e, ao mesmo tempo, nos apresentam a nós mesmos, além de nos hastear bandeira a congregar territórios artísticos, afetivos e cívicos, num país assombrado e repartido por um projeto de poder excludente. Em cima e embaixo dos palcos, durante e depois do 21º Festival Recife do Teatro Nacional, que a arte e a força nordestina persistam farol aceso a nos guiar.

* Presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife

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