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Aldeia da Vida recebe os Yawanawá, tribos originárias, para cerimônias espirituais e ancestrais

Publicado em: 03/01/2022 09:30 | Atualizado em: 03/01/2022 11:05

 (Foto: Divulgação)
Foto: Divulgação
A Aldeia da Vida, instituição referência em medicina florestal, espiritualidade e ancestralidade, localizada na Aldeia dos Camarás, município de Camaragibe, na Região Metropolitana do Recife, realizou um encontro com os índios Yawanawá, tribos originárias do Brasil, entre os dias 2 a 28 de dezembro. Entre as cerimônias estavam a Uni (Chá da Ayahuasca), Rum%u0113 (Rapé), a defumação (Sepá), Yura Kaya (retiro), Semakei para tratar do corpo, mente e espírito, e os rituais para conhecimento da ancestralidade. 

O fundador da Aldeia, abordou que o povo Yawanawá tem um grande laço com o Nordeste, pois no auge do Ciclo da Borracha, entre 1879 a 1942, muitos nordestinos migraram para o Acre e viveram na floresta trabalhando, constituindo família e partilhando várias lutas por direitos. A partir desse convívio nasceu respeito e inúmeras alianças entre as regiões. “Em 2019, aconteceu o 1º Encontro Ayahuasca Nordeste, com a abertura espiritual do Matsini Yawanawa, grande líder espiritual do povo, reconhecido em todo o mundo. Nós já estudávamos filosofia, cosmologia e espiritualidade Yawanawa antes mesmo desse momento. Então, a chegada deles, no nosso espaço não foi algo ao acaso, foi o momento de se conectarem com uma floresta onde séculos atrás era parte de um mesmo espaço. Momentos como este são de extrema importância para a nossa região, pois é um grande reencontro de culturas”.

O fundador da Aldeia da Vida falou sobre a grandeza cultural e histórica dos Yawanawá. Yawa significa queixada (um tipo de javali da Amazônia) e Nawa é povo, assim, povo da queixada. “É um povo milenar que vive no Estado do Acre, coração da Amazônia, na fronteira com o Peru. É uma tradição muito antiga e muito respeitada dentre os povos. Hoje, com o cacique Nixiwaka Biraci Brasil, e sua esposa, Putanny Yawanawá, o povo conseguiu alcançar um patamar de vida sem precedentes na história. Por muitos anos lutaram e resistiram por seus direitos. Hoje, através de seus cantos e cultura eles atingem o mundo todo e isso gerou um fortalecimento muito grande para todo o povo”.

Para Leandro Valente, o encontro entre a Aldeia e os Yawanawá é de extrema importância para a expansão da medicina ancestral, pois, hoje, a ciência vem cada vez mais voltada ao estudo e pesquisa dessas medicinas. Mas, o principal desafio é cuidar dela e apresentá-la de forma responsável, através das suas raízes. Como em todo setor, existe muita desinformação. Existem notícias absurdas na internet, opiniões e pesquisas mal elaboradas. Além dos charlatões, gurus modernos da ayahuasca ou xamãs sem conhecimento na área. Leandro, comenta que nas tradições indígenas milenares, um Pajé (médico espiritual), por exemplo, se torna Pajé mediante o reconhecimento de todo o povo e isso leva décadas de dedicação ao estudo das plantas, chás, folhas, raízes e todo o seu universo espiritual para só depois o povo passar a reconhecer esta pessoa como um Pajé. Atualmente, existem até cursos xamânicos que oferecem formação em uma semana. “Então, encontros como esses fortalecem muito, porque as pessoas têm a oportunidade de vivenciar uma experiência, direto da fonte de forma segura e autêntica, tirando as dúvidas e aproveitando ao máximo com a cultura viva e rica, sem as criações modernas que visam apenas o capital, concluiu”.

Rituais

As cerimônias são realizadas com medicinas da floresta, a Uni (Ayahuasca), Rum%u0113 (Rapé) e a defumação (Sepá).  De acordo com o fundador da Aldeia, o Chá da Ayahuasca na língua Yawanawá se chama Uni. Esta medicina, faz parte do povo e por milênios é zelada, consumida e estudada por eles. Nos dias 17,18 e 19 de dezembro foi realizado o Yura Kaya, que é um retiro de três dias que acontece na Aldeia da Vida. Yura Kaya significa aquilo que é verdadeiro para o indígena. “Este retiro tem por missão, transmitir a espiritualidade de forma que as pessoas da cidade possam ter mais contato e proximidade com os Yawanawá absorvendo ao máximo sua tradição e cultura. As cerimônias também ocorrem sempre por nós aqui da casa para que as pessoas continuem acessando sempre a sua ancestralidade de forma segura e contínua. Se alguém nunca teve a oportunidade de viver uma noite ancestral milenar como esta, não sabe o que está perdendo”, comentou Leandro Valente.

Leandro também descreve a cerimônia da Semakei, que são dietas espirituais para tratamentos do corpo, mente e espírito. “Essas dietas são de aprofundamento em sua cultura. Através delas você consegue ficar na aldeia por longos períodos de tempo aprendendo a espiritualidade e os costumes. Existe o ritual da caça, da pesca. Existe também o famoso Kambo, que é a vacina do Sapo. São muitos, vale a pena viver a história da nossa terra”.

Aldeia da Vida

Fundada em 2019 por Leandro Valente e sua esposa, Isabelle Santos, a instituição desenvolve trabalhos ancestrais e tradicionais, conta com 12 colaboradores e recebe 200 pessoas mensalmente. A Aldeia é uma ponte deste universo proporcionando que pessoas mergulhem no caminho espiritual, com segurança e amor. Também são realizados casamentos nesses moldes, trabalho de resgate e principalmente de conscientização para a valorização das tradições e de sua espiritualidade e cultura. A Aldeia da Vida recebe pessoas de todo o Brasil e de fora do país, que buscam se conectar com seus ancestrais. 

Com propósito de responsabilidade espiritual e social com as pessoas, em 2017, o fundador da Aldeia, Leandro Valente, inicia o aprofundamento por conhecimento no coração da Amazônia, a cosmovisão tradicional milenar dos Yawanawa. “A partir disso, nasceu um grande propósito de trazer esta força para Pernambuco com toda a sua essência. Porém, é importante salientar também que esta medicina é para todos, mas nem todos estão para ela e isso significa que não se trata tudo com Ayahuasca, então uma de nossas missões é conectar as pessoas certas de forma segura, pois jamais temos a intenção de arrastar multidões. Ainda segundo Leandro, “Ayahuasca não é uma religião, é espiritualidade. Aqui atendemos desde freiras a umbandistas, que procuram através desta medicina respostas para suas questões interiores”, declarou.
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