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Região onde Dom e Bruno desapareceram registra aumento de mortes violentas

Publicado em: 12/06/2022 08:43 | Atualizado em: 12/06/2022 08:53

 (Reprodução/Redes sociais )
Reprodução/Redes sociais
A complexidade da Amazônia Legal não está somente na natureza, mas, ao longo dos anos, se tornou um desafio na segurança pública para o governo. A geografia da região, com longas distâncias, proximidade com fronteiras de países exportadores mundiais de ilícitos, como Colômbia, Peru e Bolívia, é um atrativo para o narcotráfico, que se proliferou. Consequentemente, o aumento de mortes violentas intencionais (MVI) cresceu de forma significativa, segundo o estudo Cartografias das Violências na Região Amazônica.

Esse é o cenário em que o indigenista Bruno Pereira e o jornalista inglês Dom Philips atuavam quando desapareceram, há uma semana. Em um recorte entre 2011 e 2020, a taxa de MVI saltou 47,3%, o que significa que a região Amazônica tem uma taxa de 30,2 mortes para cada 100 mil habitantes.

O indigenista, que tinha profundo conhecimento da região, também tinha um histórico de ameaças recebidas de invasores. Por meio da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari, havia feito denúncias aos órgãos de investigação, como Ministério Público Federal (MPF) e Polícia Federal do Amazonas — ontem mais uma testemunha confirmou as ameaças ao indigenista.

O MPF-AM informou que, na ocasião, instaurou um procedimento de apuração do caso, que corria em sigilo. "Procuradoras da República que atuam em Tabatinga estiveram em Atalaia do Norte, no fim de maio, para uma série de reuniões relacionadas a objetos de atuação do MPF na região, entre os temas estava a apuração em questão, para levantamento de informações que pudessem subsidiar os procedimentos", explicaram, em nota.

O problema é que, na região, celeridade é uma questão de definição entre a vida e a morte. Para o coordenador da Comissão de Assuntos Indígenas da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), Ricardo Verdum, foram decisões governamentais que levaram a esse quadro. "É mais complexo, é uma cadeia de decisões das quais participam as decisões de políticas públicas, o que está sendo incentivado ou o que não está sendo reprimido. Por exemplo, o ouro que sai da Amazônia e vai parar na Europa não vai voando, tem uma rede que leva, uma rede de organização. Tudo isso vai criando uma trama na região", explicou.

Ex-indigenista da Fundação Nacional do Índio (Funai) e especialista em povos indígenas isolados do Brasil, Sidney Possuelo frisa que o governo federal não pode se descuidar da região, porque além das facilidades para o tráfico, há a cobiça nas riquezas naturais. "O estado não pode de jeito nenhum não estar presente, tem contigentes pequenos, mas o estado está lá. É uma área cobiçada porque é cheia de riquezas naturais, como madeira, talvez ouro nos rios, tem a caça, a pesca, tem tudo que os invasores cobiçam. A presença do Estado através de instituições é fundamental", pontuou.

O especialista explica que o avanço do narcotráfico ocorreu quando aconteceram as repressões das facções, especialmente no Rio de Janeiro. Os grupos, como Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC), se deslocaram e ramificaram em novas redes de conexões, inclusive internacionais. "À medida que houve uma fragilização das fronteiras, eles vão ocupando especialmente regiões onde é possível gerar dinheiro rápido de forma ilícita"
 
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