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Notícia de Ciência e Saúde

PANDEMIA

Pesquisadores brasileiros desenvolvem vacina por spray nasal

Publicado em: 31/03/2021 17:07

 (Imunizante em estudo por pesquisadores da Unifesp, USP e InCor será associado à indução de células T a partir do uso de outros pedaços do vírus. Foto: Reprodução/Pixabay)
Imunizante em estudo por pesquisadores da Unifesp, USP e InCor será associado à indução de células T a partir do uso de outros pedaços do vírus. Foto: Reprodução/Pixabay
Mais de um ano depois do início da pandemia de Covid-19 no mundo, a ciência conseguiu desenvolver vacinas para conter o avanço dos casos e frear novas ondas de contágio. Porém, ainda há outros imunizantes em desenvolvimento para ajudar no combate à disseminação do novo coronavírus. Uma das possibilidades é o spray nasal, totalmente produzido no Brasil. 

Bem diferente do habitual, essa vacina está sendo estudada em parceria por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto do Coração (InCor).

Segundo informações das instituições, com baixo custo, o imunizante age produzindo uma resposta imunológica potente ativando as células B e T, linfócitos responsáveis pela imunidade humoral, produção de anticorpos e morte de células infectadas. 

“Nossa meta é entregar uma vacina 100% brasileira, que induza resposta imune à Covid-19 por duas vias: com anticorpos e com células T. Os anticorpos induzidos pelas vacinas convencionais, como a da febre amarela ou sarampo, são neutralizantes, ou seja, têm o papel de ‘encobrir’ a superfície do vírus que ameaça o organismo, impedindo sua entrada na célula hospedeira. Mas se algum vírus escapar dessa ‘frente de defesa’, consegue adentrar essa célula, infectando-a. A partir desse momento, o anticorpo não consegue fazer mais nada.” 

“Quando o vírus entra na célula, quem defende o organismo é a célula ‘T’, que pode tanto estimular a produção de anticorpos quanto, mais importante após a invasão, ‘assassinar’ as células invadidas”, explica Daniela Santoro, imunologista e docente da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp) e uma das pesquisadoras envolvidas no desenvolvimento da vacina. 

O projeto é custeado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTIC) e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). “A pesquisa abre um importante precedente para o desenvolvimento de tecnologia em saúde no país, hoje dependente dos insumos importados para prosseguir com a imunização da população. Trata-se de uma oportunidade de gerar conhecimento para que, no futuro, o Brasil possa ter domínio ainda maior sobre cada etapa da produção de uma vacina”, lembra Daniela Santoro. 

O ESTUDO 
Segundo os pesquisadores, para desenvolver a vacina, está sendo estudada a resposta imune de pacientes que já contraíram a Covid-19 a partir de suas amostras de sangue. “Uma parte do grupo acompanhou a resposta imune dos anticorpos, e a outra parte estudou a resposta imune celular”, descreve Daniela Santoro. 

Para desenvolver vacinas que estimulam a produção de anticorpos são mapeadas as regiões do micro-organismo determinantes para o início da infecção. No coronavírus, o componente mais crítico do vírus é seu invólucro, composto pela proteína Spike, que se liga à Enzima Conversora da Angiotensina II (ACE II) das células-alvo.

“Há um pedaço dessa proteína, específico, que se encaixa nos receptores das células pulmonares, por exemplo. Esse pedacinho é alvo de anticorpos neutralizantes das vacinas que foram aprovadas e estão em uso. A vacina que estamos desenvolvendo terá esse mecanismo (anticorpos) associado à indução de células T, a partir do uso de outros pedaços do vírus, chamados epítopos”, explica a pesquisadora. 

O projeto está na fase de conclusão dos ensaios pré-clínicos, com previsão de proteção contra as novas variantes do vírus em circulação. Caso seja aprovado, o projeto entra para a etapa de ensaios clínicos de fase 1 e 2, o que precisa ser avaliado e autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 
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