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Temperaturas mais frias inibem crescimento de tumores em camundongos

Publicado em: 04/08/2022 14:30

 (crédito: Reprodução/Inmet)
crédito: Reprodução/Inmet
As temperaturas mais frias conseguiram dificultar o crescimento de células cancerígenas em camundongos, segundo uma pesquisa de especialistas do Instituto Karolinska, na Suécia.

Os resultados do estudo foram publicados na revista científica Nature, na quarta-feira (3), e demonstram que as temperaturas mais frias ativam a gordura marrom, que faz parte do tecido adiposo e produz calor que consome os açúcares que os tumores precisam para prosperar. Ou seja, o tecido adiposo marrom compete com os tumores pela glicose e essa ação pode inibir o crescimento de tumores.

Os pesquisadores compararam o crescimento do tumor e de taxa de sobrevivência de camundongos com vários tipos de câncer, quando expostos em condições quentes e frias. Aqueles animais que ficaram expostos a uma temperatura de 4°C apresentaram crescimentos mais lentos dos tumores e viveram o dobro do tempo em comparação aos que ficaram expostos a uma temperatura de 30°C.

Foram analisados marcadores no tecido adiposo marrom para estudar as reações celulares e os pesquisadores usaram exames de imagem para examinar o metabolismo da glicose. Normalmente, as células cancerígenas necessitam de grandes quantidades de glicose para crescer.

A gordura marrom é um tipo de gordura responsável por manter o corpo aquecido durante as condições de frio e os pesquisadores perceberam que as temperaturas frias desencadearam uma absorção significativa de glicose no tecido adiposo marrom.

Para comprovar a teoria, os pesquisadores removeram a gordura marrom ou uma proteína crucial para o metabolismo, chamada UCP1, e o efeito benéfico da exposição ao frio foi essencialmente eliminado: os tumores cresceram em um ritmo semelhante aqueles que foram expostos a temperaturas mais altas. Da mesma forma, quando os camundongos portadores de tumores receberam bebidas com alto teor de açúcar, o efeito das temperaturas frias também foi minimizado e o tumor voltou a crescer. 

Testes em humanos
 
A relevância dos resultados no organismo dos seres humanos também foi testada. Sete voluntários participaram: um deles com câncer e que fazia quimioterapia e os outros seis eram saudáveis. Foram feitas tomografias por emissão de pósitrons (PET) que revelaram uma quantidade significativa de gordura marrom ativada no pescoço, coluna e tórax de adultos saudáveis, que usavam shorts e camisetas enquanto eram expostos a uma temperatura ambiente de 16 °C por até seis horas por dia durante duas semanas.

Já o paciente com câncer usava roupas leves e ficou em uma sala com temperatura de 22°C por uma semana e depois em uma sala com temperatura de 28°C por quatro dias. Assim, os exames de imagem mostraram o aumento da gordura marrom e redução da captação de glicose do tumor durante a temperatura mais baixa em razão da mais alta.

"Estamos, portanto, otimistas de que a terapia fria e a ativação do tecido adiposo marrom com outras abordagens, como medicamentos, possam representar outra ferramenta no tratamento do câncer", ressalta Yihai Cao, um dos autores da pesquisa. 

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