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Notícia de Ciência e Saúde

CONSEQUÊNCIAS

Pandemia pode desencadear ou agravar sintomas do TOC

Publicado em: 28/10/2020 11:01

 (Foto: Divulgação)
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O hábito de lavar as mãos, alimentos e até objetos se intensificou nos últimos meses devido à pandemia de Covid-19. Entretanto, é preciso estar atento ao que é cuidado e ao que pode estar extrapolando o limite do necessário, elevando, assim, os riscos de desenvolvimento do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC). A situação também ameaça pessoas sem preocupações pré-existentes, que podem cair na armadilha de lavagem compulsiva das mãos, descobrindo que o processo, realizado de forma estereotipada e cronometrada, proporciona alívio da ansiedade. 

Para o psiquiatra Júlio Gouveia, sintomas como ansiedade, preocupação excessiva e insegurança são alguns dos sinais associados ao transtorno. O medo da contaminação, o receio de infectar terceiros inconscientemente e o consumo excessivo de notícias relacionadas à pandemia são situações agravantes para o processo. “As pessoas que já são suscetíveis ao TOC, assim como a população em geral, precisam receber informações precisas sobre os reais riscos, a fim de impedir o desenvolvimento ou exacerbação de problemas de saúde mental”, reforça.

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o TOC acomete de 3 a 4 milhões de pessoas no mundo todo. O especialista explica que lavar ou desinfetar as mãos inúmeras vezes sem ao menos ter saído do lugar não é um comportamento comum. “Não podemos tratar um transtorno com naturalidade, independentemente do momento que estejamos passando. A rotina de higiene é fundamental para todos, mas é importante observar se o hábito não está afetando a sua saúde mental”, frisa Júlio. 

A dona de casa Catarina Lapa não se reconhece como portadora da síndrome, mas já identificou comportamentos que remetem ao TOC, adquiridos durante a pandemia. “Em uma das mãos percebo que já não tenho mais as impressões digitais, de tanto que tenho utilizado produtos de limpeza e, quando não estou em casa, abuso do álcool nas mãos pelo medo de contrair o vírus”, detalha Catarina, que justifica a prática devido aos cuidados com a filha de cinco anos.

Ainda segundo o psiquiatra, criar uma rotina de medo, promovendo hábitos repetitivos com a falsa sensação de alívio e proteção são muito prejudiciais e podem prolongar o sofrimento. “A lavagem das mãos, por exemplo, não deve ser usada como uma resposta à ansiedade, mas ao contato externo com algum possível elemento de contaminação. Também não há necessidade de desinfetar bancadas dentro de casa com mais frequência se não houver contato com objetos externos”, acrescenta o psiquiatra.
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