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MORTE

Ato pede justiça por Bruno e Dom

Publicado em: 21/06/2022 08:46

Protesto na Praça 7, no Centro da capital, reuniu dezenas de pessoas de organizações como Greenpeace e Engajamundo (Foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
Protesto na Praça 7, no Centro da capital, reuniu dezenas de pessoas de organizações como Greenpeace e Engajamundo (Foto: Túlio Santos/EM/D.A Press)
O assassinato do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira mobilizou diversas manifestações pelo país ontem. Em Belo Horizonte, o ato foi realizado na Praça 7, no Centro da capital, e reuniu cerca de 40 pessoas. A organização aponta que policiais militares tentaram intimidar o grupo. Na Praça, manifestantes levaram cartazes e até plantas para simbolizar a luta dos ambientalistas. Eles também ecoaram gritos por justiça por Dom e Bruno, além de Chico Mendes, Dorothy Stang e outros ativistas que também foram assassinados por defender causas ambientais.

De acordo com o estudo feito pela ONG internacional Global Witness, ressaltado pelos manifestantes, o Brasil é o quarto país que mais mata ativistas ambientais. Várias organizações, como Greenpeace e Engajamundo, pedem justiça pela dupla e ações para evitar a morte de mais ambientalistas na Amazônia.

Nos atos de ontem em todo o país, Greenpeace; Engajamundo; Subverta; Juntos MG; Juntas MG; Ecoar Juventude; Minas pelo Futuro; Fridays For Future; Ah, é Lixo!; Brigadas Populares; Projeto Pomar BH; Andes; Movimento Mineiro pelos Direitos Animais; Comitê Mineiro de Apoio à Causa Indígena; Articulação de Resíduos Orgânicos BH; Afronte MG; e Boi Rosado Ambiental foram as organizações que participaram.

De acordo com Izabella Liberato Lage, ativista da Engajamundo, uma das organizadoras da manifestação, o ato simboliza que, mesmo com a morte dos colegas, a luta que eles defendiam vai continuar. “Querem silenciar os povos que gritam e clamam pela floresta. Esse ato é uma forma de dizermos que não conseguirão nos calar. Estamos cansados de ver ambientalistas e indígenas assassinados. Mesmo a gente morando no Sudeste, estamos ligados com o que está acontecendo no Norte e vamos lutar pela causa da vida indígena”, ressaltou.

Ela ainda reforçou a importância da mobilização. “Essa manifestação está acontecendo em vários lugares do Brasil e temos medo de que não tenha muito efeito porque sabemos que o governo é parcial. Mas a gente sabe que as manifestações geram mobilização popular. E estamos pressionando os órgãos públicos para tentarem enfrentar o que está acontecendo”, disse.

Além disso, ela apontou que houve tentativa de intimidação da Polícia Militar. “Estamos aqui e policiais militares vieram mostrar arma para nos amedrontar, mas não vão nos parar porque estamos no nosso direito”, afirmou. No mesmo momento em que o grupo estava mobilizado na Praça 7, várias viaturas passaram pelo local com sirene ligada circulando em torno do Pirulito. Na última semana, um ato foi realizado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e agora na Praça Sete. Outras mobilizações estão sendo discutidas com outras organizações nacionais. O Estado de Minas entrou em contato com a Polícia Militar, mas não houve resposta até o fechamento dessa edição.

Investigação Dom e Bruno desapareceram em 5 de junho, ao passar pela comunidade de São Rafael. De lá, partiram numa embarcação para uma viagem de cerca de duas horas, mas não foram mais vistos. Na quarta-feira, o superintendente da Polícia Federal (PF) no Amazonas, Alexandre Fontes, afirmou que Amarildo da Costa Oliveira confessou ter assassinado Bruno e Dom. Restos mortais foram encontrados enterrados no local indicado pelo suspeito e chegaram a Brasília na noite de sexta-feira. O exame de arcadas dentárias confirmou a compatibilidade de parte do material com o jornalista britânico e o indigenista. As vítimas foram mortas a tiros e tiveram seus corpos esquartejados e enterrados.

A PF informou ontem que recuperou no domingo à noite a lancha na qual viajavam Dom Phillips e Bruno Pereira quando desapareceram na Amazônia antes de ser assassinados. “A embarcação será submetida nos próximos dias aos exames periciais necessários, de modo a contribuir com a completa elucidação dos fatos”, afirmou a PF em nota. Segundo o comunicado, a lancha foi encontrada a “20 metros de profundidade, emborcada com seis sacos de areia para dificultar a flutuação, a uma distância de 30 metros da margem direita do Rio Itacoaí”.

Além da embarcação, coberta por lodo, as autoridades informaram a descoberta de um motor de barco e quatro tambores pertencentes a Pereira. Jeferson da Silva Lima, conhecido como "Pelado da Dinha", o terceiro suspeito detido no sábado, foi quem indicou a localização da lancha. A PF também identificou outras 5 pessoas suspeitas de terem “participado da ocultação dos cadáveres”, encontrados na quarta-feira. 
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