GOVERNO BOLSONARO O que muda no BNDES com a troca de presidente

Por: Renato Souza - Correio Braziliense

Por: Hamilton Ferrari - Correio Braziliense

Publicado em: 18/06/2019 07:22 Atualizado em:

Foto: Arquivo/Agência Brasil
Foto: Arquivo/Agência Brasil
Depois de o presidente Jair Bolsonaro demonstrar profunda irritação com o então comandante do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), Joaquim Levy, no último sábado, o governo anunciou o economista Gustavo Henrique Moreira Montezano para ocupar a cadeira de chefia da estatal. Criticado por políticos e agentes do mercado financeiro, pela forma como o desligamento foi feito, o Palácio do Planalto se debruçou durante horas para bater o martelo sobre o nome que deverá “abrir a caixa-preta” da estatal.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, se reuniu nesta segunda-feira (17/6) duas vezes com Bolsonaro para tratar sobre o tema. Levy pediu demissão no último domingo após o presidente da República ter dito que a cabeça do economista estava “a prêmio”. O motivo seria a nomeação do executivo Marcos Barbosa Pinto, que trabalhou em gestões petistas, para uma direção do banco, o que desagradou o Planalto.

É a segunda vez que Joaquim Levy sai pela porta dos fundos do governo federal, sendo a primeira vez no fim de 2015, quando não teve voz como ministro da Fazenda da ex-presidente Dilma Rousseff. Bolsonaro sempre demonstrou insatisfação com a presença do economista no Executivo pelo fato de ter atuado na gestão petista, mas Guedes, num primeiro momento, bancou a permanência dele no BNDES.

Bolsonaro entende que o presidente do banco de fomento precisa ter uma postura mais incisiva contra as políticas adotadas no passado na estatal, ao revelar o que ele chama de “caixa-preta”. Nos governos petistas, o BNDES financiou empreendimentos questionáveis que não resultaram em crescimento econômico e aumento de empregos. Guedes também defende que a instituição financeira foi utilizada para financiar amigos dos governantes e cita, especialmente, o empresário Joesley Batista, da JBS, que é investigado pela Operação Lava-Jato.

Caberá ao economista e engenheiro Gustavo Henrique Moreira Montezano a missão de expor as políticas erradas do passado, “apontando para onde foram investidos em Cuba e na Venezuela, por exemplo”, segundo o porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros.

Montezano foi nomeado neste ano como secretário especial adjunto de Desestatização, uma espécie de “vice” do titular Salim Mattar, que também era cotado para a presidência do BNDES. A primeira baixa na equipe econômica, porém, não soou bem entre os agentes financeiros e parlamentares. O porta-voz da Presidência da República, Otávio Rêgo Barros, minimizou a substituição ao defender que a situação é normal, já que as medidas adotadas pelo governo buscam o interesse público e a “capacidade de colocar os projetos em andamento com vistas a atingir os resultados estabelecidos anteriormente”.

Ele adiantou que uma das ações é a devolução dos recursos do BNDES para o Tesouro Nacional. De 2008 a 2014, a estatal recebeu dinheiro do governo para fomentar o crescimento econômico e, desde então, devolve anualmente parte do que foi aplicado para minimizar os danos causados nas contas públicas. Levy deu andamento ao pedido, tanto é que, no fim de maio, a União recebeu R$ 30 bilhões do banco de desenvolvimento.

Rêgo Barros ressaltou também que Montezano deverá aumentar os investimentos em infraestrutura e saneamento. Na segunda-feira, Paulo Guedes ouviu auxiliares e correu contra o tempo para tentar conter a sangria com a demissão de Levy. Havia vários nomes na mesa, mas optou-se por uma solução caseira para evitar mais transtornos.

O líder da equipe econômica quer que Montezano trabalhe em sintonia fina com a Secretaria de Desestatização, para acelerar o programa de privatização, que, até agora, está na promessa. Uma das primeiras será os Correios, cujo presidente também foi demitido de forma intempestiva por Bolsonaro, num café da manhã com jornalistas.

Agradecimento
Em nota, o Ministério da Economia agradeceu a Joaquim Levy pela dedicação demonstrada enquanto presidente do BNDES. Com 38 anos, Gustavo Montezano foi sócio do BTG Pactual e trabalhava em Londres na ECTP (ex- BTG Pactual Commodities) antes de ir para o Ministério da Economia. Ele atuou 17 anos no mercado financeiro.

O novo presidente do BNDES fez mestrado em economia pela Faculdade de Economia e Finanças (Ibmec-RJ) e também é graduado em Engenharia pelo Instituto Militar de Engenharia (IME-RJ). Caberá ao Conselho de Administração do banco de fomento analisar a idoneidade e os requisitos para Montezano ocupar o cargo.


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.